As manchas de óleo que atingiram os mares e praias do sul do Estado estão se tornando menores, de acordo com informações dadas ontem pela assessoria do Instituto do Meio Ambiente (IMA). O problema, causado por um produto conhecido como borra de piche, liberado por navio em alto-mar e carregado pela correnteza, afetou a Praia de Guaibim, em Valença (a 262 km de Salvador), e tomou proporções maiores anteontem, quando atingiu praias em Ilhéus e Itacaré.
Em Ilhéus, a situação já está sob controle, mas em Itacaré o óleo ainda está presente, prejudicando o meio ambiente. O produto está sendo removido pela Petrobras, cuja assessoria adverte que nada tem a ver com o incidente. A Petrobras foi acionada por ter equipamentos adequados para remover a mancha dos locais atingidos.
A diretora do IMA, Beth Wagner, observa que a borra recolhida das praias foi acondicionada em tonéis e encaminhada para análise no centro de pesquisa da Petrobras no Rio de Janeiro, onde será investigado o tipo de material, o que pode ajudar na descoberta da sua origem. Ela salienta, porém, que não será possível identificar o navio e qual a bandeira a que pertence, porque o derramamento ocorre em alto-mar e as correntes marinhas levam o óleo para várias áreas.
Em Ilhéus, as manchas não são mais visíveis na costa. O gerente de fiscalização ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Júlio Gomes, destaca que, assim que houve conhecimento do fato, eles tomaram providências para a retirada do material. A operação ocorreu em parceria com a Secretaria de Serviços Urbanos do município. “Promovemos a limpeza das praias e vamos monitorar até segunda-feira toda a área. O material recolhido está armazenado no parque de operações da prefeitura para análise pelos órgãos ambientais”, comenta Júlio.
A ação em Ilhéus, informa Beth Wagner, aconteceu em parceria com o Ibama, prefeitura e técnicos da unidade local do IMA , quando foram recolhidos 2 m³ de óleo. A denúncia do produto em Ilhéus foi feita pela Associação Pró-Vida Silvestre, uma ONG ambiental, na sede do Ibama e comunicada à Linha Verde do Ibama-DF e à Petrobras.
O diretor da ONG, Paulo Paiva, destaca que é necessário que o acidente seja devidamente investigado. “O óleo foi completamente removido, mas isto não é suficiente. Sua origem ainda não foi apurada. No momento em que o governo pretende implantar um Complexo Portuário e a Petrobras deseja instalar plataformas de exploração neste litoral, conhecer todos os fatores relacionados a tal acidente poderá nos ajudar a prevenir desastres ecológicos no futuro. Não existe nenhum vestígio do óleo na praia da Avenida Soares Lopes, mas essa situação nunca antes ocorrida causa preocupação e reflexão”.
É inacreditável, que uma coisa destas possa ter acontecido