Archive for October, 2008

Oct
28
Filed Under (Energia) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

São plantas microscópicas, que pululam nos oceanos, nos lagos e nos rios. Elas crescem em decorrência do processo de fotossíntese e, para tanto, não precisam de quase nada, apenas de sol, de água e de gás carbônico. Sobretudo, elas são ricas em lipídios. . . Por todas essas razões, as microalgas talvez constituam a principal reserva existente dos biocombustíveis que serão utilizados no futuro.

Os biocombustíveis de primeira geração, que são extraídos dos vegetais terrestres - milho, trigo, beterraba e cana-de-açúcar para a produção do bioetanol; colza, soja e girassol para o biodiesel - já não gozam mais do prestígio que tinham pouco tempo atrás. Isso se deve ao fato de que eles entraram em concorrência com as culturas de gêneros alimentícios, além de constituírem uma das causas principais dos desmatamentos e da deterioração dos solos.

Já, os biocombustíveis de segunda geração, que valorizam a totalidade das plantas - madeira, folhas, palha, resíduos agrícolas -, prometem ser mais vantajosos. Contudo, no que diz respeito à categoria mais avançada desta geração, que visa a produzir bioetanol a partir da celulose e da linina da madeira (uma substância orgânica também chamada de acromatina que impregna as células, as fibras e os vasos da madeira), os rendimentos que foram obtidos até agora permanecem reduzidos; além disso, os seus custos seguem elevados e as tecnologias empregadas, complexas.

Com isso, a alternativa mais promissora poderia provir das microalgas, que já foram qualificadas pelos cientistas como fonte de biocombustíveis de terceira geração. “A produção em grande escala de biodiesel a partir de algas vai acontecer muito mais rapidamente do que imaginam”, prevê Juan Wu, da sociedade de consultoria em biotecnologias Alcimed. Este especialista acredita que a sua comercialização seja possível “dentro de três a seis anos, e com um preço competitivo em relação ao diesel produzido a partir do petróleo”.

Já, o responsável do programa de pesquisas francês Shamash - do nome da divindade solar do império da Babilônia -, Olivier Bernard, do Instituto Nacional de Pesquisas em Informática e em Automatismo (cuja sigla em francês é Inria), com sede em Sophia Antipolis (sudeste), se mostra mais prudente a respeito do biocombustível a base de algas. “Em teoria, o potencial das microalgas é enorme e justifica os meios importantes que lhes são dedicados no plano da pesquisa. Contudo, nós ainda não passamos do estágio do laboratório”, pondera. “Ainda falta muito para que uma produção em grande escala possa ser iniciada. Isso só irá ocorrer dentro de pelo menos cinco anos, e mais provavelmente dentro de dez anos”.

Petrosun, o pioneiro americano
Muitos pesquisadores e industriais estão voltando as suas atenções para esta nova jazida de energia. Uma centena de projetos já foi deslanchada não só nos Estados Unidos, como também na Austrália, na China ou em Israel. Na Europa, cerca de quinze programas de pesquisas estão sendo desenvolvidos. Um dos pioneiros, a companhia americana Petrosun, anunciou no segundo trimestre deste ano a criação, em Rio Hondo (Texas), de uma fazenda de microalgas marinhas, instalada numa superfície de 450 hectares de lagoas de água marinha, e de outra fazenda similar, perto do golfo do México, de 1.100 hectares.

A sociedade israelense Algatech, que vem elaborando desde 1999, no deserto do Neguev, derivados de algas para fins medicinais e alimentícios, já está se preparando para produzir um combustível à base de algas. Por sua vez, a GreenFuel, uma empresa fundada por engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT), já está comercializando sistemas de cultura das algas. As companhias petroleiras Shell e Chevron também resolveram lançar-se nesta aventura. Inúmeras empresas start-up estão florescendo no mercado. Nelas, importantes investidores de capital de risco andaram injetando milhões de dólares. . .

“As microalgas podem acumular entre 60% e 80% do seu peso em ácidos gordurosos”, explica Olivier Bernard. Isso permite esperar uma produção anual, por hectare, de cerca de trinta toneladas de óleo. Ou seja, um rendimento trinta vezes superior ao das espécies oleaginosas terrestres como a colza. Contudo, ainda falta muito para que os procedimentos de fabricação sejam totalmente dominados.

Entre as várias centenas de milhares, e até os milhões de espécies de microalgas presentes na natureza, nem todas revelam ser tão promissoras. Portanto será preciso selecionar - ou obter por maio de manipulação genética - as variedades cujo crescimento for mais rápido e aquelas que se mostrarão mais aptas a armazenarem lipídios. Então, numa segunda etapa, os pesquisadores deverão comparar o desempenho de diferentes formas de cultura, seja dentro de piscinas de água do mar ou de água doce; ou ainda no interior de aquários fechados - chamados de foto-bioreagentes -, que evitam que as culturas sejam contaminadas por outros microorganismos e permitem controlar a fotossíntese de maneira mais eficiente, mas que também custam mais caro.

Então, será necessário encontrar a melhor equação biológica para modificar o metabolismo das algas e “carregá-las” com ácidos gordurosos, submetendo-as a certos tipos de stress - tais como uma carência em nitrogênio - e dopando-as com CO2. Este último processo, a razão de cerca de 2 kg de gás carbônico para 1 kg de matéria vegetal, poderia ser utilizado para reciclar resíduos industriais. Por fim, ainda será necessário elaborar um processo eficiente de extração do óleo armazenado por essas plantas minúsculas. Com efeito, o método atual, por meio de centrifugação, secagem e uso de um solvente orgânico, requer grandes quantidades de energia. E para concluir, será então possível transformar este óleo em combustível diesel.

Vale dizer que enormes progressos ainda estão por serem realizados, até que o “ouro verde” das microalgas ponha um motor de carro para funcionar.

Uma severa advertência da FAO em relação aos biocombustíveis
Em seu relatório anual sobre a alimentação mundial, que foi publicado no início de outubro, a Organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura (FAO) incluiu uma severa advertência no que diz respeito aos biocombustíveis. Ela fez um apelo aos países da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos, que conta 30 países-membros) para que estes operem uma revisão das suas políticas energéticas e das subvenções que eles alocaram para a produção de biocombustíveis. Essa mudança das metas destina-se a manter o objetivo de segurança alimentar mundial e a garantir um meio-ambiente sustentável.

“As oportunidades para os países em desenvolvimento de tirarem um melhor proveito da demanda de biocombustíveis seriam favorecidas pela supressão das subvenções agrícolas e das barreiras comerciais que criam um mercado artificial e que beneficiam atualmente apenas aos produtores dos países da OCDE, em detrimento dos países em desenvolvimento”, denunciou Jacques Diouf, o diretor-geral da FAO.

Ao alertar para o fato de que a produção de biocombustíveis mais que triplicou entre 2000 e 2007, e que ela deveria continuar aumentando no decorrer da próxima década, o que deverá provocar aumentos dos preços dos gêneros alimentícios, a FAO insiste, em seu relatório, para que os países da OCDE procurem reduzir os riscos e compartilhem melhor as vantagens proporcionadas pelos biocombustíveis.



Oct
28
Filed Under (Outros, Política Ambiental) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Amazônia não se tornará um zoológico ambiental, para turistas europeus e americanos usufruírem suas férias. A Amazônia tampouco será vítima de processos de exploração predatória, que podem vir a destruir um dos mais ricos ecossistemas do planeta. Um meio-termo deverá ser encontrado, em que haverá a preservação do meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e a incorporação de populações carentes ao processo produtivo. Neste sentido, merece especial atenção o Projeto Preservar, do Instituto Alerta Pará, que propõe o desmatamento zero, com a plena utilização dos recursos da região, de tal maneira que a preservação da natureza seja acompanhada do desenvolvimento econômico e social. Seria uma forma de esta região do País sair do impasse em que se encontra, como se não houvesse uma terceira alternativa, que harmonizaria a ocupação humana da natureza e sua sustentabilidade. Os fundamentalistas, de que lado forem, deveriam abandonar a cena.

Recentemente, vimos dois órgãos do Estado, Ibama e Incra, digladiando-se sobre o desmatamento da Amazônia. Felizmente, o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente decidiram levantar o véu da ação dos assentamentos, apresentados como responsáveis, dentre os primeiros, pelos desmatamentos, segundo o último relatório publicado. Tais questões estavam encobertas graças a um discurso de tipo ideológico, como se os assentados fossem, por princípio e contra todas as evidências, preservadores naturais do meio ambiente. A realidade é bem outra. É, no entanto, igualmente necessário que as populações desassistidas, sem condições, sejam contempladas, e não abandonadas, pois, aí sim, o desmatamento poderá tornar-se inevitável. Nesta perspectiva, os interesses dos que produzem - assentados, agricultores familiares, produtores rurais, empresas do agronegócio e da mineração - deveriam estar coordenados dentro de uma política comum de desenvolvimento, capaz de vencer os ranços ideológicos que têm obstaculizado uma discussão para todos proveitosa.

O Projeto Preservar apresenta uma proposta inovadora. Ele advoga pelo desmatamento zero por meio de um novo zoneamento ecológico-econômico, que poderia utilizar as áreas já desmatadas, reconvertendo-as a novas culturas, graças ao emprego intensivo de meios tecnológicos e científicos. Seu pressuposto consiste em que não se avançaria no desmatamento de novas áreas, mantendo a floresta em suas condições atuais. Ressalte-se que a floresta amazônica é a mais preservada de todo o planeta, enquanto os europeus, americanos, asiáticos e africanos destruíram, se não a totalidade, a maior parte de suas florestas nativas. O Brasil, o país que mais preservou, não tem por que receber lições de ninguém. Esses outros atores, que comparecem via ONGs, deveriam atentar para as florestas nativas de seus respectivos países.

Eis a proposta. A área territorial do Estado do Pará é constituída por 124,8 milhões de hectares, onde se destacam os seguintes números: 73 milhões de hectares, equivalentes a 58,5% do território paraense, correspondentes a unidades de conservação ambiental, terras indígenas e quilombolas; e 30 milhões de hectares de área antropizada, equivalentes a 24% da área total, incluindo a exploração humana de floresta, campo, cerrado e várzea. A floresta, especificamente, corresponde a 24 milhões de hectares, ou seja, a 19,2% dessa área. No interior da área antropizada haveria a liberação de uma área da pecuária, em torno de 11 milhões de hectares, que se agregariam aos 3 milhões de hectares já em uso pela agricultura. Ou seja, a área de agricultura viria a corresponder a um total de 14 milhões de hectares. Isso se faria pela conversão da pecuária extensiva em intensiva, de alto valor tecnológico, com a conseqüente transferência desses 11 milhões de hectares para o cultivo agrícola. Não haveria nenhuma perda para a floresta nativa.

Um projeto desse tipo teria a vantagem de unir os diferentes atores sociais, econômicos, políticos e ambientais, que se digladiam atualmente na Amazônia e, em particular, no Pará. Assentados poderiam vir a se integrar a uma economia de mercado, agricultores familiares seriam incentivados, os grileiros seriam obrigados a entrar numa relação contratual mediante a regularização fundiária, os produtores rurais teriam o reconhecimento dos anos de trabalho realizado, as empresas perseguiriam o desenvolvimento da região dentro de novos marcos regulatórios e os trabalhadores teriam condições dignas de vida. Não esqueçamos que só o Estado do Pará tem uma população de 7.321.493 habitantes, muitos dos quais em condições precárias.

Isso implica uma série de ações, que vão desde questões institucionais, como revisão e adequação de marcos regulatórios, particularmente os de natureza ambiental, fundiária e trabalhista, até questões de educação ambiental e tecnológica, passando por questões organizacionais, que dizem respeito aos próprios atores desse processo. Torna-se, sobretudo, necessário ter vontade política para levar a cabo tais transformações, que podem vir a ter um real impacto para a Amazônia, começando pelo exemplo oferecido pelo Estado do Pará.

Há uma proposta séria em discussão, que merece ser debatida. Não adianta lutar contra moinhos de vento. A própria soberania do País está em questão e, quanto a isto, não pode haver tergiversação alguma. As mais ricas jazidas minerais se encontram nessa parte do País, com especial destaque para a bauxita, o cobre, o ferro, o quartzo, o ouro, o níquel e o caulim. A importância estratégica e empresarial salta aos olhos. O País vai crescer e se desenvolver, precisando incorporar ao mercado de trabalho populações excluídas, que clamam por trabalho, renda e condições dignas de vida.

A floresta não é um santuário, mas um local de integração com o homem, sempre e quando ela seja preservada. A proposta de desmatamento zero, congelando as atuais áreas, surge como um projeto inovador.

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS.



Oct
28
Filed Under (Lixo Eletrônico, Resíduos) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente promove entre os dia 30 de outubro e 2 de novembro o Mutirão do Lixo Eletrônico. Em Taubaté, os postos de arrecadação são: Parque Vale do Itaim, Rodoviária Nova, Rodoviária Velha, Horto Municipal e no Taubaté Shopping.

Durante os quatro dias, uma urna ficará nos postos de arrecadação para recolher celulares, pilhas e baterias usadas para serem descartados corretamente, evitando danos ao meio ambiente. A expectativa é arrecadar 10 toneladas de lixo eletrônico em todo o Estado.

Entre os dias 3 e 7 de novembro, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente recolherá o material arrecadado.

Com essa ação, que acontecerá simultaneamente em 372 cidades do Estado de São Paulo, a Secretaria pretende adotar ações concretas para evitar a contaminação do solo, das águas e do ar com metais pesados, plásticos e outros resíduos do lixo eletrônico.

Esse lixo, caso não seja descartado adequadamente, segue para os aterros sanitários e pode comprometer, com metais pesados, a qualidade dos mananciais de águas, causando vários tipos de doenças, inclusive o câncer.



Oct
28
Filed Under (Danos e crimes ambientais, Poluição das Águas) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Quase três anos depois de o Ministério Público impedir a destruição das nascentes do Rio Sapata, em Ipitanga, grileiros e pessoas apresentando licenças ambientais emitidas pela Prefeitura de Lauro de Freitas estão queimando a vegetação e aterrando a área encravada no centro do Condomínio Marisol II. O resultado pode ser visto na Lagoa do Flamengo, que é alimentada pelo rio e já apresenta uma visível redução do nível de água. O manancial atravessa o município vizinho e alimenta também o Rio Joanes. O mais grave é que os vizinhos que denunciam o crime ambiental estão sendo ameaçados de morte por prepostos dos responsáveis pela degradação.

No último sábado, fiscais da Prefeitura de Lauro de Freitas estiveram no local, depois que um dos vizinhos denunciou que um dos terrenos que cercam a área das nascentes havia sido incendiado. Duas obras que avançam na direção do canal de água foram visitadas, mas uma delas está parada, e na outra os responsáveis pela construção apresentaram uma licença ambiental. “Quem resolve esse negócio das licenças é o fiscal Pedro, da prefeitura. A senhora conhece ele?”, pergunta o mestre-de-obras Oliveira, que assegura que está tudo legalizado.

Indagado sobre a lâmina de água que cobria o início da fundação, ele admitiu que ela é rasa (prova da existência da nascente), mas assegurou que é preciso cavar 1,35 metro para chegar ao lençol freático. Subindo uma ladeira mais adiante, foi possível comprovar que foi colocado um grande volume de terra vermelha, que, segundo os vizinhos, foi trazido no último sábado para começar o aterro.

O Condomínio Marisol I data da década de 1960, mas a ameaça real às nascentes começaram com a criação do Marisol II. Em 2007, seis caçambas de entulho foram levadas para a parte mais baixa da Rua Engenheiro Carlos Berenhauser, onde fica o manancial cercado por tábuas e com vegetação típica de fontes de água. Segundo o ambientalista Somani Ferraz, da ONG Amil Lagos, o local só foi salvo porque houve denúncias na imprensa.

O diretor do Departamento de Gestão Ambiental de Lauro de Freitas, Marcelo Cerqueira, à época admitiu a agressão e declarou que o Rio Sapata estava sofrendo assoreamento. O Ministério Público Estadual promoveu um termo de recuperação da área degradada com a Prefeitura de Lauro de Freitas.

“A prefeitura deveria ter cercado a área, colocado placas de sinalização e o código do meio ambiente. Mas nada disso foi feito, e o resultado é que os grileiros colocaram gente morando aqui, em barracos improvisados, e eles vêm destruindo a área. Assim, quando quiserem atacar vão dizer que a área já está degradada”, denuncia Somani.

INVESTIMENTO – Os moradores do Conjunto Marisol I buscaram se adequar às regras de proteção ambiental e investiram cerca de R$ 50 mil na canalização de esgotos. Mas a parte da nascente que tentavam preservar também está sendo aterrada pelos grileiros.

A Prefeitura de Lauro de Freitas foi procurada para falar sobre o assunto, mas, devido ao feriado do Dia do Funcionário Público, as repartições não estavam funcionando. O diretor do Departamento de Gestão Ambiental, Marcelo Cerqueira, não foi localizado por meio dos telefones fornecidos pela Secretaria Municipal de Comunicação.



Oct
27
Filed Under (Agricultura, Agricultura Orgânica) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

A Copa do Mundo de 2014 pode representar uma oportunidade-chave para a agricultura orgânica nacional. Por isso, empresários e agricultores do setor vão pedir à organização do evento e ao governo federal a inclusão dos alimentos ambientalmente sustentáveis no cardápio que será servido durante o encontro esportivo.

As informações são de Maria Beatriz Costa, uma das organizadoras das feiras BioFach América Latina e ExpoSustentat, que estão sendo realizadas na capital paulista. Segundo ela, um grupo para negociar a possibilidade com as autoridades será lançado no próximo sábado.

“Seria um avanço e tanto para o setor. O governo federal já mostrou que está do lado dos produtores. Vamos negociar a inclusão”.

Outro assunto em debate no encontro será a inclusão de alimentos orgânicos na merenda escolar e o papel das merendeiras no processo.

“As merendeiras têm um papel fundamental neste processo. Elas poderiam começar isso fazendo hortas nas escolas e usando hortaliças e temperos orgânicos produzidos ali mesmo” destacou a organizadora.

Segundo ela, as iniciativas podem disseminar o consumo dos orgânicos produzidos no país, estimado em US$ 700 milhões (R$ 1,6 bilhão) por ano. Atualmente, cerca de 70% da produção nacional do segmento é exportada, fazendo do Brasil o responsável por cerca de 1,75% do mercado mundial de orgânicos que movimenta US$ 40 bilhões (R$ 92 bilhões) anualmente.

Na avaliação de Maria Beatriz, o mercado brasileiro vem crescendo muito, em média 20% por ano, mas especialistas do setor acreditam que só a promoção dos orgânicos pode fazer com que os produtos sejam comercializados no Brasil em proporções semelhantes às registradas na Alemanha, que tem um dos mercados mais desenvolvidos nessa área.

Para Ming Chão Liu, gerente do projeto Organics Brasil, que auxilia na adequação dos produtos brasileiros para exportação, o consumidor precisa entender o que existe por trás da produção dos orgânicos:

“Comprometimento com recursos naturais, com o não-desperdício e com a valorização do trabalho” disse. “Os orgânicos nunca serão mais baratos que os produtos convencionais, mas podem ser uma alternativa para boa parte da população”.



Oct
27
Filed Under (Aquecimento Global) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

A partir de hoje, dezenas de produtores rurais do interior de São Paulo poderão se transformar em “guardadores” da Mata Atlântica.

Eles serão convidados pela ONG Iniciativa Verde a aderir ao programa Carbono Seguro, o primeiro do mundo a criar reservas de carbono em áreas até então destinadas à pecuária leiteira. A atividade é responsável por boa parte do desmatamento deste importante bioma. O objetivo do programa – patrocinado pela Caixa Capitalização – é reverter esse quadro, transformando o produtor em aliado do meio ambiente.
“Vamos oferecer a dezenas de pequenos produtores a possibilidade de arrendar sua terra à preservação da floresta e não aos pastos”, explica Francisco Maciel, diretor-presidente da ONG Iniciativa Verde. “Pagaremos o mesmo valor que ele receberia  caso arrendasse um pasto à atividade pecuária. A quantia dependerá do tamanho da área a ser preservada e será repassada durante 30 anos, dando mais tranqüilidade e segurança à família do produtor”.

Neste primeiro momento, o programa Carbono Seguro preservará 17 hectares de floresta – o equivalente a 34 campos de futebol. A criação das reservas de carbono será realizada com recursos provenientes da venda de um novo título da Caixa Capitalização, primeira empresa a investir na iniciativa. “Estamos apostando nesse projeto, pois acreditamos que a melhor maneira de cuidar do futuro do planeta é investindo na preservação do meio ambiente”, afirma Thierry Claudon, presidente do Grupo Caixa Seguros, do qual a Caixa Capitalização faz parte.

Biodiversidade - Além de ajudar a reduzir os impactos do aquecimento global, as reservas do programa Carbono Seguro incentivarão a adoção de um novo modelo sustentável de desenvolvimento na Mata Atlântica. A preservação das árvores e das espécies de animais da região, também melhorará a qualidade das águas da Bacia Hidrográfica do Ribeirão dos Macacos – localizada próxima a área beneficiada pelo projeto. “A região escolhida, localizada na cidade de Lorena (SP), é como uma mina de ouro do bioma da Mata Atlântica, considerado um “hot spot” no corredor ecológico”, avisa Francisco Maciel.

A preservação florestal do programa Carbono Seguro contará com a gestão e auditoria da equipe Iniciativa Verde. Já o impacto social do programa na vida dos produtores rurais será avaliado pela John Snow Brasil, consultoria especializada em marketing social.[7]

A ONG Iniciativa Verde espera expandir o programa Carbono Seguro, convidando outras empresas a participar do projeto. “Quanto maior o número de parceiros, maior efetividade do programa na redução das mudanças climáticas que assolam o mundo”, completa o diretor-presidente da organização.



Oct
27
Filed Under (Danos e crimes ambientais, Poluição Visual) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Crato. Emoldurada pela Chapada do Araripe, cercada de fontes perenes, clubes serranos, esta cidade está perdendo a sua característica de município aconchegante. As ruas, com prédios antigos e modernos e calçadas largas, estão sendo ocupadas por placas de anúncios, outdoors, banners, balões, faixas, cavaletes, painéis, letreiros de lojas, muros pintados, pichados, fachadas com cores berrantes. Nas ruas e calçadas, ocupação de espaços públicos e outros elementos físicos com os quais o cidadão deve conviver em seu dia-a-dia. Além dessa parafernália de publicidade, o transeunte enfrenta também as bancas de verduras e vendedores ambulantes que estão retornando ao Centro da cidade.

É a poluição visual, que promove o desconforto espacial daqueles que transitam por estes locais e enfeia a cidade, desvalorizando-a e tornando-a apenas um espaço de promoção do fetiche e das trocas comerciais capitalistas.

As calçadas, que deveriam ser ocupadas apenas pelos pedestres, estão cheias de suportes de ferro que dão sustentação às placas que se estendem até o meio da rua. Em alguns pontos são colocados balcões do lado de fora como se a calçada fosse uma extensão dos estabelecimentos comerciais. Outros fincam barras de ferro para evitar a subida de carros.

De acordo com o arquiteto Waldemar Arraes de Farias, a poluição “degrada os centros urbanos pela não coerência com a fachada das edificações, pela falta de harmonia de anúncios, logotipos e propagandas que concorrem para destruir a história da cidade e a sua própria identidade”.

“Apesar disso, as pessoas ainda se sentem inibidas para reclamar desses exageros porque entendem que o patrimônio alheio não tem qualquer compromisso com a paisagem geral, nem com a sociedade”, afirma ele. O arquiteto complementa advertindo que, “desde que as coisas sejam feitas ‘na propriedade privada’, o cidadão comum não se sente no direito de reclamar”.

Waldemar recomenda que, além deste controle estético, “a Prefeitura deve incentivar os proprietários urbanos a pintarem seus prédios”. O arquiteto acrescenta que também é considerada poluição visual algumas atividades humanas que não estão necessariamente ligadas a publicidade, tais como o grafite, pichações, fios de eletricidade e telefônicos, as edificações com falta de manutenção, o lixo exposto não orgânico, e outros resíduos urbanos.

O advogado Mário Correia Oliveira Júnior afirma que a legislação ambiental existente, com o auxílio do Código Penal, é mais que suficiente para evitar esta degradação, necessitando somente a vontade política de aplicá-la. Para ele, “o poder público não deve falhar em seu papel regulamentador e fiscalizador da publicidade, utilizando-se de mecanismos permissivos, mercantilizando os espaços públicos em nome de duvidosos benefícios”.

A profusão da propaganda na paisagem urbana vem sendo objeto de preocupação do prefeito Samuel Araripe que está agendando uma reunião com lojistas e comerciantes do Crato para tratar do assunto. O prefeito argumenta que este é um dos seus projetos a fim de consolidar a vocação do Crato como cidade turística.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Crato (CDL), Geraldo Pinheiro Lima, diz que a idéia deve ser estudada com mais profundidade. Porém, antecipa que é a favor da retirada das placas que estão invadindo o espaço aéreo da cidade. “O problema não é a existência da propaganda, mas o seu descontrole”, afirma.



Oct
26
Filed Under (Energia) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Vai longe a época na qual se deparar com um painel solar em uma residência era motivo de espanto, mas ao mesmo tempo nem mesmo o apelo ambiental, por ser uma fonte limpa, nem o econômico, por reduzir os gastos com a eletricidade, já conseguiram fazer do uso da energia solar algo comum entre a população. No entanto, a tendência no setor é de expansão e a cada novo verão aumentam as esperanças de quem trabalha na área de ver o uso dessa energia difundida no Rio Grande do Norte.

“Temos registrado um crescimento de uns 10% ao ano, mas o mercado ainda não foi sequer ‘arranhado’, pois muitos desconhecem essa tecnologia. A grande barreira ainda é o custo inicial, que é alto, mas as vantagens são inúmeras”, afirma o engenheiro Juvenal de Macedo Filho, proprietário de uma das mais antigas e conhecidas revendedoras de produtos de energia solar no Estado, a Solir. Ele aponta como destaque atual a grande demanda por aquecedores para piscinas, tanto em condomínios e residências, quanto em escolas e academias.

Porém, o sistema que lidera as vendas para uso residencial continua sendo o de aquecimento de água para utilização em chuveiros e pias. O kit padrão, instalado e pronto, não sai por menos de R$ 4 mil. “Infelizmente, nos últimos anos houve um acréscimo muito grande no preço dos insumos utilizados, como o cobre, o alumínio e o aço-inox”, lamenta o engenheiro. O problema, porém, nada tem a ver com a recente crise internacional.

O fenômeno é mais antigo, vem sendo registrado há cerca de seis anos, e se deve principalmente ao espantoso crescimento econômico da China, o que levou a fazer valer uma velha regra de mercado: quanto menos oferta e mais demanda, maior o preço do produto. Além disso, Juvenal de Macedo destaca também uma realidade nacional, a falta de grandes indústrias nesse setor. “Temos várias em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, mas todas de pequeno e médio porte, o que dificulta a redução nos custos.”

Outra forma que serviria para baratear os kits é o desenvolvimento, a médio e longo prazos, de novas tecnologias, que permitam a utilização de materiais mais em conta. “O cobre, por exemplo, é bastante caro”, explica. Por tudo isso, embora reconheça que o poder público nem sempre contribui com o avanço do mercado, ele acredita que o impulso necessário também pode vir de leis de incentivo, como a que vigora na capital paulista, onde toda casa com mais de três banheiros é obrigada, pelo menos no papel, a fazer uso da energia solar.

O proprietário da Solir destaca que hoje sua clientela é formada basicamente por integrantes das classes A e B, que têm maior facilidade em obter o investimento inicial necessário. Contudo, ele lembra que a classe média talvez fosse exatamente a mais beneficiada pelo sistema. “Famílias de classes como a C poderiam economizar mais, pois geralmente contam com mais pessoas em uma mesma residência, gastando mais com banhos quentes”, observa. A economia com a energia solar, aliás, varia de caso para caso, dependo do uso que cada família faz da água quente, mas onde essa utilização é constante, a redução na conta de luz pode ultrapassar os 50%. “Além disso, contribui com a preservação do meio ambiente, através do uso de uma energia limpa e abundante, o que vem atraindo o interesse de muitas pessoas”, conclui.

Pesquisas podem resultar em equipamentos acessíveis

Baratear a energia solar em residências e difundir seu uso principalmente entre a população mais carente é um dos sonhos do professor de Engenharia Mecânica da UFRN, Guilherme Meira. Apontado como um dos maiores especialistas potiguares na área, ele acredita que se houver o incentivo necessário, será possível garantir o uso de fogões, fornos, secadores, destiladores e outros aparelhos que fazem uso apenas dos raios do sol como fonte de energia, por parte de muitos potiguares.

“Um sistema de aquecimento de água como esses vendidos no mercado não sai por menos de uns R$ 2 mil, já o que desenvolvemos com materiais reciclados pode sair por R$ 50 ou R$ 100. Não alcançam o mesmo nível de aquecimento, mas são suficientes para diversos usos”, ressalta o pesquisador. Ele lembra que os estudos feitos pelos integrantes de seu grupo de pesquisa se voltam principalmente para a busca de tecnologias de baixo custo, que possam ser acessíveis a todos.

Eles já desenvolveram modelos de fogões e fornos que usam espelhos para aquecer as panelas. Também criaram, recentemente, um secador para uso na desidratação de frutas, utilizando apenas canos de PVC e garrafas pet.  “Infelizmente, as fontes de financiamento priorizam apenas as altas tecnologias, sem levar em conta a importância dessas que tornam o uso da energia solar mais acessível”, lamenta o engenheiro.

Ele lembra que um terço da população mundial ainda cozinha utilizando lenha e a adoção dos fogões e fornos a energia solar poderia, por exemplo, resultar em menos poluição e desmatamento. Ao mesmo tempo, o valor de um equipamento solar, em torno dos R$ 200, permitiria seu uso por camadas mais carentes da população. “Em um forno desses, a gente assa pizzas, faz bolos, o tempo não é o mesmo, mas a economia vale à pena, pois não se gasta gás”, destaca.

Guilherme Meira indica que o mundo vem priorizando as “energias limpas”, contudo o Brasil ainda não despertou para o imenso potencial existente em seu território. “O petróleo não vai acabar de uma hora para outra, mas está cada vez mais difícil explorá-lo, é cada vez mais profundo e chega um momento que o mundo não suportará mais tantos combustíveis fósseis”, alerta.

Para expandir o uso das energias alternativas, contudo, será necessário os órgãos públicos brasileiros se “sensibilizarem” para a importância de apoiar tecnologias como as desenvolvidas na UFRN. “Não é tecnologia só para os pobres, pode beneficiar a todos. Agora, precisamos levá-las até à população, massificá-las”, defende.

Usuário de energia solar aprova técnica

Em 1984 o professor universitário Marcílio Colombo se mudou para sua atual residência, em Lagoa Nova, e incluiu no projeto do imóvel um sistema de aquecimento solar da água utilizada em dois chuveiros e em uma pia. Hoje, 24 anos depois, ele garante que o resultado é totalmente positivo: “Só em você ter o conforto de não se preocupar se o banho vai aumentar a conta de luz já me deixa muito tranqüilo.”

Apesar de o investimento inicial ser alto, ele lembra que a durabilidade dos equipamentos permite que todo dinheiro gasto retorne em economia na conta de luz. “O primeiro sistema que instalei passou 20 anos funcionando e só troquei porque a tecnologia estava obsoleta, mas o atual deve durar bastante tempo ainda. Não digo que já se pagou nesses quatro anos, mas com seis ou sete tenho certeza que já estará pago”, prevê, estimando em 25% a economia de energia elétrica.

Marcílio Colombo destaca que mesmo em dias nublados as placas coletoras permitem aquecer a água, somente com o mormaço, tanto que em sua residência nunca foi necessário usar o sistema emergencial de aquecimento, que faz uso de energia elétrica. Um benefício extra vem com a consciência de que se está contribuindo com a preservação do meio ambiente.

O kit de 400 litros existente na residência do professor é suficiente para atender à demanda das cinco pessoas da casa, além disso, basta misturar a água que vem do “boiler” com a fria vinda da caixa d’água para escolher a temperatura desejada. “É ótimo”, resume.

Sistema não apresenta os custos de manutenção

Com experiência de 14 anos de mercado, Juvenal de Macedo admite que o uso mais simples da energia solar deverá continuar sendo, por muito tempo, o aquecimento da água para o banho. Isso porque, atualmente, a possibilidade de transformar a luz do sol em energia elétrica já existe, mas ainda não é economicamente viável e os equipamentos necessários, os módulos fotovoltaicos, são bastante caros.

Já o aquecimento para utilização em banheiros tem retorno garantido. “São vantagens econômicas e ambientais enormes. Banhos em chuveiros elétricos representam, geralmente, uma grande parcela do gasto das casas com energia elétrica. Com a solar esse gasto deixa de existir”, ressalta. O kit consta basicamente do encanamento geral, as placas coletoras da energia solar e ainda o “boiler”, onde a água quente é armazenada.

Há ainda um sistema de emergência, que em teoria pode ser utilizado caso os períodos chuvosos se prolonguem por vários dias (pois até mesmo em dias nublados o aquecimento é possível) e que prevê o uso da energia elétrica para esquentar a água, mas na prática ele é quase totalmente desnecessário. “Tenho aquecimento por energia solar em minha casa há oito anos e nunca precisei ativar esse sistema de emergência”, ressalta o engenheiro.

O ideal, explica, é que a instalação seja feita antes de a residência ser construída, incluindo a estrutura necessária já no projeto, porém nada impede sua colocação com o imóvel já erguido. Geralmente, o kit básico consta de um mínimo de duas placa coletoras padrão, cada uma com 1 metro por 1,5 m, que são instaladas sobre o teto da casa. O “boiler”, que no mínimo deve ter capacidade para 300 litros, tem de ficar em uma altura maior que a das placas, para permitir a circulação da água (a fria desce e a quente sobe).

Com um kit desses, é possível atender uma média de cinco pessoas em uma residência. “Agora, alguns querem usar nas pias, em banheiras, e isso, logicamente, vai aumentando a demanda e a necessidade de uma estrutura maior”, afirma. Quanto maior a estrutura, melhor os resultados.

Divulgação é fundamental para o setor

Engenheiro de materiais e integrante da equipe de pesquisadores do professor Guilherme Meira, o estudante de doutorado Reginaldo Dias enfatiza que será cada vez mais importante buscar alternativas aos combustíveis fósseis, diante da preocupação crescente com o aquecimento global e a preservação ambiental. “Nosso objetivo aqui é desenvolver produtos que sejam simples, de fácil uso, e que demandem poucos custos”, explica.

A um preço mais barato, se torna mais fácil convencer a população a utilizar as novas tecnologias. “Natal, por exemplo, tem uma incidência muito grande de sol durante todo o ano e esse potencial pode ser aproveitado para as pessoas economizarem e ainda contribuírem com o meio ambiente”, destaca. Ele lembra que, no entanto, atualmente o uso das energias alternativas se limita quase exclusivamente aos mais ricos, pelo investimento financeiro inicial ser alto.

“Os equipamentos hoje saem muito caros. O boiler é de aço inox, precisamos usar um material mais barato para que isso possa ser massificado”, defende Reginaldo Dias. O apoio do poder público, porém, é hoje apenas um  sonho. “Com a ajuda necessária, poderíamos desenvolver aqui tecnologias que estão sendo pesquisadas em todo o mundo. Dessa forma, ao invés de pagar aos estrangeiros para utilizarmos a deles, poderíamos usar a nossa”, ressalta o pesquisador.



Oct
26
Filed Under (Agricultura, Agricultura Orgânica) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

A dificuldade enfrentada pela agricultura convencional do País, por conta da escassez de recursos ocasionada pela crise financeira, tem sido alvo de inúmeras matérias nos jornais e sites. De fato, o setor corre o risco de ser atingido pela turbulência, já que a maioria dos insumos agrícolas, especialmente herbicidas e inseticidas, são importados.

Mas o mesmo não deve acontecer com o mercado nacional de orgânicos. A opinião é do gerente de Agronegócios do Sebrae, Juarez de Paula.
Cenário para os orgânicos
Na abertura do 6º Biofach América Latina, na quinta-feira (23), em São Paulo, o gerente afirmou que o “mercado da agricultura orgânica, que não depende dos agroquímicos, não deverá ser atingido diretamente”, segundo informações da Agência Sebrae.
A teoria é corroborada pelo ex-ministro da Agricultura, Luis Carlos Guedes Pinto. Segundo ele, a comercialização desses produtos não está comprometida, porque são produtos de primeira necessidade. “A agricultura orgânica no País ainda é pequena e esse impacto não deverá ser grande”.
O ex-ministro aproveitou a ocasião para defender uma maior articulação do setor, visando à formação de uma visão integrada da cadeia de orgânicos. “Precisamos nos preocupar agora em explorar mecanismos que revelem as vantagens que a produção orgânica têm nos preços”.
Para ele, é igualmente importante o problema da certificação. Guedes lembrou da importância da credibilidade dos selos emitidos no País. “Tivemos problemas recentemente com certos selos de certificação. Essa desconfiança pode colocar em risco toda a produção”, completou.



Desmistificando o papel de vilão dos combustíveis fósseis na emissão de gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa, a mestre em Direito Ambiental e consultora da Axia Ambiental Larissa Schimidt explicou nesta sexta-feira (24/10) que 75% das emissões de gases poluentes no Brasil vêm de atividades ligadas à agricultura.

Ela ministrou a palestra “Aquecimento Global - Adaptação ou Mitigação” durante o IV Seminário Internacional de Direito, Águas, Energia, Aquecimento Global e Seus Impactos na Agricultura e o V Seminário de Águas do Mato Grosso do Sul, na Assembléia Legislativa.

“O Brasil está lá atrás quando se fala em emissão por queima de combustíveis fósseis, mas é o quarto ou quinto País do mundo na emissão relacionada ao uso da terra”, disse Larissa.

Segundo ela, investimentos históricos equivocados contribuíram para a degradação ambiental, sobretudo na Amazona e no Cerrado. Lembrou que tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa alterar o artigo 225 da Constituição, reconhecendo o cerrado e a caatinga como Patrimônios Históricos Nacionais.

“O não reconhecimento, na elaboração da Constitução, comprova que não havia na época qualquer preocupação com essas áreas. Mas a partir desse reconhecimento, esperamos que sejam executadas ações mais concretas em favor do meio ambiente”, afirmou a consultora.

Larissa alertou que 90% das ações predatórias que resultam no efeito estufa têm o homem como agente. “O aquecimento global, já em curso, terá um ciclo de agravamento preocupante até 2050, por isso as ações preventivas devem ser tomadas o quanto antes na intenção de minimizar os efeitos”, disse.

Entre as medidas consideradas urgentes, ela aponta a intensificação da fiscalização de ações ilegais, como queimadas e desflorestamento. “Não temos problemas com a legislação brasileira, que é muito boa, mas falta reforçar o combate às ações ilegais”, ressaltou.