A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou na terça-feira (28), em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 6608/06, do deputado Bernardo Ariston (PMDB-RJ) que cria a Comenda do Mérito Ambiental, a ser concedida anualmente a pessoas ou empresas que tenham se destacado por ações em defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Ariston argumenta que a comenda pode incentivar o cumprimento da legislação ambiental no País.
O relator do projeto na Comissão, deputado Geraldo Pudim (PMDB-RJ), apresentou substitutivo no qual retira do Ministério do Meio Ambiente a responsabilidade por conceder a comenda e regulamentá-la. Esse dispositivo, segundo ele, é inconstitucional já que a iniciativa de propor atribuições a ministérios é privativa do presidente da República.
O projeto segue agora para o Senado Federal.
O secretário nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski, disse nesta terça-feira que R$ 28,5 bilhões, previstos no Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC) estão contratados ou em fase de contração para obras de saneamento básico no país.
Segundo ele, 90% das obras previstas estarão concluídas até 2010. Ele disse que uma pesquisa feita em 2000 já indicava a necessidade de investimento de R$ 180 bilhões para resolver o problema, mas que a estimativa é fechar o governo Lula com investimento de R$ 60 bilhões no setor.
- Se os próximos governantes continuarem nesse ritmo, em 16 anos o saneamento estará universalizado no país - disse o secretário, afirmando que, atualmente, 50% de todo o esgoto produzido é coletado e 32%, tratado.
Segundo uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, se mantidos os atuais níveis de investimentos no setor, de 0,22% do Produto Interno Bruto (PIB), o serviço de saneamento básico chegará a 100% da população apenas em 2122 -daqui a 114 anos. A pesquisa “Trata Brasil Saneamento e Saúde”, coordenada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra, porém, que a situação pode ser resolvida se mantida a meta do governo federal de investir, através do PAC, R$ 10 bilhões ao ano nos próximos 20 anos.

A jaguatirica, espécie do Cerrado, está listada em “vulneráveis” pelo ministério e corre risco de desaparecer nos próximos anos
A Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção aponta que o Cerrado tem 65 animais em risco. Dados fazem parte do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, que tem dois volumes e foi lançado na manhã de ontem pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com a Fundação Biodiversitas, em Brasília. Estavam presentes o ministro Carlos Minc, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias, e outros membros do governo federal.
O Cerrado está presente em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e Distrito Federal. O estudo classifica como “vulnerável”, “em perigo” e “criticamente em perigo” a situação da fauna nacional. Em Goiás, são 18 aves, 6 invertebrados terrestres, 5 de água doce e 13 mamíferos na lista de possível extinção. Os biomas nacionais com mais espécies ameaçadas são Mata Atlântica (269), Cerrado (65) e Amazônia (41).
Considerados “criticamente em perigo” estão as aves pato-mergulhão, rolinha-do-planalto e bicudo. O único inseto é a borboleta, de nome científico heraclides himeros baia. As aves são socó jararaca, caboclinho-de-chapéu-cinzento e caboclinho-de-papo-branco.
Pela classificação adotada, os “vulneráveis”, considerados ameaçados, mas que correm risco menor do que os “criticamente em perigo”, são a maioria das espécies. São 12 aves, três insetos, um invertebrado terrestre e 12 mamíferos, entre eles o lobo-guará, a jaguatirica e a onça-pintada.
A lista inclui anexo no qual estão peixes e animais aquáticos. São cinco as espécies de Goiás encontradas no estudo. O levantamento traz como principais causas para que as espécies estejam ameaçadas de extinção a degradação e a fragmentação do meio ambiente, com ações humanas. Dados completos podem ser consultados pelo site http://www. mma.gov.br/ameacadas.
O controle da qualidade do ar na cidade São Paulo deve ficar mais rigoroso em pouco tempo. Especialistas discutem um novo limite de poluição aceitável para a capital. Atualmente, nas 23 estações que fazem a medição dos poluentes na região metropolitana, o ar é considerado bom quando o nível de poluentes fica abaixo de 50 microgramas por metro cúbico. Esse padrão foi implantado 32 anos atrás. De lá pra cá, o nível de poluição caiu pela metade, mas ainda provoca nove mortes por dia na capital, segundo os médicos. Por isso, os especialistas querem estabelecer um limite mais rigoroso.
- Não é simplesmente colocar uma nova norma que no dia seguinte a qualidade do ar vai melhorar. Ela é um guia - explica Nelson Gouveia, professor de medicina preventiva da Universidade de São Paulo (USP), acrescentando que o novo patamar servirá de parâmetro para melhorar ainda mais a qualidade do ar.
Pela nova norma, que segue o padrão determinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o limite aceitável de poluente cairia de 50 para 20 microgramas por metro cúbico. Ou seja, o ar que hoje é considerado bom seria apenas regular.
- Essa redução resultaria numa queda do número de mortes e de doenças nos paulistanos - diz Carlos Dora, coordenador de saúde pública da OMS.
Nesta terça-feira, a qualidade do ar na Grande São Paulo ficou ruim em quatro bairros. Na estação de Nossa Senhora do Ó, na zona norte da cidade, a Cetesb registrou qualidade má do ar. Na Mooca, na zona leste; em Santana, também na zona norte; e no Parque Dom Pedro, no centro; o ar foi considerado inadequadro. A situação não deve melhorar nesta quarta-feira por causa das condições meteorológicas.
Mesmo com possibilidade de pancadas de chuva durante a tarde, o vento não terá força suficiente para dispersar os poluentes nesta quarta-feira. A previsão de mais um dia de sol, com calor acima da média para essa época do ano. O dia começa com 18 graus e a temperatura máxima prevista é de 27 graus na capital.
O mundo observa atônito o movimento de fúria nos mercados. Ondas de choque avançam sobre a economia real, atingindo diversos setores, frágeis ou sólidos. Em meio à inundação, ainda não é possível ter uma visão clara dos setores ou empresas que conseguirão manter-se equilibradas após o recuo das águas.
Nesse cenário, há elementos que indicam que o Brasil deverá manter índices positivos de crescimento econômico. Historicamente, são verificados movimentos geopolíticos e até mesmo ciclos de ascensão e queda nos ataques a preços de produtos e serviços: motim da fome na França, guerras, crise de 29, choque do petróleo. Com a globalização, esses ciclos tornaram-se mais curtos e com ondas de propagação mais dinâmicas.
Sob a ótica ambiental, fenômenos climáticos conseqüentes do aquecimento global influenciam a movimentação bilionária de recursos, atingindo também todos os setores e países.
Os Estados Unidos são alcançados freqüentemente por furacões e desembolsam cada vez mais recursos com pagamentos de seguros. Nesse caso, as seguradoras têm uma preocupação crescente, pois são impactadas nos seus resultados financeiros. Logo, não é irreal supor que venham apresentar balanços pouco atraentes.
Para o Brasil, no entanto, o momento é de atenção, porém, claramente voltada às oportunidades globais que se apresentam. Evidente que seu mercado interno, que representa 85% do Produto Interno Bruto (PIB), indica que poderia suportar uma retração do comércio internacional, sobretudo de produtos manufaturados. Isso garantiria uma espécie de crescimento por inércia, com fortalecimento ainda maior do mercado interno, com manutenção da estabilidade de preços.
Por outro lado, nossa principal fonte de otimismo se dá a partir do potencial exportador de commodities, sobretudo agrícolas. Os preços apresentam-se em um patamar semelhante ao registrado há um ano (outubro de 2007), apesar de alegações de alarmistas de que os preços sofreram enorme redução, tomando-se como base um pico insustentável de abril de 2008.
A notícia mais favorável vem da China. Seu desenvolvimento econômico e social agregou 450 milhões de pessoas em uma camada que consome mais alimentos - e com mais proteínas. Isso resultou diretamente em um expressivo aumento das exportações brasileiras, principalmente soja. Novamente uma questão climática, já que a China vem sofrendo com escassez de água para esse aumento de demanda agrícola, preferindo importar do Brasil.
Atualmente, o governo do país oriental desenvolve um agressivo programa de inclusão social, prevendo trazer a essa nova classe de consumidores de alimentos cerca de 850 milhões de chineses. O atendimento a essa necessidade de grãos poderá ser feita pelo Brasil, único país capaz de responder com agilidade a esses volumes expressivos de comida.
Também em razão de questões ambientais, o Brasil será beneficiado com o mercado da China. O País produz a metade do petróleo chinês, mas o consumo deles é quatro vezes maior, sendo mais dependente externamente dessa fonte de energia. Como resposta, o governo chinês estuda a substituição paulatina da utilização de combustíveis fósseis por renováveis, menos poluentes, sendo os biocombustíveis brasileiros o alvo preferido.
A medida representará um acréscimo importante à pauta exportadora brasileira, sobretudo de etanol. A indústria sucroalcooleira já se movimenta com melhoria nos processos produtivos, expansão de unidades para outros países - sobretudo na África - e práticas de responsabilidade sócio-ambiental dos combustíveis renováveis.
Toda essa nova geração de recursos de exportação contribui para minimizar efeitos de uma desaceleração global, nesse momento de turbulência, implicando para o Brasil o aproveitamento econômico de sua área produtiva e agricultável. *Antonio Carlos Porto Araujo
Reconhecendo o potencial impacto da sua actividade, a indústria de TI tem vindo a adoptar comportamentos mais respeitadores do ambiente, através do reaproveitamento de materiais, da reciclagem de resíduos ou do uso das energias renováveis, entre outros, mostra o “The Green IT Report 2008 - The Computer Equipment Lifecycle Survey”, da Capgemini.
O relatório analisa as credenciais ambientais dos principais fabricantes de hardware, pretendendo mostrar de que forma o mundo empresarial tem respondido à pressão no que respeita às questões do ambiente, tendo em conta todo o ciclo de vida dos produtos - desde o seu fabrico até à eliminação.
O Green Report mostra que as empresas de TI consideram muito importante dar a conhecer as suas credenciais ambientais aos clientes, a fim de aumentar as receitas, por isso têm cada vez mais em consideração todo o ciclo de vida dos produtos - desde o seu fabrico até à eliminação.
Apesar do impacto positivo das iniciativas verdes, espera-se que a pegada de carbono da indústria de TI cresça ainda mais. “No entanto, se isso permite uma maior redução da emissão de carbono nas restantes indústrias, deve ser considerado como um aspecto positivo”, refere a Capgemini.
O estudo indica igualmente existir pouco entendimento no seio da indústria quanto à melhor forma de medir o impacto dos seus produtos no meio ambiente. No entanto, o sector está expectante por uma métrica que avalie os produtos em todo o seu ciclo de vida.
A Capgemini salienta, também, a pouca coerência na forma como as empresas de hardware medem, reportam e direccionam a utilização dos seus recursos.
A EMC, a HP, a IBM e a Sun Microsystems foram os parceiros Capgemini analisados neste estudo. O Google integrou igualmente o rol de empresas avaliadas, apesar de não ser um fabricante, e a Intel também forneceu dados importantes, salienta a consultora num comunicado.
A ética é uma ciência cujo objeto de estudo se perfaz na distinção entre o bem e o mal, entre o que é bom e o que é ruim genericamente para a civilização humana. Difere, entretanto, da moral, que, em seu conteúdo, determina o conjunto de regramentos existentes em uma sociedade específica, podendo ser bons ou ruins de acordo com os costumes e tradições vividas por aquele povo.
Com a ecosustentabilidade, tais conceitos não se desvirtuam, devendo ser interpretados dentro do contexto da relação entre a ambiência e a civilização humana. A ética ambiental se refere a tudo aquilo cuja existência é essencial para a própria sobrevivência do homem, sem a água não há vida, sem a fauna não há alimento, sem a flora não há desenvolvimento, desta forma, a preservação destes é imperiosa para a continuidade da nossa espécie neste planeta. Quanto ao aspecto da moral, a distinção se dá na medida dos costumes e tradições das determinadas sociedades, como exemplo citemos o nosso próprio país, onde o líquido essencial à vida, a água, é abundante, e, portanto, o desperdício é algo cotidiano, pois na mentalidade errônea da maioria não fará falta, já em alguns países do Oriente Médio, onde este recurso natural é escasso, inexiste o mau uso deste por plena necessidade.
A própria vida transcorre em um ambiente de definições genéricas e universais embasadas na ciência ética, moldadas de acordo com os valores costumeiros e morais transcritos no seio de uma determinada sociedade. As matérias ambientais, apesar de acionadas na práxis cotidiana, são originadas no seio da ciência ética, tendo seus princípios como base e fundamentação em uma sociedade moderna, dotada de ordenamentos jurídicos com objetivo de positivar tais enunciados e garantir a aplicabilidade do direito ambiental.
A reflexão baseada na ética e seu compromentimento com a sociedade, cada vez mais presente na ecosustentabilidade, traz à tona , a necessidade premente de uma ordem fundamental ambiental baseado nos conceitos mencionados e dotados de aplicabilidade. A Constituição Federal de 1988, em uma redação vanguardista, trouxe em seu artigo 225 o direito de todo o cidadão brasileiro possuir um meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à qualidade de vida, devendo ao poder público e à coletividade a responsabilidade de preservá- lo. O direito fundamental ao meio ambiente está teoricamente resguardado em nossa carta magna, mas a sua aplicabilidade ainda está longe da realidade necessária.
A legislaçào ambiental e suas normatização possui claras características de norma difusa, coletiva e fundamental, vez que o seu objeto é primordial para a manutenção da vida humana no globo terrestre. Da ciência ética relativa ao meio ambiente, abstrai- se os princípios e conceitos norteadores deste conjunto de regras jurídicas. A não observação das normas e princípios advindos de uma ética ambiental leva a humanidade a conflitos diversos, tendo, em sua maioria, a disputa pela posse dos recursos naturais como pano de fundo, citemos a invasão do Iraque e a disputa pelo petróleo daquela região como inequívoco exemplo.
Por ultimo, depreende- se a importância do tema neste texto, concluindo ser essencial a uniformização da moral de acordo com os conceitos estabelecidos por uma ética ambiental ,visaando uma ecosustentabilidade por parte das empresas que realmnete estao comprometidas. O direito ao meio ambiente sustentavel é parte integrante deste anseio, mas para possuir aplicação prática, somente a conscientização da sociedade,dos governos e das empresas pode fornecer concretude a este conceito , que por enquanto, muitas vezes teórico sem praticidade nehuma,mas somente propaganda enganosa.
* Roberto Azevedo Roche Moreira Junior é consultor ambiental e conselheiro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Recentemente Uberaba recebeu a visita de uma comitiva da Petrobras para tratar de assuntos referentes à elaboração de projetos que possam ser submetidos a esta empresa estatal brasileira, por meio da Prefeitura Municipal.
A Fazu apresentou dois projetos desenvolvidos pelos professores pesquisadores Alexandre Lúcio Bizinoto, Renata Serafim, Enildo Alves Bernardes e José Roberto Delalibera Finzer.
Um dos projetos trata da produção de biofertilizante proveniente do tratamento de vinhaça no processo de destilação de álcool etílico. Segundo Finzer, a vinhaça é produzida numa proporção de 13 litros para cada 1 litro de álcool destilado, representando assim, cerca de 60%, em peso, de todos os resíduos produzidos em uma usina.
Ele explica que “uma alternativa de tratamento e utilização agroindustrial da vinhaça consiste na precipitação dos sólidos, seguido de decantação e secagem da torta decantada, constituindo após a secagem num fertilizante, o que fecha um ciclo no tratamento de resíduos do setor sucroalcooleiro”. O pesquisador diz que esse processo evita que ocorra fermentação do resíduo que é muito usado na fertirrigação com geração de gases prejudiciais ao meio ambiente.
O outro projeto apresentado pelos pesquisadores da Fazu refere-se à produção de biogás a partir dos dejetos da bovinocultura leiteira e utilização na geração de energia elétrica.
No meio rural existem possibilidades de aproveitamento energético dos resíduos agropecuários, principalmente por meio do processo de digestão anaeróbia de dejetos com fins energéticos e ambientais, produzindo biogás, biofertilizante e reduzindo a matéria orgânica poluente. O metano proveniente da fermentação de dejetos, por exemplo, da bovinocultura é 23 vezes mais influente no aquecimento global do que o gás carbônico e assim a digestão anaeróbia, com o aproveitamento do biogás, evita que esse poluente seja lançado na atmosfera.
De acordo com o pesquisador Bizinoto, “nesse sentido é importante o papel das forragens em ambientes tropicais, pois o clima, normalmente favorável ao rápido desenvolvimento vegetal, associado ao manejo adequado das pastagens e ao plantio de forrageiras para consumo no inverno, muito contribuem para o seqüestro do carbono lançado na atmosfera”.
Para o pesquisador, vale também ressaltar a importância da adoção de aditivos na alimentação dos ruminantes que maximizam o aproveitamento dos nutrientes e reduzem a liberação dos gases para o meio ambiente. “Todavia há a necessidade da sensibilização dos produtores quanto à gestão zootécnica adequada das fazendas, pois atividades pecuárias mal planejadas favorecem a degradação das pastagens, limitando o crescimento das plantas e o balanço negativo do carbono”, acrescenta.
No dia 6 de outubro de 2008, o jornal inglês, The Independent, publicou a matéria “Ground-level ozone pollution to increase”. Ela indica que a concentração de ozônio ao nível do solo está causando centenas de mortes por ano no Reino Unido e alterações climáticas poderiam piorar a situação, conforme relatório da Royal Society. Os projetos da Fazu que serão submetidos à Petrobras contribuem para a redução do metano na atmosfera e consequentemente na diminuição da concentração de ozônio na troposfera.
Cogumelos podem se tornar um aliado inesperado na luta contra o aquecimento global, segundo uma pesquisa publicada na revista acadêmica “Global Change Biology”.
Segundo o repórter de meio ambiente da BBC Matt McGrath, havia a expectativa de que à medida que as temperaturas subissem, as florestas do Hemisfério Norte passariam a liberar mais dióxido de carbono, mas a pesquisa realizada por cientistas americanos mostrou o contrário, provavelmente devido à ação dos cogumelos no processo.
As florestas do Hemisfério Norte agem como um depósito vital de dióxido de carbono, absorvendo cerca de 30% da substância contida no solo da Terra.
O aquecimento global deve ter um impacto grande em florestas do Alasca, Canadá e Escandinávia, com a expectativa de que as temperaturas subam em até 7º C até 2100.
Os cientistas acreditavam que um clima mais quente acabasse por fazer com que essas florestas liberassem grande parte do dióxido de carbono que armazenam.
Em um experimento realizado no Alasca, os pesquisadores aumentaram a temperatura do solo em 1º C e descobriram que a liberação de dióxido de carbono caía pela metade se comparada com o que acontece quando o solo está mais frio.
Eles acreditam que cogumelos que crescem no solo dessas florestas podem ajudar a desacelerar a liberação do dióxido de carbono.
Segundo os pesquisadores, os cogumelos secam quando se aquecem e produzem menos CO2.
Segundo McGrath, os cientistas se disseram surpresos com a descoberta, mas dizem que o fenômeno pode contrabalançar parte do dióxido de carbono sendo liberado na atmosfera.
Eles acreditam que processos naturais como esse podem ajudar o mundo a ganhar tempo até que políticas efetivas sejam implementadas.
O diretor-geral do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Marcelo de Carvalho Lopes, afirmou que 1,8 milhão de km² da Amazônia Legal não tem informações cartografias terrestres, o que corresponde a 35% da região, que tem área total de 5,2 milhões de km². Segundo ele, Amazônia, Pará, Amapá, Mato Grosso e parte do Acre, Maranhão e Roraima são as áreas mais desprovidas de cartografia.
Sem essas informações, ficam prejudicadas ações de desenvolvimento regional, geração de informações estratégicas para monitoramento regional, segurança e defesa nacional, especialmente nas áreas de fronteira.
Para acabar com esse vazio cartográfico, o governo brasileiro está fazendo um estudo topográfico inédito da Amazônia com a finalidade estratégica. A radiografia da Amazônia dará suporte para projetos de infra-estrutura, como o traçado de rodovias, de gasoduto e a construção de hidrelétricas, assim como servirá como base de ações militares. Até 2012, serão produzidas 20 mil cartas topográficas da Amazônia Legal.
De acordo com o capitão Fabiano Costa de Almeida, gerente do Projeto Radiografia da Amazônia, do Centro de Imagens Geográficas do Exército (CIGEx), serão produzidas escalas da Amazônia Legal de 1:100.000 e de 1:50.000, propícias para obter informações sobre solo, rios e uso dos terrenos. As escalas atuais são de 1:250.000.
- A necessidade (desse estudo) surgiu naturalmente. Um País tem de ter escalas topográficas nessas dimensões para ajudar no planejamento de ações militares e de construção de estradas e gasodutos, afirmou Almeida.
Iniciado neste ano, o projeto Radiografia da Amazônia é resultado de um acordo entre a Casa Civil e as Forças Armadas. Ele é composto de três subprojetos: cartografia terrestre (executada pela Diretoria de Serviço Geográfico (DSG), com apoio da Força Aérea Brasileira), cartografia geológica (realizada pelo Serviço Geológico do Brasil) e cartografia náutica (executada pela Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha).
- Pela 1º vez vamos ter um mapeamento altimétrico ao nível do solo da região amazônica em regime sistemático, afirmou o capitão Almeida.
- Qualquer grande projeto de infra-estrutura depende de planejamento em cima de carta topográfica (representação de duas dimensões, a primeira referente ao plano e a segunda à altitude), que retrata as informações com precisão. É diferente de pegar imagem do Google Earth (que é menos preciso). Todo o projeto de infra-estrutura parte do estudo da carta, disse.
- Até a década de 90, não tínhamos tecnologia para mapear a Amazônia. O sensoriamento remoto era feito só na faixa visível do espectro eletromagnético (distribuição da intensidade da radiação eletromagnética com relação ao seu comprimento de onda ou freqüência). Os sensores utilizados eram câmeras fotográficas, que são ineficazes e não conseguem interpretar quando há nuvens e queimadas, afirmou Almeida.
As imagens antigas que existem da Amazônia não possibilitam gerar uma carta topográfica (mapa). Elas iam até a copa das árvores. Com as informações altimétricas será possível captar a imagem até o solo.
Para isso, o sensoriamento é feito por radar, que atinge uma freqüência adequada para a obtenção da informação no nível do solo em florestas densas.
- Essa tecnologia foi utilizada para estabelecer o limite preciso dos Estados de Goiás, Bahia, Tocantins e Piauí, comparou Almeida.
Sensoriamento
O sensor radar é colocado em uma aeronave, que faz um vôo sinalizado. Para isso, as nove equipes envolvidas no trabalho precisam de uma comunicação bastante eficiente.
- Nas missões de levantamento de dados para a elaboração das cartas, há grande necessidade de troca de informações, sejam dados, imagens ou mesmo voz. Como a região amazônica é remota e não tem completa infra-estrutura de telecomunicações, a solução oferecida pela Arycom ao CIGEx mostra-se eficaz, disse o capitão Almeida.
Comunicação
O CIGEx, subordinado à Diretoria de Serviço Geográfico (DSG), assinou contrato com a Arycom Comunicação Via Satélite. A empresa fornecerá um pacote de terminais e serviços BGAN, da Inmarsat, além de painéis solares para alimentação do sistema, permitindo sua utilização nas mais remotas áreas da região.
- A tecnologia dos satélites Inmarsat representa o que há de mais avançado em telecomunicações globais, o que permitirá o desempenho adequado para a missão que é realizada pelo Exército brasileiro, seja levando comunicação a pontos remotos, gerando imagens ou levantando de dados, afirmou Svante Hjorth, CEO da Arycom.
Esses serviços de banda larga via satélite são utilizados por indústrias de petróleo, exploração de gás, construção, transporte marítimo, defesa, aviação e diversas entidades governamentais. Essa tecnologia também é utilizada por veículos de comunicação, como a CNN, quando gravam e transmitem reportagens a partir de zonas de guerra, regiões perigosas ou remotas. Muitas ONGs e a Organização das Nações Unidas também utilizam o BGAN em operações de resgate e auxílio a populações afetadas por desastres naturais, em regiões nas quais a rede de telecomunicações foi destruída ou encontra-se seriamente comprometida. O BGAN foi utilizado, por exemplo, no socorro às vítimas do Tsunami na Ásia e do furacão Katrina.