O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc anunciou nesta quinta-feira a doação, por parte do governo alemão, de 5 milhões de euros para a compra de equipamentos para a eliminação do gás clorofluorcarbono (CFC) de geladeiras velhas. O composto é responsável pela destruição da camada de ozônio e contribui para o aquecimento global. O Brasil não tem tecnologia para dispensar o gás de forma ecológica.
Atualmente, geladeiras com mais de dez anos de idade descartadas são responsáveis pela liberação desse composto na atmosfera. O material está presente na serpentina e na espuma das geladeiras fabricadas até o ano 2000. O gás presente na serpentina vai direto para o meio ambiente e as espumas vão para aterros sanitários, de onde também emitem o gás tóxico.
O governo vai lançar um edital em outubro ou novembro para a construção de uma fábrica para capturar o gás CFC de geladeiras velhas, estimadas em 11 milhões de unidades. A empresa vencedora receberá os equipamentos comprados com o dinheiro alemão em regime de comodato. Segundo Minc, há mercado para pelo menos três dessas indústrias.
Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) de 1995 proíbe o uso de CFC em equipamentos novos fabricados a partir do ano 2000. Além das geladeiras, aparelhos de ar condionado, aerosóis e espumas têm o gás em sua composição.
O governo estuda ainda um projeto de isenção fiscal para os fabricantes de geladeiras que trocarem um modelo antigo por um novo a preços módicos. A proposta, que terá de passar pelos ministérios de Minas e Energia, Desenvolvimento e Fazenda sugere a redução da cobrança de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O tema ainda envolve, segundo o ministro do Meio Ambiente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o setor privado.
Além de ajudar a derreter calotas polares e aumentar a incidência de câncer de pele, o CFC das geladeiras antigas ainda consomem mais energia. Enquanto um equipamento novo consome, em média, 23kw por mês, um antigo gasta de 50kw a 115 kw por mês. A economia para o consumidor que fizer a conversão, calcula o governo, será de 20% a 30% por mês na conta de luz. A troca das 11 milhões de geladeiras que emitem CFC na atmosfera economizaria, segundo o ministério do Meio Ambiente, 1.000 Mw em energia.
- O Lobão [ministro de Minas e Energia] fica me fretando par ter mais hidrelétrica, hidrelétrica, hidrelétrica, mas vai sair uma hidrelétrica só com geladeira - brincou Minc.
Ele espera que, em até três anos, o Brasil se livre de 1 milhão de geladeiras ecologicamente incorretas por ano. Em 2007 foram trocadas 36.000 geladeiras e este ano estima-se em 50.000 substituições.
Mesmo com o problema com as geladeiras, Minc afirmou que o Brasil cumpriu mais do que o dever de casa na redução de emissão CFC. Segundo ele, o país deixou de emitir, nos últimos dez anos, 360 milhões de toneladas de carbono, decorrentes desse gás. A quantidade corresponde à metade da economia de carbono obtida com 30 anos de Proálcool.