O governador Luis Henrique da Silveira (PMDB) anunciou a maior tragédia da história, mais de 100 vítimas fatais. Estes se somaram às 340 mortes das 5 maiores enchentes ocorridas desde 1974 no Estado. As chuvas torrenciais seriam uma profecia ambientalista, mas mudanças climáticas globais já enviaram o furacão Catarina em 2004, um ciclone extratropical e totalmente inesperado.
Desta vez, uma enorme repercussão na mídia, e pronta resposta governamental, em socorro às vítimas. De lideranças locais à senadora Marina Silva partiram manifestos destacando a ingerência ambiental na escalada dos efeitos da chuva. O silêncio dos políticos da situação a respeito inspirou ainda maior desconfiança. Muito ocupados no socorro às vítimas ou sentem-se comprometidos com o tenebroso panorama instalado.
Os 283 litros despejados num dia em cada metro quadrado de Blumenau parecem ter sido a gota d’água para transbordar a pressão reacionária na política ambiental nacional. A ampla comoção social pode instar uma tomada de consciência dos milhares que sofrem diariamente suas tragédias individuais decorrentes do mau uso do ambiente. Um possível divisor de águas no curso ambientalista brasileiro, pois Santa Catarina serve de alerta dos efeitos da degradação do Planeta que ameaçam todo o Brasil, bem como, em todo o país, ocorrem neste momento fortes ameaças ao meio-ambiente.
BRASÍLIA - Ao comentar o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou esta segunda-feira (8) que o Brasil se apresenta ao mundo como um país “com competência” para diminuir o desmatamento. “Nosso plano tem como objetivo fazer com que haja uma redução progressiva do desmatamento da Amazônia nos próximos dez anos. Já que o desmatamento é a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, queremos reduzir”, disse.
Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele garantiu que o compromisso de reduzir o desmatamento em 40% é “sério” e lembrou que os países desenvolvidos – maiores poluentes – assinaram o Protocolo de Kyoto e, até o momento, não cumpriram as metas estabelecidas.
“Vamos ter policiais para tomar conta da Amazônia. Vamos chamar os prefeitos e os governadores dos estados, junto com o governo federal, porque não é possível a gente controlar tudo a partir de Brasília. Queremos fazer esse debate sobre a questão climática com o mundo dando exemplo daquilo que o Brasil sabe, pode e está fazendo”.
A próxima temporada do reality show norte-americano “Survivor” será ambientada no Brasil, em uma unidade de conservação do Estado do Tocantins conhecida como Jalapão.
As gravações da 18ª temporada do programa começaram no mês passado e se tornaram polêmica na região, que abrange seis municípios em uma área de 34 mil km quadrados.
A chapada do Jalapão é conhecida por suas nascentes, cachoeiras e rios cristalinos e por sua paisagem intocada, de vegetação rasteira e pontuada por dunas.
Produzido pela rede norte-americana CBS, o programa –que já ganhou uma versão nacional na Globo, o “No Limite”– traz os participantes isolados em alguma região do mundo onde disputam entre si e ainda lutam para sobreviver.
Atualmente, o canal pago People&Arts exibe o “Survivor - Guatemala”.
Moradores e a imprensa local reclamam que as filmagens estão prejudicando a área. O programa costuma realizar gincanas em cenários grandiosos, com estruturas complexas com piscinas, morros e fossos. Há também acampamentos onde os participantes têm que morar.
Segundo o jornalista Jaime Júnior, morador de Palmas, cerca de 300 pessoas estão no local, entre equipe de produção e participantes, e foram construídos abrigos e até um posto de combustível na unidade de conservação.
Ele diz ainda que “o acesso à região agora é restrito e controlado pela equipe de gravação”. “O governo afirma que não pode se manifestar sob pena de pagar uma multa no valor de US$ 5 milhões”, conta Jaime.
Sigilo
Em um texto postado em seu blog, a jornalista Fernanda Bruni afirma que “o problema está no desastre ecológico que a equipe está causando na região quando coloca tratores e sistema de esgoto”.
“Além de interditar as dunas do Jalapão colocando placas bilíngües com escritas dizendo ‘Fechado para o público’ e ‘Propriedade Particular’, parece que eles estão tirando dos cofres da emissora mais alguns milhões de dólares para manter a imprensa de boca fechada”, diz o texto da jornalista.
Suzana Barros, assessora da Secretaria de Comunicação do Tocantins, rebate as críticas afirmando que não existe nenhum contrato envolvendo o governo do Estado e a CBS.
“Nada foi assinado em troca das gravações. O governo ganha somente com a mídia espontânea que o programa irá gerar quando for ao ar”, explica.
Segundo a assessoria do governo do Tocantins, o governador e alguns jornalistas que visitaram a área onde as filmagens estão sendo feitas tiveram que assinar um termo de confidencialidade.
“Como é um reality show que ainda será editado, a produtora precisa manter as informações em sigilo para que isso não vaze para o mundo todo”, disse Suzana.
Ainda de acordo com informações da assessoria, o Jalapão não sofreu desmatamentos para que as gravações pudessem acontecer. “Eles gravam em uma área de campo limpo, que não precisou ser alterada por conta das filmagens”, diz a assessora. Segundo ela, a CBS também contratou uma empresa para reparar danos ambientais depois que deixar o local.
“Somente a região onde a gravação acontece é interditada. E os turistas e moradores são avisados com antecedência”, explica Suzana.
O Naturatins, instituto responsável pelas unidades de conservação do Tocantins, entre elas o Jalapão, afirma que a região passou por um licenciamento ambiental antes da gravação e que representantes do órgão fazem um constante monitoramento da região.
Esclarecimentos
No final de novembro, o deputado estadual Marcello Lelis (PV) encaminhou ao governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), um pedido de esclarecimento a respeito dos critérios que envolveram a autorização das filmagens no Jalapão. O pedido, apresentado na Câmara Estadual, foi negado pela bancada do governo e arquivado.
Segundo o assessor de imprensa do deputado, neste final de semana ele irá, acompanhado por uma comitiva da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), até a região das filmagens verificar se o acesso está restrito à equipe de filmagem.
A Petrobras decidiu se desligar do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e afirmou ser vítima de uma campanha difamatória por parte dos governos de São Paulo e Minas Gerais. A briga, que agora tomou viés político, tem como causa o diesel distribuído no país. Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente obrigava que o Brasil tivesse um diesel menos poluente a partir de 2009. Petrobras e montadoras, porém, disseram que não teriam tempo para se adequar à norma, criada em 2002, e acabaram firmando um Termo de Ajustamento de Conduta.
A mobilização pelo cumprimento da resolução foi capitaneada pelo Movimento Nossa São Paulo, liderado por Oded Grajew -que também é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos.
Nota da empresa divulgada ontem diz que a Petrobras “vem sendo alvo de uma campanha articulada com o objetivo de atingir a imagem da companhia e questionar a seriedade e eficiência de sua administração”. E diz ter decidido se desligar do Ethos “por entender que o grupo de pessoas e entidades responsável por essa campanha contra a companhia encontra respaldo no instituto”.
O texto fala, também, que a ação é política e que “o grupo de pessoas que atua de forma deliberada e difamatória contra a Petrobras é composto por integrantes das Secretarias de Meio Ambiente dos Estados de São Paulo e Minas Gerais”, além da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de SP.
Oded Grajew afirma que não pode ser acusado de ação política. “Se tem alguém insuspeito, sou eu. Sempre dei todo o apoio ao [presidente] Lula, eu que abri as portas do mundo empresarial para ele”, afirmou.
O presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, lamentou a decisão. “Queríamos ver a Petrobras enfrentando o problema. Acho que esse é mais um equívoco.” Ele ressaltou que a empresa neste ano foi condenada pelo Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) e excluída da carteira do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BM&F Bovespa. A Folha procurou as secretarias estadual e municipal de meio ambiente de SP, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. A reportagem não conseguiu contato com a secretaria de meio ambiente de MG.
Fonte: Jornal UAI
Em três dias de exibição a I BioNat Expo 2008 recebeu um público aproximado de 15 mil pessoas, visitando os 50 estantes de mostra e degustação, freqüentou as oficinas e assistiu palestras, cases e participou de debates, interessado na tendência mundial de procura por um mercado éticamente sustentável, baseado na cultura orgânica e no respeito pela conservação do planeta. Grupos empresariais e comerciais, também de fora do Estado como o Grupo Pão de Açúcar, interessados em comercializar produtos orgânicos, setores como o de paisagismo, decoração de interiores e da construção civil, hospitalar, vieram conhecer uma producão coerente com a nova tendência mundial e prospectando novos negócios.
A BioNat 2008 realizada no ultimo fim de semana (28 a 30 novembro) nos Armazéns A e B do Cais do Porto Mauá, em Porto Alegre, apresentou I Feira de Produtos Orgânicos, Fitoterápicos e Plantas Medicinais, a I Feira de Orgânicos do Mercosul e de Sustentabilidade Sócio Ambiental. A iniciativa é da diretora executiva da Produtores Sem Fronteira, Vera Marcicano, com experiência de mais de uma década participando da organização de feiras na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos, modelo que trouxe ao primeiro empreendimento do gênero, ao País. Conforme a coordenadora -executiva da Produtores Sem Fronteira, Vera Marcicano, a BioNat Expo que começou pelo Rio grande do Sul “já existem contatos para levar a BioNat à outros estados, como Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília,a partir de 2009″.
O estande da Fundação Gaia, no formato de um caminho que o público ia percorrendo na medida da leitura dos banners com fotos e textos, vídeo, livros e projetos a serem manuseados, o contato com um acervo que conta a trajetória do precursor do ambientalismo, José Lutzenberger. Sandra Severo, do Projeto Gaia Village, recpcionava o público visitante , universitários egrupos de crianças de escolas, dentro do projeto educacional. A vida de Lutz, a luta pela preservação do planeta, a herança de realizações, seus projetos e trabalhos, tem continuidade com a filha Lara Lutzenberger na presidência da Fundação, e seu vice-presidente Franco Werlang e no mundo todo. O caminho de Gaia, percorrido na BioNat, concluía na porta aberta para a apreciação da imagem ampla e real do Rio Guíaba e suas ilhas.
Foram três dias de concorridas as palestras, como a da diretora-superintendente do Grupo Hospital Conceição, Jussara Cony, sobre “A Política Nacional de Plantas Medicinais”; a do médico Ben Hur DaLaporta /Liga Homeopática ,“Tirando Suas Dúvidas Sobre Homeopatia”; Ananta Alano, sobre “Sítio Pé Na Terra, Início e Desenvolvimento, entre outras. Esclarecedores o audiovisual do DMAE e a apresentação sobre “Compostagem Doméstica” ,pelo DMLU. Interessados em Permacultura, procuraram a palestra da Agetea, sobre “Produção Agroecológica Integrada”, a “Conversando com a Diretora Técnica da Emater” com Agueda Marcel Mezomo, e o “Projeto Quintais Orgânicos” no estande da Embrapa, entre outras apresentações
Original, na entrada do Armazém A, o trabalho do professor Walmir G. Schminoff, no formato “Relógio Biológico”, imagens de uma representação de um relógio-jardim com plantas medicinais específicas e relacionadas com as horas do dia e o ritmo de cada órgão do corpo humano. O recurso paisagista, como técnica educacional do professor surpreendeu e fez sucesso.
O espaço “Sala Verde”, aconchegante criado pela arquiteta e designer Mara Giron Gazola, refletia a tendência mundial do telhado-verde, expresso no uso de eco-telhas, fabricadas com placas de resinas da indústria coureiro-calçadista, formando uma espécie de cachepô, leve, abrigando substratos e plantas suculentas. Também pode ser utilizado para revestir paredes e não precisa manutenção. O mobiliário em madeira de restauro, como os dois confortáveis bancos construídos com persianas, pelo arquiteto Gustavo Martinez, o tapete feito em tear com tiras de sobras de couro e as almofadas seguindo a tendência, em algodão e linho. O conjunto e iluminação com velas perfumadas ampliavam um espaço de apenas nove metros quadrados.
Outros estandes expondo acessórios, camisetas, bolsas, criados com resíduos industriais, plantas aromáticas, chás, essências, vinhos, sucos, patês, geléias, pães, bolos, cucas, bolos, bolinhos, petiscos, receitas finamente elaboradas com ingredientes cultivados na agricultura orgânica, que foram degustadas pelos visitantes. Da mesma forma, renderam contatos com comerciantes, varejistas e redes de supermercados, com o Grupo Pão de Açúcar, interessados em fechar negócios com os produtores gaúchos, para lançamento no mercado já no período de Natal. Completando, a Secretaria de Turismo do Estado apresentou uma série roteiros de Turismo Rural, sugestões para um bom período de férias saudáveis.
A Bionat Expo 2008 foi co-organizada pela Secretaria de Turismo do Estado do Rio Grande do Sul, com participação da Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul, Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Associação Biodinâmica do Sul-Abdsul, Programa de Plantas Medicinais do Mercosul-Plansur, Liga Homeopática do Rio Grande do Sul, Embrapa Clima Temperado, Emater/RS, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul-Fetag, Associação Gaúcha dos Professores Técnicos Agrícolas-Agptea, Convention&Visitors Bureau, Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul, entre várias empresas do setor.
Expositores: Fundação Gaia; Projeto Fundação Gaia Village; Associação Arco Íris; Associação dos Agricultores Ecologistas do RGS; Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola-Agptea; Convention&Visitors Bureau; Dekko Com. Ind. Produtos Alimentícios; Departamento Municipal de Água e Esgotos-Dmae; Departamento Municipal de Limpeza Urbana-DMLU; Emater-Empresa Assessoria Técnica e Extenção Rural-RS; Embrapa Clima Temperado; Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RGS - Fetag-RS; Fitos; Grupo Hospitalar Conceição; Liga Homeopática do RS; Lua de Mel; Nutribox; Jornal Bem Estar; Secretaria Municipal do Turismo; Secretaria de Turismo do Estado do RGS: • Sesc - Mesa Brasil; Parceria Verde; Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) - Programa Regional Biocomércio. | www.bionatexpo.com [ Foto: BioNat2008_001 - Lenora Schneider/Turismo RS, Vera Marcicano/Produtores Sem Fronteira, Lara Lutzenberger/ Fundação Gaia. | Crédito da foto: Divulgação BioNat-Gaia/ Franco Werlang]
Uma pesquisa realizada pela Motorola em 12 metrópoles demonstra que a poluição sonora tem dificultado a comunicação via celular, nas ruas e lugares públicos.
Segundo a empresa, o objetivo da análise, divulgada nesta segunda-feira, 01, é entender o quanto as conversas por celular são impactadas pela poluição sonora. Outro propósito do estudo foi detectar a importância para os usuários dos benefícios oferecidos pela Crystal Talk, tecnologia desenvolvida pela Motorola, para melhorar a experiência das ligações.
Para constatar o impacto do barulho no cotidiano dos centros urbanos, a fabricante entrevistou, entre julho e agosto, 7,5 mil pessoas, com idade entre 18 e 87 anos. A pesquisa foi realizada nas seguintes cidades: São Paulo, Nova York, Londres, Paris, Roma, Beijing , Nova Délhi, Mumbai (Índia), Cidade do México, Bangcoc, Berlim e Toronto.
Em São Paulo, 98% dos entrevistados afirmaram que, quando estão em um local público, precisam elevar o volume de voz durante uma conversa pelo celular. Dos usuários paulistanos ouvidos, 92% já tiveram que encerrar uma conversa devido ao excesso de barulho no local.
A mesma questão alcançou 94% em Bangcoc, 85% em Pequim, 77% em Berlim, 89% em Nova Délhi, 72% em Londres, 93% na Cidade do México, 92% em Mumbai, 73% em Nova York, 79% em Roma e 72% em Toronto.
“A tecnologia CrystalTalk utiliza redução de ruído de microfone, melhorias na audição para adaptação aos ruídos e, em alguns produtos, um captador de voz duplo para melhorar a qualidade, a nitidez e a compreensão da fala no aparelho móvel quando o usuário está em um local barulhento”, afirma Joel Clark, diretor de Tecnologia Acústica e de Áudio da Motorola.
A taxa anual de desmatamento da Amazônia divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta sexta-feira (29) é uma das menores registradas desde 1988, quando o instituto começou a fazer a leitura sistemática da devastação da floresta.
A área de florestas derrubadas de 11.968 km² entre agosto de 2007 e julho de 2008 é maior apenas que o índice registrado no mesmo período em 1991 (11.030 km²) e 2007 (11.532 km²). Isso não significa que a área derrubada seja pequena. Para se ter uma idéia, ela equivale a duas vezes o tamanho do Distrito Federal.
Os dados fazem parte do sistema Prodes, que faz o monitoramento anual do desmatamento na Amazônia Legal. Ele tem maior precisão que os dados do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), que é mensal. Ambos se baseiam na análise visual de imagens de satélites por equipes técnicas.
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática começou ontem, em Poznan, na Polônia, com uma notícia que pode esquentar a temperatura das negociações nos próximos dias: a União Européia lançará uma proposta muito ambiciosa para conservar as florestas tropicais e evitar o desmatamento, ao custo de 20 bilhões de euros ao ano.
Esta é a boa surpresa. O outro lado da moeda é o objetivo da União Européia (UE) com as doações que pode fazer aos países donos das florestas. Parece meta de ONG, mas foi Artur Runge-Meztger, representante da UE, quem declarou: ” A idéia é reduzirmos pela metade o desmatamento no mundo em 2020 e ter zero de desmatamento em 2030 ” . Nos próximos dias a proposta será votada pelos países-membros da UE em Bruxelas e aterrissará em Poznan na segunda semana da megaconferência, junto com o alto escalão ministerial dos 190 países presentes.
O Global Forest Carbon Mechanism, como deve se chamar a proposta européia, é um meio trunfo para a diplomacia brasileira. A idéia de um fundo para salvar as florestas sem estar ligado ao mercado de carbono surgiu na Conferência de Nairóbi, em 2007, em discurso da ex-ministra Marina Silva. Foi recebido com ceticismo por quem não acreditava que alguma nação rica colocaria dinheiro como doação para não haver desmatamento, sem ganhar créditos de carbono por isso.
Mas foi assim que o Fundo Amazônia saiu do papel, com dinheiro norueguês e que deve receber U$$ 20 milhões nos próximos dias.
Agora, a proposta européia corre no mesmo trilho. ” É doação, não empréstimo ” , reforça Runge-Meztger, chefe da unidade de clima, ozônio e energia da Comissão Européia, o braço executivo da UE. O problema está na possível contrapartida. ” Exigir zero de desmatamento pode ser interpretado como interferência na soberania dos países ” , comenta um representante da delegação brasileira.
A União Européia não desistiu de ligar a redução de emissões por desmatamento a créditos de carbono. ” Temos uma proposta de meio termo ” , continua o delegado da EU, sem detalhar como funcionaria o outro braço do financiamento a florestas, ligado ao mercado de carbono.
Segundo um relatório da FAO (órgão da ONU para agricultura e alimentos), 13 milhões de hectares de florestas são perdidos por ano no mundo, e o desmatamento responde por 20% das emissões globais de gases-estufa, que causam o aquecimento global.
Poznan pode ser a conferência das florestas. Além da proposta européia, o conceito de REDD - reduções de emissões por desmatamento e degradação - está presente em todas as esferas de discussão da CoP-14, como se chama a reunião de todos os países que assinaram a Convenção de Mudanças Climáticas das Nações Unidas.
São 11 mil pessoas reunidas no centro de convenções de Poznam entre delegados, cientistas e representantes de indústrias e ONGs. A CoP-14 acontece num inverno frio e em plena crise financeira global. ” A crise terá impacto em seu trabalho assim como em muitos aspectos da nossa vida ” , disse na abertura Yvo de Boer, o secretário-executivo da UNFCCC, a convenção do clima. ” A rota entre Poznan e Copenhague tem pela frente trabalho duro e crítico ” , afirmou, citando a próxima CoP, em dezembro de 2009, na Dinamarca, quando se espera assinar um acordo mundial de combate à mudança do clima.
” Só temos um ano. Mesmo se a crise financeira é severa e urgente, não pode ser desculpa para não combatermos a mudança climática ” , disse o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen. ” Esta é uma oportunidade única na vida, de passarmos de uma economia de alto carbono para de baixo carbono ” , continuou. ” Esta é a melhor opção verde, econômica e política ” .
À frente de um grande painel exibindo um campo florido com uma cegonha voando num céu azul meio nublado, o anfitrião do evento avisou ” que o planeta chegou ao limite ” e que o cenário em que as coisas continuam como sempre foram ” não é uma opção ” , disse Maciej Nowicki, ministro polonês do Meio Ambiente e presidente da conferência.
” Grandes secas e enchentes, ciclones com mais poder destrutivo, pandemias de doenças tropicais, um declínio dramático na biodiversidade - tudo isso pode provocar conflitos sociais e até armados, além de migrações de populações em escala sem procedentes ” , prosseguiu Nowicki.
A maior incógnita da reunião é o comportamento da delegação americana. Tanto De Boer como Rasmussen se referiram aos planos declarados do presidente eleito Barack Obama sobre o assunto como ” metas ambiciosas ” . Ele falou em investir US$ 15 bilhões ao ano em energias renováveis e cortar as emissões do país em 2020, aos níveis de 1990 - sendo que elas já cresceram 14%. ” Vocês acham isso ambicioso levando em conta as propostas européias? ” , disparou um jornalista britânico a Runge-Meztger. A UE já se comprometeu com metas de redução de 20% em 2020, podendo chegar a 30%. Ficou sem resposta. Essa provocação remete a um dos pontos delicados do processo: incluir os EUA, segundo maior emissor do planeta, no jogo de corte de emissões sem fazer com que os países ricos já comprometidos queiram rever suas metas.
(Daniela Chiaretti* | Valor Econômico)
Com os pesados investimentos sendo feitos no Primeiro Mundo em pesquisa em nanotecnologia, cientistas andam meio receosos de que as novidades nessa área estejam ocorrendo rápido demais. A preocupação tem a ver com possíveis riscos ao meio ambiente e à saúde, e está motivando testes mais cuidadosos, além de leis e regulamentos mais severos com relação a produtos “nanotech”.
Nanotecnologia tem a ver com o controle da matéria na escala atômica ou molecular, lidando com minúsculas estruturas com tamanhos na ordem de um nanômetro, que equivale à milionésima parte do milímetro. Para ficar mais fácil visualizar a pequeninez dessa medida, se o globo terrestre tivesse um metro de diâmetro, uma bolinha de gude teria um nanômetro de diâmetro. Agora, imagine a complexidade tecnológica de desenvolver materiais e dispositivos em escala tão diminuta.
As aplicações da nanotecnologia incluem mecânica, eletrônica, cosméticos, medicamentos, alimentação, biologia, química, engenharia, robótica, física e por aí vai. Mas nem todos os nanomateriais são suspeitos de causar dano à saúde, muito embora alguns sejam sérios candidatos. O primeiro deles é um material cujo nome é quase um palavrão: buckminsterfulereno, apelidado de buckyball ou buckybola. É uma molécula de carbono com formato esférico, lembrando uma bola de futebol.
Pesquisas recentes patrocinadas pelo governo britânico revelaram que buckybolas podem ser nocivas à saúde por fomentarem a produção excessiva de gordura corporal. Outra nanoestrutura bem famosa são os nanotubos de carbono, que em alguns casos são associados ao risco de câncer no pulmão e de mesotelioma, um tipo de câncer usualmente causado por inalação de amianto.
Descobriu-se também que nanopartículas de prata usadas no tecido de meias para reduzir odores desagradávels (leia-se chulé) são eliminadas na lavagem. Como são bacteriostáticas, essas nanopartículas podem destruir bactérias benignas importantes que têm a função de degradar matéria orgânica em usinas de processamento de lixo.
Além disso, um estudo da Universidade de Rochester, nos EUA, descobriu que nanopartículas inaladas por ratos ficaram alojadas no cérebro e no pulmão, elevando os biomarcadores indicativos de inflamação e estresse.
Há também incertezas quanto ao impacto ambiental causado por essas nanoestruturas, o que vem motivando a realização de análises que infelizmente são muito mais lentas do que a velocidade com que surgem as inovações nesse ramo de pesquisa.
De acordo com um relatório da empresa Lux Research ( tinyurl.com/lux-research ), as grandes corporações têm sido os maiores propulsores da comercialização de produtos nanotech, já tendo despendido mundialmente entre US$ 6,6 bilhões e US$ 13,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. Só este ano a média de gastos das empresas americanas deve chegar a US$ 33 milhões em pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia. A expectativa é que esse total aumente para US$ 39 milhões em 2010.
Poucas grandes corporações, no entanto, vêm tendo sucesso no setor, pois todos os concorrentes ainda estão meio que titubeando quanto às melhores estratégias e estruturas organizacionais a adotar para melhor desenvolver e explorar inovações nanotecnológicas. A pesquisa da Lux entrevistou executivos de 31 multinacionais em três setores da nanotech: manufatura/materiais, eletrônica/TI e saúde/biologia.
Com o surgimento cada vez mais rápido de novos nanomateriais, é possível surjam questões de risco que não poderão ser apreciadas simplesmente tratando-os como misturas de compostos químicos.
Na maioria dos países, a regulamentação ainda é vaga com relação ao uso de nanomateriais e procedimentos envolvendo nanotecnologia em laboratórios e locais de trabalho, e a questões de comercialização e uso de produtos químicos, produtos de consumo incorporando nanopartículas livres, produtos para uso na pele e nos cabelos, além de medicamentos e dispositivos médicos, entre outros materiais.
A criatividade dos cientistas nesse ramo parece não ter limite. Uma equipe de pesquisadores está desenvolvendo uma camisa-geradora, capaz de produzir eletricidade suficiente para alimentar pequenos dispositivos eletrônicos para esportistas, caminhantes e outros usuários cujo movimento físico corporal possa ser convertido em energia elétrica. O invento foi criado no Instituto de Tecnologia da Georgia, nos EUA.
A Rede Globo de Televisão iniciará amanhã, dia 2, uma série de gravações com o professor Altair Sales Barbosa, do Instituto do Trópico Subúmido da Universidade Católica de Goiás, para compor um programa especial da série “Globo Rural”, sobre a importância das veredas para a vida no Cerrado. As gravações, dirigidas pelo repórter Nelson Araújo, serão realizadas nas seguintes localidades: Campus II da UCG, Aparecida de Goiânia, Indiara e Jataí, em Goiás; veredas do Oeste da Bahia; Brasília; Parque Grandes Sertões Veredas e Januária, norte de Minas Gerais.
Participarão das gravações, também, o professor José Hidasi e a bióloga Aparecida de Fátima, ambos do ITS, e os pesquisadores associados do ITS, o médico Josué Mota e o professor Binômino da Costa Lima.
O Instituto do Trópico Subúmido, da UCG, foi escolhido como centro das gravações pelo reconhecimento e repercussão de suas pesquisas sobre o Bioma Cerrado.
Fonte: DM Online