Desmistificando o papel de vilão dos combustíveis fósseis na emissão de gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa, a mestre em Direito Ambiental e consultora da Axia Ambiental Larissa Schimidt explicou nesta sexta-feira (24/10) que 75% das emissões de gases poluentes no Brasil vêm de atividades ligadas à agricultura.

Ela ministrou a palestra “Aquecimento Global - Adaptação ou Mitigação” durante o IV Seminário Internacional de Direito, Águas, Energia, Aquecimento Global e Seus Impactos na Agricultura e o V Seminário de Águas do Mato Grosso do Sul, na Assembléia Legislativa.

“O Brasil está lá atrás quando se fala em emissão por queima de combustíveis fósseis, mas é o quarto ou quinto País do mundo na emissão relacionada ao uso da terra”, disse Larissa.

Segundo ela, investimentos históricos equivocados contribuíram para a degradação ambiental, sobretudo na Amazona e no Cerrado. Lembrou que tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa alterar o artigo 225 da Constituição, reconhecendo o cerrado e a caatinga como Patrimônios Históricos Nacionais.

“O não reconhecimento, na elaboração da Constitução, comprova que não havia na época qualquer preocupação com essas áreas. Mas a partir desse reconhecimento, esperamos que sejam executadas ações mais concretas em favor do meio ambiente”, afirmou a consultora.

Larissa alertou que 90% das ações predatórias que resultam no efeito estufa têm o homem como agente. “O aquecimento global, já em curso, terá um ciclo de agravamento preocupante até 2050, por isso as ações preventivas devem ser tomadas o quanto antes na intenção de minimizar os efeitos”, disse.

Entre as medidas consideradas urgentes, ela aponta a intensificação da fiscalização de ações ilegais, como queimadas e desflorestamento. “Não temos problemas com a legislação brasileira, que é muito boa, mas falta reforçar o combate às ações ilegais”, ressaltou.



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