O mais recente relatório sobre a qualidade dos rios de São Paulo, elaborado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), trouxe preocupação à população dos municípios da Bacia do Médio Tietê e integrantes do grupo de trabalho que estuda alternativas para o risco de desabastecimento de água para a macrometrópole paulista, formada pelas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista. A cada ano, a concentração de poluentes no Rio Tietê é maior e com um agravante — de que a contaminação alcança, cada vez mais, regiões antes consideradas “livres”.
A Cetesb mantém sete pontos de monitoramento no Tietê e seus reservatórios. Em cinco deles, inclusive à jusante do Reservatório de Barra Bonita, área anteriormente considerada “livre”, a qualidade das águas foi considerada entre média ruim e média péssima. “Em Barra Bonita, já não é em qualquer lugar que se pode captar água para abastecimento público. Até podemos captar, mas os custos com o tratamento de alta qualidade que essa medida vai exigir não são viáveis”, disse o assessor da Secretaria de Estado de Saneamento e Energia, Rui Brasil Assis.
Nas medições, foram encontrados poluentes domésticos e industriais, e baixas concentrações de oxigênio, chegando próximas a zero em meses como janeiro, maio, julho e setembro. Em um dos pontos de monitoramento do rio, foram verificadas concentrações de chumbo e cádmio que ultrapassaram o limite estabelecido pela legislação. “A piora na qualidade das águas do Médio Tietê foi afetada pelas cargas poluidoras oriundas tanto da sua bacia de contribuição quanto das provenientes da Região Metropolitana de São Paulo”, disse um dos técnicos da Cetesb responsável pelo relatório, o engenheiro Paulo Katayama, da coordenadoria de Saneamento.