Um estudo realizado pela ONG Conservação Internacional (CI-Brasil) revela que o cumprimento do código florestal não é suficiente para preservar pelo menos 25% das espécies do Cerrado. Segundo a pesquisa, divulgada ontem durante o II Encontro Internacional sobre Savanas Tropicais, organizado pela Embrapa, em Brasília, pelo menos 340 espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios do Cerrado correm risco de extinção caso a responsabilidade da conservação recaia somente sobre os proprietários rurais da região. Mesmo que todos eles cumpram o determinado pela legislação ambiental,como a manutenção de pelo menos 20% da propriedade como reserva legal, váriasespécies podem ser perdidas.
Segundo , diretor do programaCerrado-Pantanal da CI-Brasil, além do cumprimento do código florestal pelosproprietários rurais, é preciso que regiões importantes para a biodiversidadetambém sejam protegidas para a manutenção da biodiversidade do Cerrado. Semelas, de acordo com Machado, o desenvolvimento econômico ocorrerá de maneira insustentável uma vez que espécies da fauna e da flora que desempenham um importante papel na manutenção do clima, na proteção dos solos, dos rios e de suas nascentes ou na polinização de cultivos e no combate de pragas irão desaparecer. “Somente a manutenção de áreas determinadas pela lei não garante a sustentabilidade do agronegócio”, diz Machado, um dos autoresdo estudo. “O esforço privado deve ser acompanhado da criação, daimplantação e da manutenção de reservas públicas destinadas à conservação da biodiversidade”, avalia.
Uma das alternativas para a exploração econômica sustentável do Cerrado, segundo , gerente do programa Cerrado-Pantanal da CI-Brasil e co-autor do estudo, é manter as áreas nativas e intensificar aprodução nas áreas produtivas. “Sistemas otimizados de produção, empregode tecnologias de ponta e o manejo racional de paisagens são as açõesnecessárias para que se alcance o uso sustentável dos recursos naturais”,diz. Barroso explica que é imprescindível a união de esforços públicos eprivados para a manutenção da biodiversidade do Cerrado.
Planejamento sustentável – O estudo foi realizado com base nos princípios da Biogeografia de Ilhas, que estabelece uma relação matemática entre o tamanho de áreas nativas e a quantidade de espécies que elas podem manter. Segundo Barroso, o levantamento revela que é impossível manter todas as espécies e suas populações em condições saudáveis quando a maior parte da vegetação nativa é suprimida para dar lugarao avanço do agronegócio. “É preciso fazer mais do que a leiprevê”, diz.
Machado explica que o Brasil já tem mapeado quais são as áreas importantes para a conservação da biodiversidade. Segundo ele, bastaria cruzar esse mapa com o mapa de regiões economicamente importantes para que se avalie, de um lado,quais são as oportunidades de conservação existentes e, de outro, quais seriamas áreas produtivas que podem ser consolidadas. “No caso de conflitos, ou seja, de áreas importantes tanto para a conservação quanto para a produção,novos modelos de desenvolvimento que sejam menos agressivos e mais sustentáveis devem ser pensados”, conclui.