A Rede Globo de Televisão iniciará amanhã, dia 2, uma série de gravações com o professor Altair Sales Barbosa, do Instituto do Trópico Subúmido da Universidade Católica de Goiás, para compor um programa especial da série “Globo Rural”, sobre a importância das veredas para a vida no Cerrado. As gravações, dirigidas pelo repórter Nelson Araújo, serão realizadas nas seguintes localidades: Campus II da UCG, Aparecida de Goiânia, Indiara e Jataí, em Goiás; veredas do Oeste da Bahia; Brasília; Parque Grandes Sertões Veredas e Januária, norte de Minas Gerais.
Participarão das gravações, também, o professor José Hidasi e a bióloga Aparecida de Fátima, ambos do ITS, e os pesquisadores associados do ITS, o médico Josué Mota e o professor Binômino da Costa Lima.
O Instituto do Trópico Subúmido, da UCG, foi escolhido como centro das gravações pelo reconhecimento e repercussão de suas pesquisas sobre o Bioma Cerrado.
Fonte: DM Online

A jaguatirica, espécie do Cerrado, está listada em “vulneráveis” pelo ministério e corre risco de desaparecer nos próximos anos
A Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção aponta que o Cerrado tem 65 animais em risco. Dados fazem parte do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, que tem dois volumes e foi lançado na manhã de ontem pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com a Fundação Biodiversitas, em Brasília. Estavam presentes o ministro Carlos Minc, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias, e outros membros do governo federal.
O Cerrado está presente em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e Distrito Federal. O estudo classifica como “vulnerável”, “em perigo” e “criticamente em perigo” a situação da fauna nacional. Em Goiás, são 18 aves, 6 invertebrados terrestres, 5 de água doce e 13 mamíferos na lista de possível extinção. Os biomas nacionais com mais espécies ameaçadas são Mata Atlântica (269), Cerrado (65) e Amazônia (41).
Considerados “criticamente em perigo” estão as aves pato-mergulhão, rolinha-do-planalto e bicudo. O único inseto é a borboleta, de nome científico heraclides himeros baia. As aves são socó jararaca, caboclinho-de-chapéu-cinzento e caboclinho-de-papo-branco.
Pela classificação adotada, os “vulneráveis”, considerados ameaçados, mas que correm risco menor do que os “criticamente em perigo”, são a maioria das espécies. São 12 aves, três insetos, um invertebrado terrestre e 12 mamíferos, entre eles o lobo-guará, a jaguatirica e a onça-pintada.
A lista inclui anexo no qual estão peixes e animais aquáticos. São cinco as espécies de Goiás encontradas no estudo. O levantamento traz como principais causas para que as espécies estejam ameaçadas de extinção a degradação e a fragmentação do meio ambiente, com ações humanas. Dados completos podem ser consultados pelo site http://www. mma.gov.br/ameacadas.
Um estudo realizado pela ONG Conservação Internacional (CI-Brasil) revela que o cumprimento do código florestal não é suficiente para preservar pelo menos 25% das espécies do Cerrado. Segundo a pesquisa, divulgada ontem durante o II Encontro Internacional sobre Savanas Tropicais, organizado pela Embrapa, em Brasília, pelo menos 340 espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios do Cerrado correm risco de extinção caso a responsabilidade da conservação recaia somente sobre os proprietários rurais da região. Mesmo que todos eles cumpram o determinado pela legislação ambiental,como a manutenção de pelo menos 20% da propriedade como reserva legal, váriasespécies podem ser perdidas.
Segundo , diretor do programaCerrado-Pantanal da CI-Brasil, além do cumprimento do código florestal pelosproprietários rurais, é preciso que regiões importantes para a biodiversidadetambém sejam protegidas para a manutenção da biodiversidade do Cerrado. Semelas, de acordo com Machado, o desenvolvimento econômico ocorrerá de maneira insustentável uma vez que espécies da fauna e da flora que desempenham um importante papel na manutenção do clima, na proteção dos solos, dos rios e de suas nascentes ou na polinização de cultivos e no combate de pragas irão desaparecer. “Somente a manutenção de áreas determinadas pela lei não garante a sustentabilidade do agronegócio”, diz Machado, um dos autoresdo estudo. “O esforço privado deve ser acompanhado da criação, daimplantação e da manutenção de reservas públicas destinadas à conservação da biodiversidade”, avalia.
Uma das alternativas para a exploração econômica sustentável do Cerrado, segundo , gerente do programa Cerrado-Pantanal da CI-Brasil e co-autor do estudo, é manter as áreas nativas e intensificar aprodução nas áreas produtivas. “Sistemas otimizados de produção, empregode tecnologias de ponta e o manejo racional de paisagens são as açõesnecessárias para que se alcance o uso sustentável dos recursos naturais”,diz. Barroso explica que é imprescindível a união de esforços públicos eprivados para a manutenção da biodiversidade do Cerrado.
Planejamento sustentável – O estudo foi realizado com base nos princípios da Biogeografia de Ilhas, que estabelece uma relação matemática entre o tamanho de áreas nativas e a quantidade de espécies que elas podem manter. Segundo Barroso, o levantamento revela que é impossível manter todas as espécies e suas populações em condições saudáveis quando a maior parte da vegetação nativa é suprimida para dar lugarao avanço do agronegócio. “É preciso fazer mais do que a leiprevê”, diz.
Machado explica que o Brasil já tem mapeado quais são as áreas importantes para a conservação da biodiversidade. Segundo ele, bastaria cruzar esse mapa com o mapa de regiões economicamente importantes para que se avalie, de um lado,quais são as oportunidades de conservação existentes e, de outro, quais seriamas áreas produtivas que podem ser consolidadas. “No caso de conflitos, ou seja, de áreas importantes tanto para a conservação quanto para a produção,novos modelos de desenvolvimento que sejam menos agressivos e mais sustentáveis devem ser pensados”, conclui.