Archive for August, 2008

Aug
25
Filed Under (Política Ambiental) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Devido à não renovação do contrato para fornecimento de combustível à frota de veículos, agentes da superintendência do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis) em São Paulo fizeram uma fiscalização a pé.

Os cerca de 2,5 km entre a superintendência do órgão na Alameda Tietê, em Cerqueira César, à rua Estados Unidos, no Jardim Europa, foram percorridos a pé por agentes de fiscalização na última quarta-feira (20). A pedido da Polícia Civil de São Paulo, eles foram até um pet shop averiguar se o local possuía a documentação fornecida pelo Ibama exigida para seu funcionamento.

Denúncias de servidores que não quiseram se identificar temendo represálias apontam que o contrato para fornecimento de combustível aos três carros responsáveis pela fiscalização foi encerrado no final de julho. Até agora, não foi renovado.

Funcionários afirmam que a superintendente do órgão em São Paulo, Analice de Novais Pereira, orientou que eles colocassem combustível e pagassem com dinheiro do próprio bolso para serem reembolsados depois.

Foi apurado que a falta de combustíveis nos veículos responsáveis pela fiscalização atrasam três pedidos formulados pelo Ministério Público Federal. Sem eles, não é possível, por exemplo, concluir investigações que possam vir a resultar em constatação de irregularidades ambientais.

Outro contrato que teria sido descontinuado é o da limpeza. Terminado em 30 de junho, segundo os funcionários, ele não foi renovado. Os servidores se revezam para varrer, recolher o lixo e até trocar papel higiênico dos banheiros.

Eles sustentam que a situação é reflexo da falta de capacidade técnica da titular do órgão em São Paulo, que teria sido nomeada por indicação política. Analice é irmã do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira denunciado pelo crime de formação de quadrilha no processo que apura o suposto esquema do mensalão.



Aug
25
Filed Under (Sustentabilidade) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Em que planeta vivemos? Se for no planeta Al Gore, estamos em apuros. Um brasileiro que nasça hoje chegará à idade adulta em um mundo hostil e diferente, no qual restarão raros ursos-polares fora do zoológico e se poderá navegar pelas ruas do Recife, submersas pela elevação do nível do mar. Seus netos viverão num ambiente pestilento, com surtos de malária, dengue e febre amarela decorrentes do clima mais quente. Na Amazônia, com temperaturas 8 graus mais altas que as atuais, a floresta se transformaria em cerrado e estaria sujeita a incêndios de dimensões bíblicas. O que se chama aqui de planeta Al Gore é aquele que o político americano descreveu em seu documentário Uma Verdade Inconveniente, cuja dramaticidade lhe rendeu dois dos prêmios mais cobiçados que existem. O primeiro foi o Oscar, entregue em fevereiro. O segundo é o Nobel da Paz de 2007, que ele receberá no dia 10 de dezembro em Oslo, ao lado do indiano Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC). Mas será que a Terra só tem como futuro se transformar no planeta Al Gore? Talvez não.

Um grupo de cientistas, reduzido em número mas respeitável e influente, discorda da idéia central de Al Gore e do painel da ONU, que, de resto, se tornou a maior religião urbana de alcance planetário de que se tem notícia. Esses dissidentes do clima são chamados genericamente de “céticos”. Uma demonstração de que os terráqueos ainda não chegaram ao consenso definitivo de que a Terra vai acabar nos moldes propostos por Al Gore é a enorme repercussão do recém-lançado Cool It, cujo subtítulo é O Guia do Ambientalista Cético para o Aquecimento Global. O autor do best-seller, o estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, foi eleito pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo (veja a entrevista com Lomborg).

As divergências entre ambientalistas ortodoxos e céticos podem ser sumariadas em quatro questões:

A primeira diz respeito à responsabilidade humana no aquecimento global. O IPCC afirma que a causa principal é a emissão de dióxido de carbono (CO2) e outros gases resultantes da queima de combustíveis fósseis, que, lançados na atmosfera, aumentam o efeito estufa. Os céticos consideram que só parte do aquecimento global pode ser atribuída à ação humana. A quantidade de CO2 enviada à atmosfera pelas florestas em decomposição e pelos oceanos também contribui. A Terra passou por outros períodos de aquecimento antes da Era Industrial, e não se conhecem com certeza os agentes que os provocaram.

A segunda versa sobre se é possível amenizar o aquecimento e como isso deveria ser feito. O IPCC diz que o primeiro passo é reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera. A seguir, é preciso aumentar a eficiência no uso de energia para queimar menos combustíveis fósseis. Os céticos argumentam que não há como frear o processo de aquecimento global nas próximas décadas. A melhor solução é investir em pesquisas para baratear energias alternativas e, no futuro, tornar a humanidade menos dependente de petróleo.

A terceira é: dentro de quanto tempo os efeitos do aquecimento começarão a ser sentidos? O IPCC diz que os primeiros sinais já estão presentes no aumento de enchentes, secas prolongadas e maior freqüência de grandes furacões. Os céticos estimam que os primeiros efeitos só serão perceptíveis dentro de 50 a 100 anos.

A quarta: qual é a severidade desses efeitos? O IPCC acha que as catástrofes naturais serão freqüentes e devastadoras. Para os céticos, os desastres serão poucos. Não será difícil para o homem se adaptar a essas alterações do clima.

Seria excelente se as respostas para todas essas divergências pudessem ser encontradas no meio do caminho entre os dois extremos. Por enquanto, isso não parece possível. Os ursos-polares estão realmente ameaçados. Um estudo prevê que, devido à retração da camada gelada do Ártico, a população desses animais magníficos estará reduzida a um terço da atual em 2050. O dar de ombros de alguns céticos, sob o argumento de que a extinção de espécies faz parte do ciclo natural da natureza, só nos enche de horror. Por outro lado, previsões catastróficas claramente infladas para efeitos propagandistas são um tiro que a ortodoxia ambientalista dá no próprio pé. Há duas semanas, a Alta Corte da Inglaterra determinou que, ao exibirem o filme de Al Gore nas escolas do país, os professores avisem aos alunos que ele é tendencioso e contém nove erros flagrantes. Entre eles está a advertência de que o nível dos oceanos pode subir 6 metros até o fim do século - contra os 44 centímetros previstos pelos estudiosos mais pessimistas. A diferença é gritante. Se o nível do mar subir 6 metros, a pista do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, ficará submersa e Botafogo perderá sua praia. Já uma elevação de 44 centímetros mal seria percebida.
Lomborg costuma levar visitantes ao Bridge Café, o mais antigo bar de Nova York, instalado no mesmo local desde o fim do século XVIII. Nesse período, o nível das águas do Rio East subiu cerca de 60 centímetros. Em lugar de alagado, o bar, que originalmente estava à margem, está agora a dois quarteirões e meio de distância do rio. Aterros sucessivos aumentaram a área seca, e a elevação das águas só é conhecida pelos registros científicos. O que Lomborg pretende demonstrar é a capacidade humana de se adaptar às mudanças naturais e encontrar soluções tecnológicas para os desastres anunciados. Em 1968, no best-seller A Bomba Populacional, o americano Paul Ehrlich vaticinou um mundo atormentado pela superpopulação e pela falta de alimentos. A população mundial de fato dobrou nas quatro décadas seguintes à previsão, mas, graças ao ganho de eficiência com a irrigação e o uso dos fertilizantes, a chamada Revolução Verde, o planeta produziu alimentos de sobra para todos. No período em que Ehrlich afirmou que a fome grassaria, as pessoas passaram a ingerir, em média, 24% mais calorias. Diante da imposição de combater o aquecimento global, as ações individuais nessa direção se tornaram uma mania. Todo mundo quer fazer sua parte para salvar o planeta, ou pelo menos manter a consciência limpa de que não está ajudando a piorar a situação. Para isso, tanto vale usar roupas feitas de algodão orgânico quanto comprar apenas alimentos que tenham sido produzidos em regiões próximas - dessa forma, não se precisou enfumaçar mais a atmosfera ao transportá-los.

Ao se tornar uma doutrina, a luta contra o aquecimento global também se tornou um instrumento nas mãos dos políticos. “Muitos deles, para conquistar a aprovação popular, fazem promessas de reduzir as emissões de gases tóxicos em seus países mesmo sabendo que será impossível cumpri-las”, disse a VEJA outro cético proeminente, o economista Deepak Lal, da Universidade da Califórnia. É irônico que o ambientalismo, enquanto instrumento político, seja hoje associado ao pensamento de esquerda. No passado, era o contrário. Os comunistas, donos das fábricas mais poluentes do mundo, consideravam a preocupação com o ambiente mero capricho burguês. Só depois que o comunismo virou poeira, com a queda do Muro de Berlim, os órfãos do marxismo viram na defesa do ambiente uma forma de desafiar o capitalismo. O risco do dogmatismo no combate ao aquecimento global é o de retirar as questões do verdadeiro domínio a que pertencem — o debate científico. Há, nesse campo, muitas dúvidas. Dá-se o nome de efeito estufa à cobertura de gases que envolve a Terra, impedindo que a radiação solar, refletida pela superfície em forma de calor, se dissipe no espaço. O mecanismo é responsável pela temperatura amena, sem a qual a vida não seria possível no planeta. O aumento nas emissões dos gases do efeito estufa, sobretudo o dióxido de carbono (CO2), resultantes da atividade humana, faz com que mais calor seja retido. Essa é a causa primária do aquecimento global.
Nada é simples quando a medida é planetária. “O clima da Terra é um sistema altamente complexo. Há variáveis que interferem na temperatura cuja atuação ainda desconhecemos”, diz o climatologista americano Richard Lindzen, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O Protocolo de Kioto, hoje desacreditado, pretende frear o aquecimento global com cortes substanciais nas emissões de CO2. Os ambientalistas dogmáticos consideram suas metas tímidas. Os céticos as vêem como inviáveis devido ao custo para a economia de cada país signatário. Os Estados Unidos, que não aderiram a Kioto, teriam de reduzir em 7% as emissões de CO2 tendo como referência os níveis de 1990. Para cumprir tal meta, o país precisaria paralisar 70% de sua frota de transportes, incluindo carros de passeio, caminhões e trens. Nas contas um tanto suspeitas da Casa Branca, isso custaria 5 milhões de empregos. O que os céticos têm a dizer sobre economia é o seguinte: reduzir os gases do efeito estufa seria muito caro e ineficiente. Melhor seria utilizar o dinheiro para preparar melhor o mundo para os efeitos inevitáveis das mudanças climáticas.

A certeza de que o planeta dispõe de tempo decorre de um argumento central dos céticos, o de que as previsões catastróficas feitas pelo IPCC não merecem confiança. O problema estaria na metodologia. Cada cientista usou seu próprio modelo computadorizado, sem se preocupar se os colegas empregavam critérios diferentes. Alguns levam em conta as condições da estratosfera, outros desprezam essa variável. O geógrafo Aziz AbSaber, da Universidade de São Paulo, diz: “Os modelos não levam em conta como o planeta reagiu às variações climáticas ocorridas no passado. Muitos cientistas afirmam que a elevação da temperatura e do nível dos mares vai destruir as florestas e grande parte da fauna. Entre 6.000 e 5.000 anos atrás, numa fase de aquecimento do planeta, a altura dos mares chegou a ficar 3 metros acima do nível atual. A reação do planeta a esse quadro foi um aumento da evaporação da água e uma explosão de crescimento das florestas e da fauna”. O geofísico Paulo Artaxo, também da USP, um dos cientistas que integram o IPCC, admite que em climatologia as margens de dúvida são grandes. “Esperamos diminuir bastante nossas incertezas nas próximas décadas, mas, se esperarmos até lá para reduzir as emissões de carbono, pode ser tarde demais para frear os efeitos do aquecimento global”, ele avalia.

Há nas palavras de AbSaber uma hipótese que surpreende: o aquecimento global pode ter conseqüências positivas. A civilização humana só foi possível graças ao período interglacial especialmente longo em que vivemos, iniciado 11.000 anos atrás. Um surto de excepcional calor entre os séculos IX e XIII permitiu a expansão da agricultura e o desenvolvimento das cidades na Europa. O aquecimento que se prevê para este século deve tornar vastas áreas do Canadá, da Rússia e da Groenlândia próprias para a agricultura. O que dizer dos países nos quais o aquecimento global, em vez de trazer benefícios, se traduziria em enchentes e secas? Segundo os céticos, com metade dos 150 bilhões de dólares anuais que as metas do Protocolo de Kioto custariam aos países signatários, seria possível dotar essas nações da infra-estrutura necessária para combater os desastres naturais.

Muitas das medidas seriam relativamente simples, como a construção de pequenas represas para evitar enchentes. Em vez de impor cortes radicais nas emissões de CO2, pode-se desenvolver tecnologias limpas. Os cientistas céticos criticam os relatórios do IPCC e condenam a redução abrupta das emissões de CO2 — mas que alternativas eles oferecem para resolver a questão do aquecimento global? Basicamente, a estratégia concentra-se em duas frentes. A primeira delas é investir em pesquisas para tornar as energias alternativas mais baratas e viáveis. Só assim, segundo eles, se conseguirá diminuir a queima de petróleo e carvão, os grandes emissores de CO2. Atualmente, a produção de energias alternativas, como a eólica, chega a custar dez vezes mais do que aquela obtida pela queima de material fóssil. A segunda estratégia dos céticos para combater o efeito estufa é retomar questões que andam fora de moda desde que o aquecimento global passou a monopolizar as atenções — a preservação dos recursos naturais do planeta, o combate à pobreza e às doenças causadas por ela.

Muitos críticos olham com cautela as previsões do IPCC devido à estrutura do painel da ONU. O infectologista inglês Paul Reiter, do Instituto Pasteur, de Paris, disse a VEJA: “Ouvimos falar que os relatórios do IPCC são fruto do trabalho de 2.500 dos maiores cientistas do mundo. Não é bem assim. Nem todos os autores dos estudos são selecionados por suas contribuições à ciência. Em muitos casos prevalecem os critérios políticos”. Reiter pediu para retirar seu nome do terceiro relatório do IPCC por discordar da associação feita entre a alta temperatura e o aumento do risco de doenças como a malária. “O calor não é o fator preponderante para a proliferação da doença, já que no Ártico há mosquitos transmissores em abundância e a maior epidemia da doença já registrada ocorreu na União Soviética, nos anos 20, com 13 milhões de casos e 600.000 mortes”, afirma o cientista.

O núcleo de trabalho do IPCC é formado por 450 autores principais e 800 colaboradores, que selecionam as pesquisas científicas e decidem quais delas serão incluídas nos relatórios. Os nomes que compõem os dois grupos são indicados pelos governos de 130 países-membros do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Nem todos são cientistas. Há entre eles ministros de estado e diretores de entidades ambientais. O documento final é submetido à aprovação de uma comissão de representantes dos governos envolvidos. Cada um deles tem o poder de solicitar a supressão ou a inclusão de trechos, de acordo com o interesse de seus governantes. O Brasil conseguiu incluir no texto a afirmação de que o desmatamento e as queimadas pesam menos no aquecimento global que a queima de combustíveis fósseis. A alteração interessava porque 75% das emissões de CO2 feitas pelo país decorrem de queimadas e do desmatamento. Quando consideradas apenas as emissões de CO2, o Brasil é o 16º maior poluidor. Incluindo a devastação ambiental, salta para a quarta posição. “A seleção do IPCC não distingue se os autores dos relatórios são autoridades científicas no assunto ou apenas burocratas, e isso, em certos casos, pode atrapalhar o resultado”, diz o climatologista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que não fecha com os céticos e já representou tanto o Brasil quanto os Estados Unidos nas reuniões do IPCC.

Caso todas as ressalvas dos céticos se provem equivocadas, pelo menos se deve creditar a eles o mérito de reafirmar com toda a ênfase a necessidade de usar com parcimônia os recursos naturais da Terra. Os estudos sobre o aquecimento global, por sua própria natureza, encaram o planeta como uma entidade única, com suas “temperaturas médias” e com a elevação do nível “dos oceanos”. Na realidade, cada grupo de cidadãos do planeta vive em seu próprio microclima, com características únicas. No dia-a-dia, quem mora na África Subsaariana está mais preocupado em saber quando virão as próximas chuvas da estação do que com as enchentes que poderão ocorrer dentro de cinqüenta ou 100 anos. A poluição que é lançada na atmosfera e aquece o mundo preocupa, mas, segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 3 milhões de pessoas morrem por ano nas grandes cidades por causa dos efeitos nocivos da poluição localizada. “Ser cético não é ser contrário ao ambiente. É zelar pelo ambientalismo de forma coerente”, disse a VEJA Chris de Freitas, professor de ciência ambiental na Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

O maior perigo imediato representado pelo aquecimento global parece ser de outra ordem: ter colocado em segundo plano nas preocupações mundiais uma série de tarefas urgentes se queremos salvar o planeta. Os oceanos estão morrendo devido à exploração excessiva de seus recursos. A pesca industrial já reduziu em 90% a população dos grandes peixes oceânicos. O consumo de água no mundo cresceu seis vezes nos últimos 100 anos. O resultado é que um terço da população mundial vive em regiões onde a água é escassa, parcela que deve dobrar até 2025. É irônico, mas a obsessão em torno das mudanças climáticas pode estar se transformando na forma errada de salvar o planeta.

ESTAMOS ASSUSTADOS DEMAIS

O dinamarquês Bjorn Lomborg, da Copenhagen Business School, é o mais prestigiado dos cientistas céticos com relação ao aquecimento global. Eleito pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, ele acaba de lançar o livro Cool It: The Skeptical Environmentalists Guide to Global Warming, ainda sem tradução no Brasil. Lomborg falou a VEJA:

DIARIAMENTE SURGEM NOTÍCIAS PREVENDO MUDANÇAS CLIMÁTICAS DRÁSTICAS. ESTAMOS DIANTE DE UMA CATÁSTROFE IMINENTE?

É claro que o aquecimento global existe e representa um problema, mas estamos assustados demais com ele. O aquecimento global é uma questão de longo prazo, com conseqüências perceptíveis dentro de 100 anos. De fato, ele pode aumentar o risco de desastres naturais, mas em proporção muito menor do que se diz.

O QUE PODE SER FEITO HOJE PARA EVITAR OS DANOS DO AQUECIMENTO GLOBAL NO FUTURO?

Nas atuais circunstâncias, muito pouco pode ser feito. Hoje, 13% da energia usada no mundo é renovável. Estima-se que, em 2030, essa cifra não passe de 14%. Se queremos reduzir as emissões de carbono, temos de investir em pesquisa para tornar as energias alternativas mais baratas e viáveis economicamente. Trocar as lâmpadas da casa por modelos econômicos é uma atitude louvável, mas as mudanças precisam ser estruturais. Reduzir drasticamente as emissões de carbono nos próximos dez ou vinte anos, como propõem alguns governos, é atropelar a realidade.

O SENHOR DIZ QUE HA QUESTÕES AMBIENTAIS MAIS IMPORTANTES DO QUE O AQUECIMENTO GLOBAL. QUAIS SÃO ELAS?

Num planeta onde 15 milhões de pessoas morrem todo ano por causa de doenças infecciosas que poderiam ser evitadas, e no qual só se fala em efeito estufa, me parece que estamos invertendo nossas prioridades. Mais importante que o aquecimento é o combate à aids, à fome e à malária. Há coisas incríveis que podemos fazer agora, com melhores resultados e a um custo bem inferior ao do combate ao aquecimento global.

QUE OUTRAS COISAS DEVERIAM SER FEITAS EM VEZ DE COMBATER COM URGÊNCIA O AQUECIMENTO?
Quando um furacão atinge o Haiti, ele é muito mais letal do que quando atinge a Flórida. Isso porque os haitianos são mais pobres e têm menos condições de tomar medidas preventivas contra os danos dessas catástrofes. Se conseguíssemos romper com o círculo da pobreza e investíssemos em mais infra-estrutura em regiões carentes, deixaríamos as populações menos vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Fornecer água potável, saneamento, cuidados médicos e educação a todas as populações pobres do mundo, segundo a ONU, custaria 75 bilhões de dólares. É metade do custo anual que os países teriam se conseguissem cumprir 100% de suas metas de cortes na emissão de carbono.



Aug
25
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O perigo da degradação ambiental causada pelo homem costuma ser representado nas campanhas ambientalistas por animais ameaçados de extinção. O simpático e desajeitado urso panda, que está desaparecendo junto com seu habitat nas montanhas da China, é um dos símbolos mais utilizados pelos ecologistas. Neste momento, há um símbolo muito mais tenebroso no ar. Trata-se da formidável nuvem de poluentes que se estende do Japão ao Afeganistão, no sentido leste-oeste, e da China à Indonésia, no sentido norte-sul, abrangendo uma região da Ásia em que vive um quinto da humanidade. De tonalidade marrom e tamanho equivalente a três Brasis, essa nuvem de venenos tem 3 quilômetros de espessura e representa 1,5% da atmosfera na região. Nuvens parecidas flutuam ocasionalmente sobre os Estados Unidos e a Europa, mas nenhuma teve igual tamanho e durabilidade. A mancha foi percebida pelos satélites em órbita sete anos atrás e desde então vem sendo estudada por uma equipe de especialistas convocada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na semana passada, anunciou-se a primeira conclusão: trata-se da mais densa e ampla concentração de poluentes já detectada.

Na lista das grandes catástrofes ecológicas preparada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, a nuvem asiática é comparada ao buraco de ozônio, o pesadelo que dominou o debate ambientalista na década passada. “O perigo é global, já que uma nuvem desse tamanho pode cruzar meio mundo em apenas uma semana”, adverte o alemão Klaus Töpfer, diretor executivo do Programa de Meio Ambiente da ONU. O coquetel de partículas de carbono, sulfatos e cinzas orgânicas é resultado das emissões de gases de fábricas, usinas termelétricas e escapamentos dos automóveis. Essa é, digamos, a contribuição industrial para o fenômeno. “O crescimento econômico do sul da Ásia fez com que a poluição dobrasse nos últimos vinte anos”, diz o indiano Victor Ramanathan, coordenador do estudo que desvendou os segredos da nuvem. Mas não é essa a única causa. A população pobre da região queima o que tiver à mão para cozinhar e se aquecer - de madeira a estrume, passando por garrafas de plástico e embalagens. Como no Brasil, a queimada é a principal ferramenta para abrir espaço para o plantio. Por causa da alta concentração de carbono, a nuvem de poluentes chega a reter 15% da luz solar. Por falta de sol, o solo está ficando mais frio e o ar, mais abafado. O ritmo das monções, o período de chuvas no sul da Ásia, foi alterado, com efeito catastrófico para a agricultura. A safra de arroz colhida no inverno na Índia foi 10% menor que em anos anteriores. Estima-se que 500.000 pessoas morram só naquele país em decorrência de problemas respiratórios causados pelo fenômeno.

Um desastre ambiental provocado pelo encontro de duas realidades que se entrelaçam - o mundo industrializado de certas regiões asiáticas e a pobreza abjeta de outras - é pleno de simbolismo e não podia revelar-se em momento mais apropriado. Na próxima semana, mais de 100 chefes de Estado, à frente de um contingente de 60.000 delegados, discutirão em Johanesburgo, na África do Sul, a encruzilhada ambiental em que o planeta está metido. Chamado de Rio+10, pretende dar continuidade às discussões iniciadas na Eco 92, no Rio de Janeiro, em 1992. O balanço dos últimos dez anos contém pouca coisa que possa sugerir que o encontro vai melhorar significativamente a situação ambiental. A reunião no Rio tratou sobretudo de mudanças climáticas e biodiversidade. Os participantes concordaram com um programa ousado de combate à deterioração da terra, do ar e da água. Também decidiram buscar o crescimento econômico sem degradar o meio ambiente. Apesar das juras de amor à natureza feitas naquela época, pouca coisa saiu do papel. Dez anos transcorridos, apenas quarenta nações adotam algum tipo de estratégia preservacionista. O que chegou a ser feito foi apenas um arranhão numa realidade desastrosa. Hoje, as ameaças aos recursos naturais são ainda maiores. Florestas, peixes, água e ar limpos estão mais escassos. Duas das mais importantes fontes de biodiversidade, os recifes de coral e as florestas tropicais, foram tremendamente degradadas. As emissões de carbono, o grande responsável pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento global, cresceram 10%. Nos Estados Unidos, que abandonaram o Protocolo de Kioto, o tratado assinado por 178 países para controlar as emissões desse gás, o salto foi de 18%.

Quanto ao crescimento sustentado, assunto tão debatido, a coisa parece caminhar para o fiasco. Há mais de meio século, Mahatma Gandhi, o magérrimo guru da independência indiana, dizia sobre o assunto: “Que Deus jamais permita que a Índia adote a industrialização à maneira do Ocidente. A Inglaterra precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar tal prosperidade. De quantos planetas um país grande como a Índia iria precisar?”, perguntava, perplexo, aquele que o primeiro-ministro britânico Winston Churchill chamava com menosprezo de “aquele faquir indiano”. Gandhi sempre foi um homem de idéias reacionárias. Queria, em todos os campos, a manutenção do estilo de vida de seu tempo. Em certas coisas, pregava o retorno ao passado. Não aceitava sequer a supervisão médica nas doenças. Mas seu aviso, por mais exótico e retrógrado que pareça, encontra eco num cálculo do Fundo Mundial para a Natureza, a organização ambientalista mais conhecida pela sigla WWF. Usando estatísticas da ONU, ela concluiu que os 15% mais ricos da humanidade (o que inclui as minorias abastadas nos países pobres) consomem energia e recursos em nível tão alto que providenciar um estilo de vida comparável para o restante do mundo iria requerer os recursos de 2,6 planetas do tamanho da Terra. Essa estatística ajuda a entender o dilema existente entre desenvolvimento e preservação ambiental. Os anos 90 foram de imenso crescimento na economia global. Perversamente, muito dessa prosperidade teve conseqüências desastrosas para o meio ambiente.

Na semana passada, como subsídio para a reunião em Johanesburgo, a ONU divulgou um relatório sobre o impacto do atual padrão de desenvolvimento na qualidade de vida e nos recursos naturais. Veja, por meio de itens selecionados do relatório, como a questão ambiental ganhou maior volume na década passada:

2,4% das florestas foram destruídas nos anos 90, uma área equivalente ao território de Mato Grosso. O desmatamento é maior na África, que perdeu 7% de sua cobertura vegetal, e na América Latina, com 5%.

A proporção de recifes de coral ameaçados saltou de 10% para 27%, apesar de protegidos pela Convenção da Biodiversidade.

O consumo global de combustíveis fósseis cresceu 10%.

Apenas três países ricos, Alemanha, Inglaterra e Luxemburgo, mantiveram estáveis suas emissões de carbono, o gás do efeito estufa.

Num mundo em desequilíbrio, até a boa notícia embute riscos para o futuro. O consumo de alimentos cresceu nas últimas três décadas. Nos países em desenvolvimento, a quantidade de calorias consumidas diariamente foi de 2.100 para 2.700. Nos ricos, passou de 3.000 para 3.400. Isso exige maior quantidade de alimentos. Hoje, 11% da superfície do planeta é usada para agricultura. A Europa, os países do sul e do leste da Ásia já usam todo o seu estoque de terras agrícolas. O norte da África e a Ásia Ocidental são desertos impróprios para a lavoura. Só a América Latina e a África Subsaariana ainda têm potencial de expansão agrícola - mas novas fronteiras agrícolas significam novos avanços sobre as florestas e sobre outras áreas intocadas. Pela presença do homem em seu habitat, animais estão sendo extintos num ritmo cinqüenta vezes mais rápido que o do trabalho seletivo da evolução natural das espécies. Metade das espécies de grandes primatas, nossos parentes mais próximos na árvore da evolução, deve desaparecer nas próximas duas décadas, se nada mais consistente for feito para salvá-los. Individualmente, as agressões citadas acima seriam absorvidas pelo ecossistema global, acostumado a desastres naturais. O problema é a orquestração. Sem se dar conta, 6 bilhões de seres humanos se tornaram um fardo pesado demais para o planeta.

Um estudo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), divulgado no mês passado, estima que o homem ultrapassou em 20% os limites de exploração que o planeta pode suportar sem se degradar. O cálculo partiu do pressuposto de que se pode explorar até 1,9 hectare por ser humano. Qualquer avanço além dessa cota nos deixaria sujeitos a catástrofes meteorológicas, como enchentes e secas, e perda de qualidade de vida para as populações futuras. Nessa conta, já estamos no vermelho, com a dívida contraída com a Mãe Natureza crescendo de forma assustadora. A média mundial de exploração é de 2,3 hectares por pessoa, contra 1,3 hectare há quarenta anos. A distribuição é desigual. O Brasil mantém-se na média, enquanto os países africanos usam apenas 1,4 hectare. Já a Europa e os Estados Unidos superam violentamente a marca, registrando respectivamente 5 hectares e 9,6 hectares por pessoa. Significa que estão de duas a cinco vezes além da média mundial. A estimativa é que a Terra tenha 8 bilhões de habitantes em 2025, um aumento de 30% em relação à atual população mundial. Serão bilhões de bocas a mais para ser alimentadas.

O efeito mais terrificante por suas implicações no cotidiano das pessoas talvez seja o aquecimento global. A década de 90 foi a mais quente desde que se fizeram as primeiras medições, no fim do século XIX. Uma conseqüência notável foram o derretimento de geleiras nos pólos e o aumento de 10 centímetros no nível do mar em um século. A Terra sempre passou por ciclos naturais de aquecimento e resfriamento, da mesma forma que períodos de intensa atividade geológica lançaram à superfície quantidades colossais de gases que formavam de tempos em tempos uma espécie de bolha gasosa sobre o planeta, criando um efeito estufa natural. Ocorre que agora a atividade industrial está afetando de forma pouco natural o clima terrestre. No ano passado, cientistas de 99 países se reuniram em Xangai, na China, e concluíram que o fator humano no aquecimento é determinante. Desde 1750, nos primórdios da Revolução Industrial, a concentração atmosférica de carbono - o gás que impede que o calor do Sol se dissipe nas camadas mais altas da atmosfera e se perca no espaço - aumentou 31%, e mais da metade desse crescimento ocorreu de cinqüenta anos para cá. Amostras retiradas das geleiras da Antártica revelam que as concentrações atuais de carbono são as mais altas dos últimos 420.000 anos e, provavelmente, dos últimos 20 milhões de anos.

Cerca de três quartos das emissões de carbono provocadas pelo homem nos últimos vinte anos vêm da queima de combustíveis fósseis, como a gasolina. O restante provém da queimada de florestas. “Não há mais dúvida de que as mudanças ambientais são causadas pelo homem. Já não são só os ambientalistas que pensam assim”, diz Lester Brown, fundador do Instituto Worldwatch e diretor do Earth Police (polícia da Terra, em inglês), baseados nos Estados Unidos. De acordo com especialistas, se o efeito estufa continuar no mesmo ritmo, a temperatura da Terra pode aumentar 5,8 graus centígrados até 2100. Algumas alterações na paisagem são atribuídas claramente ao aquecimento provocado pelo homem. Na África, a montanha das neves eternas, o Kilimanjaro, perdeu 82% da cobertura de gelo desde 1912. Em vinte anos, nesse ritmo, não restará nada exceto rocha nua. Em algumas partes da África e da Ásia as secas estão ocorrendo com maior freqüência e intensidade dobrada. A quantidade de chuvas tem aumentado no Hemisfério Norte, principalmente na forma de grandes tempestades. Os meteorologistas estão divididos sobre o assunto, mas muitos acham que as piores enchentes em 100 anos, que na semana passada invadiram as ruas de muitas cidades na Alemanha e na República Checa, se encaixam perfeitamente no contexto das mudanças climáticas no continente. “Não tenho dúvida de que o efeito estufa fez aumentar as chances de maior precipitação em áreas que não estavam acostumadas a chuvas pesadas”, diz o americano Gerald Meehl, cientista-chefe do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas, nos Estados Unidos.

Uma pressão desabusada é exercida sobre os ecossistemas de água doce, que têm sido destruídos pela poluição e pelo uso descontrolado. Sete de cada 10 litros utilizados pelo homem são destinados à agricultura, e mais da metade dela é perdida em sistemas de irrigação ineficientes. Cerca de metade desses ecossistemas já foi arruinada, e pelo menos 20% das 10.000 espécies conhecidas de organismos aquáticos já foram ou estão sob ameaça de extinção. Estima-se que 30% das maiores bacias hidrográficas perderam mais da metade de sua cobertura vegetal, reduzindo a qualidade da água e aumentando os riscos de enchente. Cerca de 40% da população do planeta vive em regiões com escassez de água potável, o que limita o desenvolvimento econômico, a agricultura e os cuidados sanitários. “Até agora nossa prodigiosa habilidade para expandir a população e aumentar o nível de consumo material ultrapassou de longe nossa habilidade para entender e responder aos problemas que estamos criando para nós mesmos”, disse a VEJA Christopher Flavin, presidente do Instituto Worldwatch.

Há dez anos, embalada pela Rio 92, a Unesco, o braço cultural da ONU, publicou o que pretendia ser o corolário do futuro: “Cada geração deve deixar os recursos da água, do solo e do ar tão puros e despoluídos como quando apareceram na Terra. Cada geração deve a seus descendentes a mesma quantidade de espécies de animais que encontrou”. A realidade virou tudo isso pelo avesso. O que se viu nos anos 90 foi um avanço descontrolado sobre ecossistemas frágeis, que não suportam a exploração agrícola intensiva, como as áreas de cerrados, savanas e de vegetação semi-árida. Essas regiões correspondem a quase 40% da superfície total do planeta, ou cerca de 190 milhões de quilômetros quadrados, e respondem por 22% da produção mundial de alimentos. A superexploração leva o esgotamento do solo a seu limite, um processo conhecido como desertificação. A FAO, o órgão da ONU para a agricultura, estima que 250 milhões de pessoas em mais de 100 países são afetadas pelo esgotamento do solo. “Esse problema está criando um novo tipo de migrantes, pessoas que não têm mais nada a perder e estão dispostas a embarcar em navios de traficantes de pessoas e até mesmo nadar oceano afora, no desespero de achar um lugar melhor para viver”, disse a VEJA o argelino Rajeb Boulharouf, diretor de relações externas do Secretariado das Nações Unidas da Convenção para o Combate à Desertificação (UNCCD).

A pesca comercial, realizada com barcos-usinas equipados com redes grandes o bastante para envolver um trem do metrô, já esgotou ou está a caminho de esgotar 75% dos pesqueiros do Atlântico Norte e do Mar Báltico. Estima-se que cerca de 14,5 milhões de quilômetros quadrados do fundo dos oceanos sejam varridos por redes que chegam a profundidades de 1 500 metros. Apesar dessa sucessão de tragédias ambientais, não é hora de ficar apenas nas queixas. Assim como degrada o meio ambiente, o homem é perfeitamente capaz de consertá-lo. Na última década, os avanços foram localizados, mas significativos. A emissão de poluentes na atmosfera caiu 30% no Leste Europeu simplesmente por ter sido desmantelado o arcaico parque industrial do antigo bloco soviético. Com incentivo governamental, as florestas européias cresceram 9 milhões de hectares, área equivalente à da Áustria. Mais de 10% das florestas no mundo estão atualmente sob algum tipo de proteção legal. No Brasil, país que durante séculos devastou florestas despreocupadamente, ocorreu uma espécie de despertar ambientalista. De acordo com pesquisas, quase a totalidade dos brasileiros é favorável à manutenção intacta da Floresta Amazônica. Neste mês, o governo deve anunciar o projeto de criar 18 milhões de hectares de reservas de preservação e extrativismo sustentado. Com isso, o tamanho das áreas protegidas saltará de 3,8% para 10% do total da floresta. Levando em conta que outros 20% da região amazônica são reservas indígenas, um terço da Floresta Amazônica estará protegido da devastação - pelo menos no papel. “Pela primeira vez estamos tomando como base a riqueza e a potencialidade da floresta para escolher as áreas a ser preservadas”, diz Mary Alegretti, secretária nacional de conservação da Amazônia. “Nossa idéia é garantir a preservação sem fechar as portas para o desenvolvimento da região.” A idéia é correta. Afinal, temos um só planeta. É o que deixaremos para nossos filhos e netos.



Aug
25
Filed Under (Educação Ambiental) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Mil exemplares impressos da primeira cartilha ambiental do País em braile terão também versão em áudio para MP3 e estarão disponíveis em bibliotecas, associações e instituições. A iniciativa é da Incorporadora Rossi e o lançamento será nesta segunda-feira, em Porto Alegre, em parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

As cartilhas em serão traduzidas e impressas pela Fundação Doutrina Nowill para Cegos, de São Paulo. “Este projeto tem um grande significado social. Está claro que, quando a empresa privada e o poder público se unem, com um objetivo comum, quem ganha é a comunidade”, diz o diretor regional da Rossei, Rodrigo Martins. O trabalho é uma adaptação da cartilha Naturecos, já utilizada em salas de aula da rede municipal de ensino da cidade.

Com criatividade e linguagem acessível, a cartilha contém dados sobre a importância da preservação ambiental, abordando a fauna e a flora, coleta seletiva, arborização urbana, efeito estufa, saúde ambiental, entre outros temas. Para o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Porto Alegre, Adilso Corlassoli, o acesso à informação é um direito de todos, independentemente de sua deficiência.

“A rede municipal trabalhará simultaneamente com cartilhas em braile e a tinta, além do conteúdo CD, no formato MP3. Não se tem registro de um trabalho assim no Brasil“, ele afirma. Uma das principais incorporadoras e construtoras do Brasil, a Rossi desenvolve há quase 30 anos produtos e serviços de alta qualidade no setor imobiliário. Está presente em mais de 54 cidades representadas por meio de escritórios em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, São José do Rio Preto e Fortaleza, o que permite uma melhor percepção das necessidades de cada região e aproxima a empresa de seus clientes e parceiros.

O invento de Louis Braille

Louis Braille nasceu em 4 de janeiro de 1809, na pequena cidade francesa de Coupvray, pertencente ao distrito de Seine-Marne, que se situa cerca de 45 quilômetros da cidade de Paris, onde ele faleceu em 6 de janeiro de 1852. Quando nos referimos ao código, escrevemos braile, com apenas um ele. O nome do autor deve ser escrito no original, com dois eles.

A maioria dos indivíduos sabe que as pessoas cegas utilizam um sistema especial de leitura tátil e escrita. Mas o que ninguém poderá deixar de saber é que esse sistema tem o nome de seu inventor – Louis Braille que é hoje profundamente distinguido por sua criação.

A sua história é a de um homem que conseguiu muito lentamente o reconhecimento do valor de sua obra. Durante a maior parte da vida de Louis Braille o seu sistema só foi conhecido na escola onde ele estudou e foi professor. As pessoas relutaram muito em mudar os métodos insatisfatórios usados para educar as pessoas cegas. Frase de Louis a seu pai: “Sem livros o cego não pode aprender”.

Foi somente no fim da vida de Braille que o uso do sistema que ele inventou começou a expandir-se. E mesmo assim, a significância de sua realização permaneceu obscura para o mundo durante muitos anos. As dificuldades que ele enfrentou em seus estudos o levaram, desde cedo, a preocupar-se com a possibilidade de criação de um sistema de escrita. O interesse de outras pessoas, como Barbier, ofereceu uma série de oportunidades para que Louis Braille criasse o seu sistema. (Instituto Ethel Rosenfeld e Agência Amazônia).



Aug
25
Filed Under (Danos e crimes ambientais) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Órgãos de fiscalização ambiental do Estado e da Prefeitura já multaram 499 pessoas e empresas neste ano por infrações ambientais. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) emitiu 369 multas e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) expediu 130 autos de infração com multas.

Os órgãos não informaram quanto foi arrecadado com o pagamento das multas. Segundo o Ipaam, o valor de cada autuação pode ser alterado depois de a multa ser emitida. Cada procedimento gera um processo no qual o infrator pode apresentar sua defesa e, em alguns casos, reverter ou diminuir o valor.

Ao todo, o Ipaam emitiu 288 autuações nos primeiros meses deste ano. Além das multas, o instituto efetuou 158 autuações somente com a penalidade de advertência. A estatística inclui infrações ambientais e também as irregularidades constatadas pelas Gerências de Monitoramento e Licenciamento Ambiental do órgão.

Notificações

A Semma emitiu 3.780 notificações. A maioria das denúncias que resultaram em notificações foi por poluição sonora. Além das 369 multas, a secretaria expediu 116 autos de interdição. De acordo com a Semma, inicialmente, quando é constatada uma irregularidade, a Fiscalização emite uma notificação. Caso o infrator não se regularize, a secretaria multa e pode até interditar o local ou o empreendimento que está irregular.

Os infratores também podem assinar um Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental (Taca), que é um acordo no qual o infrator pode reduzir em até 90% o valor cobrado. “Cerca de 40% dessas multas são atenuadas com a aplicação de penas alternativas”, explicou a secretária da Semma, Luciana Valente.

Os ônibus da Escola Itinerante do Meio Ambiente e as barracas usadas por vendedores na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, foram obtidas por meio de Tacas. Todo o dinheiro arrecadado com o pagamento das multas aplicadas pelo Ipaam e pela Semma é direcionado aos fundos estadual e municipal de meio ambiente.

Multas

As multas recolhidas pelo Ipaam vão para o Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema). Os recursos são usados em ações de proteção e conservação do meio ambiente no Estado. O Fema é vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).

As multas arrecadadas pela Semma vão para o Fundo Municipal do meio Ambiente (FMMA), que também é o responsável por aplicar os recursos em proteção do meio ambiente em Manaus.



As Nações Unidas apresentaram ontem um novo relatório que identificou a Índia, Paquistão, Afeganistão e Indonésia como os “hotspots” para as alterações climáticas, ou seja, os países mais vulneráveis à seca, inundações e ciclones nas próximas décadas, como efeito do sobre-aquecimento do planeta.

O estudo, encomendado pelo Gabinete da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA, sigla em inglês) e pela organização não governamental CARE, analisou as possíveis consequências do sobre-aquecimento global para os próximos 20 a 30 anos.

“As alterações climáticas vão dificultar muito e podem pôr em risco os esforços para gerir os desafios” políticos, sociais, demográficos, económicos e de segurança, comenta Charles Ehrhart, um dos autores do relatório.

Os autores esperam que identificando os “hotspots” do planeta os líderes mundiais actuem e modifiquem as suas estratégias, de forma a que levem em conta os novos riscos apresentados pelas alterações climáticas.

Na quinta-feira arrancou em Accra, no Gana, uma reunião da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. O evento, de sete dias, é o último de uma ronda de negociações da ONU para debater o futuro do combate contra as alterações climáticas, que deverá terminar numa cimeira para o próximo ano em Copenhaga, Dinamarca.



Pequim, cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2008 que terminam neste domingo, estuda estabelecer de forma permanente as limitações do uso de carros impostas para reduzir a poluição, informou a imprensa oficial.

Embora não exista um planejamento concreto para prolongar as medidas, que reduziram em pelo menos um milhão o número de veículos circulando pea capital chinesa, a questão merece ser estudada, afirmou um alto funcionário, segundo o jornal China Daily.

“A norma afeta o cotidiano de todos. Queremos ouvir o que a opinião pública tem a dizer sobre o clima e sobre se estas regras devem ser mantidas”, declarou Wang Li, vice-diretor da administração de tráfego de Pequim.

Na mais recente medida estabelecida para tentar tornar o ar de Pequim um pouco mais respirável para os Jogos, a prefeitura implantou o rodízio de veículos particulares, que foi bem recebido pela população.

As restrições, assim como o fechamento de uma centena de fábricas altamente poluentes e de várias obras em construção, foram um sucesso absoluto, segundo as autoridades.

Pequim respirou o ar mais limpo da última década durante o mês de agosto. A qualidade do ar passou de “muito boa” para “excelente” desde que os Jogos começaram, afirma o China Daily.

“A qualidade do ar da cidade foi muito satisfatória durante os Jogos nas últimas duas semanas”, disse por sua vez Ivo Allegrini, especialista italiano em poluição, citado pelo China Daily.



Aug
23
Filed Under (Aquecimento Global) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

himalaia 300x200 Aquecimento global ameaça as importantes reservas de água do Himalaia

A mudança climática ameaça seriamente as reservas de água da região do Himalaia, colocando em perigo a subsistência de 1,3 bilhão de pessoas, afirmaram os especialistas reunidos em Estocolmo por ocasião da Semana Internacional da Água.

A região montanhosa do Himalaia, que abriga geleiras, e a zona de permafrost (camada de gelo permanente), as maiores do mundo depois das regiões polares, experimentaram nos últimos anos um degelo progressivo e uma mudança espetacular no que diz respeito a precipitações, lamentaram.

“As geleiras do Himalaia desaparecem mais rápido do que no resto do mundo”, afirma Mats Eriksson, do programa de gestão da água do Centro Internacional do Desenvolvimento Integrado das Montanhas.

Apesar das grandes altitudes, da distância e da difícil cooperação entre os países da região complicarem os estudos do fenômeno, Eriksson acha evidente que “a região está sendo especialmente afetada pela mudança climática”.

“O retrocesso das geleiras é enorme, de até 70 metros ao ano”, precisou.

Xu Kinchu, que dirige o Centro para Estudos do Ecossistema Montanhoso na China, também assegurou que a mudança climática está devastando o Himalaia, enfatizando, por exemplo, que as temperaturas da montanha tibetana aumentaram 0,3 grau por década, “o dobro da média mundial”.

É difícil quantificar as repercussões nas reservas de água, mas o impacto é real na região em que as geleiras e a neve fornecem 50% da água que desce pelas montanhas e que alimenta nove dos maiores rios da Ásia.

O Himalaya, conhecido como o “Teto do Mundo”, se estende através da China, Índia, Nepal, Paquistão, Mianmar, Butão e Afeganistão. A cordilheira montanhosa representa uma fonte importante de água para uma das regiões mais povoadas do planeta, com cerca de 1,3 bilhão de pessoas segundo um censo oficial.

“A neve e o gelo se fundem proporcionando uma importante fonte de água fresca para a irrigação, energia e o consumo”, explica Xu.

As geleiras têm uma capacidade enorme para conservar a água. Desta maneira, se o nível de água aumenta à medida que o gelo se funde, a longo prazo, o desaparecimento das geleiras reduzirá a água disponível.

Paralelamente ao degelo, os cientistas observaram que em muitas zonas do Himalaia há mais chuva no período das monções e menos em épocas secas.

“As regiões mais secas ficam mais secas e as mais úmidas mais úmidas”, resume Rakhshan Roohi, cientista do Instituto de Pesquisas de Recursos Água do Paquistão.

Além disso, com as condições climáticas incertas para as colheitas, que provocaram a migração de pessoas em busca de meios de subsistência alternativos, os agricultores enfrentam cada vez mais desastres naturais como cheias de rios e transbordamento de lagos.



Aug
23
Filed Under (Resíduos) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo está programando para o dia 8 de outubro mutirão ambiental para recolher pilhas e baterias de carro e de uso em eletroeletrônicos. A campanha, intitulada “Recicle não descarte essa idéia”, deverá ter cinco pontos de coleta em Rio Claro. Os órgãos oficiais ainda estão definindo os detalhes da campanha. Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, mais informações serão divulgadas a partir da primeira semana de setembro.

Muitas pessoas têm dúvida do que fazer com baterias de celulares, pilhas e outros itens, por não saberem se podem ser descartadas no lixo comum.

De acordo com o diretor de resíduos sólidos da Sepladema (Secretaria Municipal de Planejamento, Desenvolvimento e Meio Ambiente), Luiz Antônio Seraphim, as pilhas comuns podem ser jogadas junto ao lixo doméstico, porém, desde que na embalagem tenha um desenho explicando a maneira de descarte sem um X.

O mesmo vale para as baterias de uso doméstico, assim, os consumidores devem observar na embalagem qual a recomendação. Caso tenha um X, não poderá ser descartada no lixo comum e deverão ser devolvidas na loja onde foram compradas, para que sejam encaminhadas ao fabricante.

Conforme Seraphim, a legislação não é clara sobre esta questão. “O gerador tinha a obrigação de recolher e dar a destinação correta, mas na legislação não há nada específico sobre isso. A legislação fala que o gerador é o responsável, mas ainda não está bem definido de que maneira deverá ser feito”, explica.

O diretor destaca que o aterro sanitário de Rio Claro obedece projeto da Secretaria do Meio Ambiente e é aprovado pelos órgãos ambientais. As pilhas são especificadas como Resíduo Classe 2, neste caso, podem ser jogadas no aterro. O local possui uma manta de impermeabilização e compactação de argila. “Há toda uma técnica para impermeabilização que garante que nada passe e contamine o lençol freático”, salienta Seraphim.



A vegetação nativa do noroeste paulista sofreu, nas últimas décadas, com altos índices de degradação ambiental. Ainda assim, continuam significativas na região as populações de carnívoros como jaguatiricas (Leopardus pardalis) e lobos-guará (Chrysocyon brachyurus).

As duas espécies, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), estão ameaçados de extinção. Um dos principais desafios dos responsáveis pelo manejo ambiental na região é a dificuldade de adaptação desses animais às novas paisagens agroflorestais da região, cada vez mais fragmentadas.

A conclusão é dos biólogos Maria Carolina Lyra-Jorge e Giordano Ciocheti em pesquisa desenvolvida no Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação (LEPaC), vinculado ao Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho foi publicado na revista Biodiversity and Conservation.

A região noroeste de São Paulo perdeu cerca de 60% da vegetação original entre 1962 e 1992. O que sobrou foi um mosaico de floresta, cerrado e áreas cultivadas, sobretudo cana-de-açúcar e eucaliptos. Em trabalho de campo, os pesquisadores identificaram dez espécies de carnívoros, entre felinos e canídeos, em 18 meses de coleta de dados.

Do total de espécies encontradas, quatro estão ameaçadas de extinção: onça-parda (Puma concolor), jaguatirica (Leopardus pardalis), gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus) e lobo-guará (Chrysocyon brachyurus).

- Registramos cerca de 130 animais em 18 meses. É um número alto, considerando que os pontos de coleta de dados não tinham nenhum tipo de isca ou atrativo artificial. A idéia foi trabalhar com a freqüência espontânea dos animais – diz Ciocheti.

Câmeras e canteiros

O trabalho, orientado pela professora Vânia Regina Pivello, do Departamento de Ecologia do Instituto Biológico, envolveu uma área agroflorestal de 50 mil hectares nos municípios de Santa Rita do Passa Quatro e Luís Antônio, onde foram espalhadas 21 câmeras fotográficas para o registro dos bichos e mais 21 canteiros de areia para o registro de pegadas dos animais.

O critério de distribuição levou em conta a área total das diferentes classes de vegetação amostradas, entre as quais estão o cerradão, o cerrado em sentido estrito, a floresta semidecídua e a monocultura de eucalipto. Os autores verificaram que os carnívoros encontrados na região têm utilizado a paisagem alterada pelo homem no interior paulista de maneira flexível. Uma adaptação a mudanças ambientais que causou surpresa aos pesquisadores.

Ciocheti observou um número elevado de jaguatiricas se locomovendo pelos eucaliptais para alcançar outros fragmentos florestais. Foram identificados também lobos-guará que morreram por causa da fumaça da queimada da cana-de-açúcar, recurso ainda usado para a colheita. Outra causa de morte é o atropelamento em pequenas estradas próximas às plantações de cana e eucalipto.

Outras espécies que circulam na área estudada são jaritataca (Conepatus semistriatus), quatis (Nasua nasua), guaxinins (Procyon lotor), cangambás (Mephitis mephitis) e iraras (Eira barbara).

Segundo os pesquisadores, em relação à diversidade das espécies encontradas não foram verificadas diferenças significativas na ocupação dos fragmentos florestais, de modo que a comunidade carnívora como um todo explorou todas as áreas de estudo, independentemente da cobertura vegetal.

O estudo aponta ainda que as plantações de monoculturas conectam trechos de vegetação original permitindo, assim, a sobrevivência das espécies e a melhor locomoção dos indivíduos. Mas quando há corte de eucalipto, por exemplo, a cada cinco anos, a paisagem fica isolada. Com isso, os animais podem habitar apenas um fragmento de vegetação, correndo o risco de exaurir os recursos naturais.

Giordano Ciocheti afirma que a idéia da pesquisa é chamar a atenção para a necessidade de parcerias entre o meio científico, as empresas agroindustriais e os órgãos estaduais para a criação de mais áreas de proteção ambiental. Também para que o manejo dessas áreas agrícolas tenha o menos impacto possível, diminuindo o risco de mortalidade dos animais.

Os dados coletados serviram como base para a dissertação de mestrado de Ciocheti e para a tese de doutorado de Maria Carolina, defendidas recentemente no Instituto de Biociências da USP.