O Ministério do Meio Ambiente anuncia nesta sexta-feira uma lista de 90 pessoas e empresas que serão processadas na Justiça Federal por desmatamento ilegal da Amazônia. As ações vão cobrar multas e exigir a recuperação de áreas em que o Ibama flagrou a derrubada ilegal de árvores. Já os assentamentos do Incra, que lideram o ranking dos desmatadores, terão as multas convertidas em serviços ecológicos.
A nova relação inclui nomes que já apareceram na lista dos 100 maiores devastadores da floresta, divulgada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na semana passada. Como os processos serão ajuizados na área cível, os responsáveis pela devastação não correm risco de prisão por crime ambiental. A abertura de processo penal depende de iniciativa do Ministério Público.
Entre as pessoas que o governo quer levar para o banco dos réus, estão dois fazendeiros de Mato Grosso que apareceram na lista de semana passada. Ivo Vicentini é apontado como responsável pela devastação de 5.300 hectares de floresta nos municípios de Feliz Natal e Sinop e deve ser multado em R$ 7,95 milhões. Para Nei Francio, que teria devastado 7.700 hectares em Feliz Natal e Vera, a multa será de R$ 11,55 milhões. Ambos também estão no cadastro de áreas embargadas pelo Ibama por crime ambiental.
Também será processada a Agroamazônia Produtos Agropecuários Ltda, que teve três áreas embargadas pelo Ibama. A empresa não apareceu na lista divulgada semana passada, mas, segundo informou Minc, teria desmatado ilegalmente uma área de 10.500 hectares nos municípios de Cuiabá e Paranatinga - o que, pelos cálculos da pasta, renderá uma multa de R$ 15,75 milhões. Isso seria o suficiente para incluir a empresa em nono lugar entre os cem maiores desmatadores da Amazônia.