Jul
30
Filed Under (Outros) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Mais cem metros e investigadores russos batiam um novo recorde. Mas não foi desta que a equipa liderada por Artur Chilingarov tocou no local mais fundo do lago Baical no Leste da Sibéria. A 1680 metros de profundidade, a marca ia dar à equipa o recorde do mergulho mais profundo em água doce com submarino.

“Não houve recorde”, disse à imprensa Chilingarov. Mas o líder da expedição, que investiga também os efeitos do aquecimento global no maior reservatório natural de água doce do planeta, já tinha utilizado os dois mini-submarinos na conquista de objectivos como os que procura agora atingir no lago Baical.

Artur Chilingarov, que também é deputado do parlamento russo e é considerado próximo do Kremlin, foi o homem que guiou outra expedição às profundezas do Árctico e pôs a bandeira russa no leito do Oceano Árctico, sob o Pólo Norte, a 2 de Agosto do ano passado. Um gesto através do qual Moscovo quis afirmar a sua posição na disputa pelas reservas por explorar do Árctico.

A nova expedição não pode, por isso, deixar de ser olhada como mais uma demonstração da capacidade tecnológica e científica de um país que quer recuperar o estatuto de potência mundial que possuiu durante os anos da Guerra Fria.

Artur Chilingarov admitiu que o antigo Presidente e actual primeiro-ministro, Vladimir Putin, apoiava completamente o esforço, mas a razão que estava por trás era outra. “Queremos estudar e observar o lago Baical, e preservá-lo”, disse o cientista na segunda-feira, enquanto inspeccionava os submarinos Mir-1 e Mir-2. E há boas razões para isso.

“Pérola da Sibéria” ou “Galápagos russas” são duas formas de se apelidar o lago Baical, declarado Património da Humanidade pela UNESCO em 1996. O lago fica na região de Irkutsk, no Sudeste da Rússia, perto da Mongólia e é uma das atracções da viagem do comboio transiberiano que percorre o país.

Um habitat único

É o lago de água doce com mais volume do mundo, tem cerca de 636 quilómetros de comprimento e atinge os 80 quilómetros nas zonas mais largas. Contém um quinto das reservas de água doce em estado líquido do planeta e é o lar de muitas espécies endémicas. Por ser tão antigo (formou-se entre 20 e 25 milhões de anos atrás), aquelas espécies tiveram tempo para se adaptar e evoluírem em formas únicas. A foca de Baikal é o único mamífero do lago e uma das espécies mais emblemáticas.

Os investigadores planeiam recolher amostras do lago a diferentes profundidades e tentar perceber como é que o aquecimento global está a afectar a região.

Um dos investigadores disse à estação de televisão pan-árabe Al-Jazira que poderão vir a ser encontradas novas espécies que vivem no leito, além de reservas de petróleo e gás.

O desenvolvimento económico é uma ameaça para os frágeis equilíbrios ecológicos da região. O projecto de construção de uma conduta de petróleo que atravessava a Sibéria, lançado em 2002, que passava a menos de um quilómetro do lago foi contestada: há dois anos, um movimento de cidadãos obrigou o Governo a impedir a construção da conduta. Posteriormente, a construção de uma central de enriquecimento de urânio também causou alarme. Também o crescimento do turismo, gera preocupações ambientais. Apesar de existirem muitas leis a protegerem o lago, estas não são aplicadas.

Entretanto, a equipa de Chilingarov ainda tem pela frente mais 60 mergulhos. “Vamos tentar mais vezes”, diz o cientista. Pode ser que para a próxima consigam enterrar uma bandeira na zona mais funda do lago. Publico.PT.



1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (1 votes, average: 5.00 out of 5)
Loading ... Loading ...



Post a comment
Name: 
Email: 
URL: 
Comments: