De agosto de 2007 a julho de 2008, o Brasil desmatou 11.968 km2 de florestas na Amazônia Legal. Esse é o dado do desmatamento anual divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número representa um aumento de 3,8% em relação ao desmatamento verificado no ano anterior, indicando uma quebra na tendência de reduções da taxa verificada desde o período 2004-2005. É um indício de que ainda é necessário rever e ampliar os esforços para conter o desmatamento, tornando-os mais sistêmicos, integrados e estratégicos.
Entre agosto de 2006 e julho de 2007, a taxa de desmatamento foi de 11.532 km2, 18% menor do que o desmatamento medido entre 2005 e 2006. Essa relativa estabilidade da taxa de desmatamento neste último ano contrasta com algumas expectativas de maior aumento associado ao aquecimento do mercado de commodities agrícolas pré-crise econômica. Parte dessa tendência está associada às ações implementadas pelo governo federal desde o final de 2007, que passou a envolver mais o setor produtivo no esforço de redução do desmatamento.
As principais ações do governo foram a restrição do crédito para propriedades que não comprovem conformidade com as regras ambientais (reserva legal, área de preservação permanente, autorização de desmatamento etc.) e fundiárias (propriedade legalizada), além do fortalecimento e foco mais concentrado nas ações de fiscalização e do compartilhamento de responsabilidades com estados e municípios. “A restrição de crédito coíbe efeitos ligados à grilagem de terra, principal responsável direto específico pelo desmatamento na Amazônia”, afirma a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.
Para Denise Hamú, no entanto, “um desmatamento equivalente a duas vezes o tamanho do Distrito Federal é preocupante, uma vez que o WWF-Brasil defende o que foi estabelecido pelo Pacto pela Valorização da Floresta Amazônica e Redução do Desmatamento, que propõe ações concretas e conclama esforços governamentais e de toda a sociedade para reduzir a zero o desmatamento em sete anos”. O Pacto é uma iniciativa de um conjunto de ONGs e as ações propostas têm custo estimado em R$ 1 bilhão por ano, relativamente barato se comparado a outros gastos governamentais ou investimentos e principalmente se comparado aos custos sociais (secas, enchentes, mortes, dificuldades econômicas etc.) que o desmatamento impõe a todos.
A secretária-geral do WWF-Brasil afirma ainda que é necessário adotar uma estratégia mais ampla de conservação. “Defendemos a definição de metas claras de redução no desmatamento, além de mecanismos econômicos e tributários que incentivem a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e desestimulem as práticas predatórias”, afirma.
Florestas e o clima
O desmatamento e as queimadas são responsáveis por 75% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa e, por causa da falta de cuidado com nossas florestas, o Brasil é o quarto colocado no ranking dos maiores contribuintes para o aquecimento do planeta.
As florestas armazenam carbono, refletem calor, ajudam a reter a água da chuva e trazem vários outros benefícios para os seres humanos e o meio ambiente. Por isso, a maioria dos cientistas que estudam o clima do planeta afirma que para evitar o aumento do aquecimento global é fundamental que o desmatamento seja detido.
Com a diminuição das taxas de desmatamento na região amazônica ocorrida nos últimos dois anos, a adoção de metas de redução das emissões pelo Brasil é factível. O estabelecimento de metas para redução de emissões oriundas do desmatamento colocaria o Brasil em posição de vanguarda nas negociações internacionais sobre clima, que ocorrerão em dezembro em Poznan, Polônia.
O superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, explica, ainda, que as ações de combate ao desmatamento devem seguir quatro eixos. O primeiro é a proteção efetiva de florestas, por meio da criação e implementação de unidades de conservação. O segundo é a promoção do uso sustentável dos recursos naturais, desenvolvendo capacidades nos estados para a gestão florestal. Em seguida, vêm as ações de fiscalização, para enfrentar ameaças de atividades ilegais associadas, por exemplo, à grilagem de terras, ao agronegócio e a grandes obras de infra-estrutura. Por último, estão as ações de compensação financeira para quem proteger a floresta,
“Reconhecemos algumas ações positivas do governo federal, mas defendemos algumas melhorias, particularmente a manutenção do processo de criação de unidades de conservação, um maior esforço na implementação das unidades já criadas, com alocação e formação de equipes para a gestão das áreas, e a implementação efetiva da nova política florestal, com o desenvolvimento de capacidades nos estados para a gestão florestal”, afirma Scaramuzza.
Fundo Amazônia
O Fundo Amazônia, criado pelo governo em agosto deste ano, é uma importante política de viabilização do eixo de compensação financeira para quem protege a floresta. No entanto o WWF-Brasil defende que a aplicação dos recursos contemple a ponta da cadeia. “É imprescindível que os recursos cheguem ao terreno, por exemplo, às comunidades locais, proprietários de terras e áreas protegidas”, afirma Scaramuzza. “Esperamos que a execução do Fundo Amazônia estimule a inovação, a criatividade, a experimentação e o envolvimento da sociedade civil, e que seja complementado por recursos públicos, em lugar de ser sugado para preencher lacunas de programas governamentais”, completa.
A 14ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que será realizada de 1º a 12 de dezembro em Poznan (Polônia), faz parte de uma agenda que começou com a Eco-92, no Rio de Janeiro - um calendário voltado para a luta contra o aquecimento global.
Seguem as principais etapas deste combate nos âmbitos científico e diplomático:
- 1988: Criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC em inglês), pela Organização Meteorólogica Mundial e o Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas a pedido do G7 (os sete países mais industrializados). O IPCC nasceu da percepção de que a ação humana poderia estar exercendo uma forte influência sobre o clima do planeta e que era necessário acompanhar esse processo.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas é, hoje, um órgão composto por delegações de 130 governos para prover avaliações regulares sobre a mudança climática.
- 1990: O IPCC tem publicado diversos documentos e pareceres técnicos. O primeiro Relatório de Avaliação sobre o Meio Ambiente (Assessment Report, ou simplesmente AR) foi publicado em 1990 e reuniu argumentos em favor da criação da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC), a instância em que os governo negociam políticas referentes à mudança climática. Seguiram-se outros relatórios divulgados em 1995, 2001 e 2007 - confirmando a responsabilidade humana no aumento do efeito estufa responsável pelo aquecimento constatado no século XX, sobretudo através da emissão de gases como o dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e metano (CH4).
- 1992: Adoção no Rio da da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC) pela qual os 192 Estados participantes, hoje signatários, se declaravam “resolvidos a preservar o sistema climático para as gerações presentes e futuras”.
- 1997: Conclusão do Protocolo de Kyoto ratificado por 183 Estados. Entrando em vigor em fevereiro de 2005, impõe a 37 países industrializados e à União Européia objetivos de reduções das emissões dos seis principais gases de efeito estufa entre eles o CO2, além do metano, óxido nitroso e outros três gases fluorados (HFC, PFC, SF6) no período 2008-2012.
- 2001: Os Estados Unidos, responsáveis por um quarto das emissões mundiais dos Gases de Efeito Estufa, rejeitam o Protocolo de Kyoto que consideram muito caro para a sua economia e “injusto”, uma vez que nem a China nem os grandes países emergentes se submeteram às obrigações de redução desses gases.
Os Estados Unidos são hoje o único país industrializado a não ter ratificado o protocolo de Kyoto.
- 2007: O 4º relatório do IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas. Nesse cenário, um terço das espécies do planeta estaria ameaçada. Populações estariam mais vulneráveis a doenças e desnutrição.
O grupo também calcula que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a engrossar o fluxo dos chamados refugiados ambientais - pessoas que são obrigadas a deixar o local onde vivem em conseqüência da piora do meio ambiente.
A estimativa do IPCC é de que mais de 1 bilhão de pessoas poderia ficar sem água potável por conta do derretimento do gelo no topo de cordilheiras importantes, como o Himalaia e os Andes.
- No segundo relatório, o IPCC alerta que partes da Amazônia podem virar savana. Segundo os cientistas que participaram da elaboração do documento, entre 10% e 25% da floresta poderia desaparecer até 2080, com 50% de possibilidade de que a maior floresta tropical do mundo se transforme parcialmente em cerrado. O Nordeste brasileiro poderia ver, no pior cenário, até 75% de suas fontes de água desaparecerem até 2050. Os manguezais também seriam afetados pela elevação do nível da água. Entretanto, por falta de dados fornecidos por países emergentes, as conclusões do IPCC são menos incisivas nas chamadas “questões regionais.
Mais de uma tonelada de fertilizantes em decomposição está acumulada há cerca de um ano e meio no pátio da Companhia Operadora Portuária (Copi), no Porto do Itaqui, o que representa forte ameaça de desastre ambiental no terminal. A montanha de lixo químico, composta por sobras de cargas transportadas por navios, está a cerca de 200 metros da área de atracamento e com a proximidade das chuvas parte dos resíduos pode escorrer para o mar.
Profissionais da área de segurança no trabalho já alertaram inúmeras vezes à direção da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pela gestão do porto, sobre o risco que o material representa para o meio ambiente, mas nenhuma providência foi tomada até o momento.
Técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) já conferiram in loco a situação, mas nem assim o problema foi resolvido. Sobre a atuação dos dois órgãos no caso, uma fonte informou que a Anvisa desempenha um papel mais efetivo, mesmo que de forma paliativa. ”Existe amizade entre os técnicos da Sema e gestores do porto. Por isso, eles agem com descaso”, alega.
Inicialmente, o fertilizante seria doado à comunidade. Depois, um diretor da Copi decidiu vendê-lo. Como não há procura, o adubo se acumula com o passar do tempo. Uma possível solução seria transportar o material ao aterro da Ribeira, o que depende de um estudo sobre o impacto ambiental ao ser causado pela substância naquela área.
O charybdis hellerii, uma espécie de siri invasor, está acabando com os siris nativos que garantem a alimentação e a renda de milhares de famílias no Maranhão. Ele tem o corpo coberto de espinhos e é agressivo.
A espécie veio dos oceanos Índico e Pacífico e chegou ao Maranhão sob a forma de larvas trazidas na água usada nos cascos dos navios para dar estabilidade. Esse lastro acaba trazendo milhares de larvas de siris. Em outro porto, a embarcação despeja parte dessa água e deixa no local minúsculos passageiros clandestinos.
Pela lei, cabe à marinha monitorar a água de lastro, mas o comandante Luiz Carlos de Melo admite que a fiscalização é falha. “Não posso assegurar 100% dos navios são inspecionados, isso é humanamente impossível”, diz.
O siri que invadiu a costa maranhense é apenas um exemplo do perigo que se esconde nos porões dos navios. Pesquisadores da Organização Mundial de Saúde estimam que, todos os dias, mais de sete mil espécies de microorganismos vivos são transportados nas embarcações que cruzam os oceanos.
Casos semelhantes
O mexilhão dourado veio dos rios da Ásia; chegou à Argentina na década de 90 e se espalhou pelo Paraguai, Uruguai e parte do Brasil. O molusco gruda nas turbinas e prejudica o funcionamento das usinas hidroelétricas.
Outra ameaça que veio da Ásia é o coral sol. Ele tomou conta de 20 quilômetros do canal da Ilha Grande, no litoral fluminense, e agora chegou a Ilhabela , em São Paulo. Sua beleza esconde um predador perigoso capaz de eliminar todos os corais nativos.
Reprodução acelerada
No Maranhão, a proliferação do siri invasor preocupa os cientistas. “Se reproduzindo mais rápido, o siri invasor vai acabar se sobressaindo à população do siri nativo. A tendência é que a espécie seja extinta”, explica a pesquisadora Bruna Martins, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Na UFMA, os cientistas estudam maneiras de conter essa praga. Eles já sabem que o siri é rico em cálcio e pode ser usado na produção de farinha ou de ração para peixes.
Iguaria
A melhor maneira de proteger a fauna nativa envolve uma mudança de paladar: os pesquisadores querem desenvolver receitas culinárias para acostumar a população ao sabor do siri asiático.
- Precisamos tentar convencer as pessoas de que consumir o siri invasor não custa nada, é só uma forma de amenizar o impacto que ele está causando - diz o pesquisador Randolfo Azevedo.
Dá vontade de trancar as narinas, ou ao menos os vidros do carro, na tentativa de respirar um pouco menos de poluição. Nenhuma das duas táticas foram capazes de amenizar o estresse sobre rodas do empresário Ricardo Ortoni, 28 anos.
Para se livrar das crises de rinite e sinusite que o perseguiam a cada congestionamento, decidiu viver no Interior. “Estou há dois meses em Ribeirão Preto, a 310 km da Capital e os sintomas praticamente desapareceram.”
O efeito terapêutico dos ares mais puros não é mera constatação de um paulistano aborrecido. No banco de dados do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) há diversos estudos que comprovam o impacto dos poluente sobre as vias respiratórias. “Os mecanismos de defesa do epitélio respiratório são afetados pelos agentes químicos, deixando a região mais suscetível a inflamações e infecções. Mais de 90% dessa poluição é gerada pelo trânsito”, detalha um dos pesquisadores da instituição, o médico epidemiologista do Luiz Alberto Amador Pereira.
No caso do monóxido de carbono, por exemplo, a Cetesb estima que 95% do volume circulante venha dos escapamentos dos veículos. “A obrigatoriedade do uso de catalisadores nos anos 90 foi uma ação importante para reduzir a poluição, mas creio que o aumento descontrolado da frota já exerça um efeito compensatório. Ainda que os veículos mais novos poluam menos, eles circulam em número infinitamente maior. Isso congestiona o trânsito, levando o motorista a tempos muito mais prolongados de exposição aos poluentes”, diz Pereira.
Nos últimos nove meses o tráfego ficou ainda mais lento na Capital. Segundo a pesquisa Ibope/Movimento Nossa São Paulo, o tempo médio que o paulistano gastava para se deslocar entre a residência e o trabalho passou de uma hora e quarenta minutos em janeiro para duas horas em setembro. “Lembro-me de ocasiões em que levei quase três horas para ir do Brooklin ao Morumbi, ambos bairros da zona sul da cidade.
Dentro do bairro onde eu morava chegava a ficar 30 minutos para andar apenas um quilômetro. Notei claramente que estava perdendo muito tempo da minha vida dentro do carro, já não tinha vontade de ir a lugar algum na Capital por causa do trânsito”, lembra Ortoni.
A liberdade de ir e vir em poucos minutos e a manutenção da saúde custam ao empresário 313 km de distância da família e da namorada. “Assim que comecei a namorar logo avisei que não suportava o trânsito de São Paulo e que por isso me mudaria. Agora, sempre que vou à Capital, a namorada vem me buscar e saímos no próprio bairro. Eu reclamava demais da Cidade, nem eu me agüentava! Além da rinite alérgica, sentia fadiga muscular nas pernas, dor nas costas, dor de cabeça e tinha um péssimo humor”, admite.
O designer Cristiano Matsuda das Neves, 30 anos, também estuda alternativas para escapar dos congestionamentos. Há dois meses ele vive uma espécie de abstinência automotiva na esperança de amenizar as dores provocadas por uma hérnia de disco. “Na última vez em que estava ao volante precisei parar em um posto por causa da dor, passei a direção para minha mulher”, lembra. Na ocasião, ele voltava de Interlagos, na zona sul, onde moram seus pais, para sua casa na Freguesia do Ó, zona norte da cidade. “Já levei até duas horas para fazer esse percurso.”
É a mulher de Neves que o transporta diariamente até o Terminal da Barra Funda, na zona oeste, onde ele toma o metrô rumo ao trabalho. “Decidi parar de dirigir para ver se as dores melhoravam. Quando me deslocava de carro, chegava todo dolorido no trabalho. Além da hérnia, sinto muitas dores no ombro por causa da tensão que o trânsito provoca. Tentava de tudo para aliviar esse incômodo: me espreguiçava enquanto os carros estavam parados, jogava o ombro para trás para tentar relaxar … Agora, vejo que a solução é deixar o carro de lado.”
O desconforto experimentado pelos motoristas tem respaldo científico. “Quando estamos sentados, a carga que incide sobre a coluna é quatro vezes maior do que quando estamos em pé ou deitados”, explica o ortopedista Rubens Rodrigues, médico do Instituto de Ortopedia e Traumatologia de São Paulo (IOT-SP). “O ideal é passar de quatro a cinco minutos em pé para cada hora sentada, mas é claro que isso se torna inviável no trânsito. Uma alternativa é fazer pequenos alongamentos dentro do próprio carro”, indica.
Entre os exercícios sugeridos pelo médico está a rotação de pescoço. “Isso melhora a tensão na região cervical. Indico ainda os movimentos isométricos: basta pôr a mão sobre a testa e forçar a cabeça para frente, sem permitir que ela penda. Flexionar a planta do pé para acionar a panturrilha e mexer os pés são outras boas dicas. Para aliviar dores na lombar pouco há para se fazer. Ao ver as pessoas em pé no ônibus saiba que elas estão melhor acomodadas do que o motorista ao volante”, diz Rodrigues.
Locomover-se por meio de transporte particular nem sempre é uma opção pelo conforto. Há quem não tenha outra alternativa para cumprir sua agenda diária, como é o caso da agente de viagens Helena Romano, 59 anos. “Moro no Itaim e trabalho na Vila Mariana. Perto de casa não há metrô e ao longo do dia preciso sair para visitar os clientes. Não há como trabalhar sem carro”, diz ela.
Helena conta que chegou a levar uma hora e meia no trajeto entre o Parque do Ibirapuera, na zona sul, e a Vila Madalena, na zona oeste. “Naquele dia, antes de pegar o congestionamento, havia passado por uma fisioterapia. Disse ao médico que saí ótima da clínica e quando estacionei o carro, depois de tanto tempo em trânsito, já estava toda dolorida.”
O tratamento de Helena também inclui sessões de acupuntura. “A perna esquerda, que é a da embreagem, dói muito. Houve dias em que eu nem conseguia colocar o pé no chão, acho que essas dores são agravadas pela tensão que sofremos ao dirigir. A situação se tornou caótica na Cidade, não sei se por inabilidade dos motoristas ou por pura falta de respeito. É fila dupla, xingamentos, buzinas … Tudo isso gera uma tensão muito grande.”
Na opinião do angiologista Nelson Hossne, cirurgião cardiovascular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), momentos de estresse, como aqueles vivenciados durante os engarrafamentos, podem levar até a enfartes. Segundo ele, passar muitas horas sentado em uma mesma posição também predispõe a um perigoso acúmulo de sangue nas veias das pernas.
“O sangue acumulado pode levar à trombose venosa profunda em pessoas com predisposição para a doença, sobretudo no caso de mulheres que usam anticoncepcional ou fumam. Quanto maior for o tempo sem movimentar-se, maior será o risco de trombose. Esses trombos de sangue podem se deslocar até o pulmão, desencadeando embolia pulmonar e até morte”, explica Hossne.
A interferência dos poluentes expelidos pelo trânsito sobre o sistema cardiovascular dos paulistanos também é tema de estudo do Laboratório de Poluição da USP. “Com base em dados fornecidos pelo Instituto do Coração verificamos que a procura por prontos-socorros e as internações relacionadas às doenças isquêmicas, como o enfarte, aumentam em até 8% nos dias mais poluídos, principalmente entre as mulheres e os adultos jovens, de 20 a 45 anos”, explica o médico Pereira, um dos principais pesquisadores do grupo.
Ainda que a repercussão imediata da poluição sobre a saúde seja a forma mais perceptível de seu ataque ao corpo humano, o que mais preocupa os médicos é a destruição silenciosa e contínua que ela opera ao longo dos anos. “A poluição interfere diretamente na mortalidade dos habitantes das metrópoles. Estima-se que ela nos roube de 1 a 2 anos de vida”, conclui Pereira.
Boxe 1: DICAS
1. Antes de tirar o carro da garagem, aja como se fosse executar uma intensa atividade física: afinal, é exatamente isso que ela representa. Sendo assim, alongue braços e as panturrilhas.
2. Pratique uma outra atividade física regularmente para aliviar as tensões e procure um ortopedista se as dores após dirigir forem constantes ou fortes demais.
Boxe 2:
ORTOPEDIA
De acordo com o IOT-SP, a longa permanência no trânsito pode agravar diversas dores nas articulações. Por demandar grande esforço, a direção traz danos às regiões lombar e cervical da coluna. Já os movimentos repetitivos para mudar as marchas estimulam a tendinite nos punhos. Nos membros inferiores, pode haver desgaste nas articulações dos tornozelos por frear e acelerar repetidamente.
CIRCULAÇÃO
As pequenas partículas químicas liberadas durante a queima de combustíveis fósseis, quando inaladas, aumentam o nível de coagulantes do sangue e reduzem sua taxa de anticoagulantes, estimulando a formação de coágulos. São esses coágulos que provocam as doenças isquêmicas, tais como enfarte o acidente vascular cerebral (AVC). Arritmias também são comuns nessas condições.
GESTAÇÃO
A linha mais recente de pesquisa do Laboratório de Poluição da USP relaciona o impacto dos poluentes sobre a gestação. De acordo com a tese de doutorado do médico Luiz Alberto Amador Pereira, “a cada 100 mg por metro cúbico de poluição observa-se um aumento entre 12% e 13% nos índices de mortalidade intra-uterina”. O bebê também pode apresentar baixo peso ao nascer ou prematuridade.
Ao contrário do que afirmou na última quinta-feira, dia 6, que a Usina de Jirau uma das duas já licitadas no complexo do Madeira receberia nesta sexta a licença de instalação, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitiu que pode haver atraso. Segundo ele, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) só deve conceder a licença na próxima semana.
Lobão afirmou que, caso isso não aconteça, o consórcio Energia Sustentável, vencedor da licitação, perderá a janela hidrológica (período seco) para o início da obra.
- Temos lutado junto ao Ministério do Meio Ambiente no sentido de que essa licença seja concedida o mais rapidamente possível, até para aproveitarmos a janela hidrológica. O Ibama promete fazer isso. Em princípio, a data estava marcada para hoje, mas talvez se estenda até a próxima semana. Mas eu ainda tenho esperança de que possa ocorrer hoje- afirmou o ministro.
Com relação à intenção do consórcio de construir a unidade nove quilômetros abaixo do local fixado no edital, o ministro disse que a decisão é uma prerrogativa do Ibama.
- A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) já tomou a decisão favorável nesse sentido, de que pode mudar o local, mas o Ibama tem também a prerrogativa de estabelecer suas ações para a implantação da unidade- declarou.
Lobão voltou a afirmar que, se demorar mais de uma semana para a com cessão da licença, não será possível aproveitar o período seco para dar início às obras.
Lobão deu as declarações no Palácio Itamaraty, no Rio, onde participa da solenidade de posse de dois diretores da Agência Nacional do Petróleo.
A Secretaria de Meio Ambiente dará continuidade ao Mutirão do Lixo Eletrônico. Na primeira etapa da campanha, realizada nos dias 30 e 31, mais de 10 mil pilhas, baterias e celulares velhos foram coletados.
A Secretaria contou com os serviços dos coletadores da Coleta Seletiva, que fizeram a arrecadação em todas as escolas de Avaré. O Mutirão foi uma iniciativa do Governo Estadual, realizada em todos os municípios estaduais, com o objetivo de conscientizar a população dos riscos de contaminação que os celulares velhos, as pilhas e baterias com esgotamento energético causam ao meio ambiente e à saúde humana. Todo material coletado será destinado para uma empresa que se responsabilizará pela descontaminação e reciclagem.
A campanha para o destino correto das pilhas e baterias, começou em Avaré, desde o mês de março, através de divulgação nos jornais e de palestras nas escolas. Trabalhos educativos foram realizados com as crianças para incentivar a coleta. Os estabelecimentos que comercializam pilhas ou produtos que utilizam pilhas ou baterias, as lojas que vendem celulares, foram visitados e informados da responsabilidade ambiental em recolher, da população, o material contaminante.
Existem muitos papa-pilhas na cidade para que a população toda possa participar, pois a Secretaria de Meio Ambiente continuará com a campanha do Lixo Eletrônico assim como continua com a coleta porta-porta de materiais recicláveis, campanha da coleta de resíduo líquido de óleo vegetal, coleta do isopor , dando a todos, a oportunidade de participar da preservação ambiental do município.
Acontece na próxima semana em Ubatuba, entre os dias 10 e 12 de novembro, a III Semana de Agricultura Orgânica, promovida pela Prefeitura Munipal.
Diversas atividades estão programadas para os três dias, com feira de alimentos, palestras sobre agricultura orgânica e curso de hortas suspensas. Todas as atividades acontecem no auditório da Escola Municipal Tancredo.
O evento é voltado para produtores orgânicos, consumidores, comerciantes e demais interessados no assunto. Segundo a secretária de Agricultura, Pesca e Abastecimento, Valéria Gelli, a Semana da Agricultura Orgânica faz parte do Programa de Manejo Sustentável do município e agora passa a ser uma obrigação do município, uma vez que foi instituída por intermédio da lei 3123/08, do executivo.
Os interessados podem fazer suas Inscrições pelos telefones (12) 3833-3500 e 3833-2528. A E.M. Presidente Tancredo de Almeida Neves fica na Av. Rio Grande do Sul 600, Centro
O ministro de Assuntos Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, afirmou hoje que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, não fará uma “mudança radical” na política ambiental de Washington.
“A proteção ao meio ambiente também não será no futuro um tema prioritário nos Estados Unidos”, disse Steinmeier, durante conferência sobre os efeitos da mudança climática nas políticas de segurança realizada até amanhã, em Freiburg (sudoeste da Alemanha).
O ministro afirmou que não tem “expectativas elevadas demais” diante de uma possível mudança de rumo ambiental em Washington, pois, segundo ele, nos EUA, “a questão principal sempre foi a segurança energética”.
Além disso, há “a consideração sobre como o país pode se tornar independente de fornecedores incertos de energia como, por exemplo, a Venezuela”, afirmou.
Segundo o ministro, os EUA, “em conjunto”, não estão preparados para fazer a contribuição necessária para atenuar as conseqüências negativas da mudança climática.
Para Steinmeier, “Obama só” não conseguirá generalizar uma política mais respeitosa ao meio ambiente, mas destacou que a Europa não deve “desanimar” com isso, já que a proteção ambiental deve “ser levada adiante”.
Cerca de mil especialistas participam entre hoje e amanhã do congresso sobre mudança climática organizado pelo Ministério de Exteriores alemão em Freiburg, entre eles o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, Rajendra Pachauri. EFE
Vinte dias depois da denúncia da organização não-governamental (ONG) internacional Greenpeace, de que moradores do povoado de Juazeiro, no município de Caetité, a 759 quilômetros a oeste de Salvador, estavam consumindo água contaminada por urânio, o governo da Bahia confirmou hoje a situação.
Em nota, o Instituto de Gestão de Águas e Clima (Ingá), da Secretaria do Meio Ambiente do governo estadual, informou que, a partir da denúncia, coletou material de sete poços utilizados para obtenção de água pela população. Em um dos poços foi constatada concentração maior do mineral radiativo do que o permitido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Em outros dois foram encontradas concentrações “toleráveis” de urânio e, nas quatro restantes, não houve ocorrência do mineral.
O Ingá informou que a análise ainda é preliminar, mas que o poço foi interditado pela Defesa Civil e que as famílias que faziam uso da fonte terão a saúde monitorada, com o acompanhamento da Secretaria Estadual da Saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o contato com urânio por humanos poderia causar o desenvolvimento de cânceres e anomalias fetais. O fornecimento de água a elas será feito por carros-pipa.
De acordo com o Greenpeace, a contaminação seria resultado da atuação da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) na região, onde mantém um grande campo de exploração e beneficiamento de urânio. A direção da INB nega. “Fazemos análises sistemáticas de nossas operações, em 50 pontos ao redor da mina, e não há nada de irregular”, afirmou o diretor de Recursos Naturais da INB, Otto Bittencourt Neto. “A região toda conta com o minério em seu subsolo. É possível que alguém tenha aberto um poço em uma área de ocorrência de urânio.”
O Ministério Público foi acionado para ajudar nas investigações. “Ainda não é possível afirmar se os resultados são provocados pela atividade de mineração da INB ou se é natural, por causa da presença do mineral no solo da região”, disse o diretor-geral do Ingá, Julio César Rocha.