BRASÍLIA - Ao comentar o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou esta segunda-feira (8) que o Brasil se apresenta ao mundo como um país “com competência” para diminuir o desmatamento. “Nosso plano tem como objetivo fazer com que haja uma redução progressiva do desmatamento da Amazônia nos próximos dez anos. Já que o desmatamento é a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, queremos reduzir”, disse.
Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele garantiu que o compromisso de reduzir o desmatamento em 40% é “sério” e lembrou que os países desenvolvidos – maiores poluentes – assinaram o Protocolo de Kyoto e, até o momento, não cumpriram as metas estabelecidas.
“Vamos ter policiais para tomar conta da Amazônia. Vamos chamar os prefeitos e os governadores dos estados, junto com o governo federal, porque não é possível a gente controlar tudo a partir de Brasília. Queremos fazer esse debate sobre a questão climática com o mundo dando exemplo daquilo que o Brasil sabe, pode e está fazendo”.
A próxima temporada do reality show norte-americano “Survivor” será ambientada no Brasil, em uma unidade de conservação do Estado do Tocantins conhecida como Jalapão.
As gravações da 18ª temporada do programa começaram no mês passado e se tornaram polêmica na região, que abrange seis municípios em uma área de 34 mil km quadrados.
A chapada do Jalapão é conhecida por suas nascentes, cachoeiras e rios cristalinos e por sua paisagem intocada, de vegetação rasteira e pontuada por dunas.
Produzido pela rede norte-americana CBS, o programa –que já ganhou uma versão nacional na Globo, o “No Limite”– traz os participantes isolados em alguma região do mundo onde disputam entre si e ainda lutam para sobreviver.
Atualmente, o canal pago People&Arts exibe o “Survivor - Guatemala”.
Moradores e a imprensa local reclamam que as filmagens estão prejudicando a área. O programa costuma realizar gincanas em cenários grandiosos, com estruturas complexas com piscinas, morros e fossos. Há também acampamentos onde os participantes têm que morar.
Segundo o jornalista Jaime Júnior, morador de Palmas, cerca de 300 pessoas estão no local, entre equipe de produção e participantes, e foram construídos abrigos e até um posto de combustível na unidade de conservação.
Ele diz ainda que “o acesso à região agora é restrito e controlado pela equipe de gravação”. “O governo afirma que não pode se manifestar sob pena de pagar uma multa no valor de US$ 5 milhões”, conta Jaime.
Sigilo
Em um texto postado em seu blog, a jornalista Fernanda Bruni afirma que “o problema está no desastre ecológico que a equipe está causando na região quando coloca tratores e sistema de esgoto”.
“Além de interditar as dunas do Jalapão colocando placas bilíngües com escritas dizendo ‘Fechado para o público’ e ‘Propriedade Particular’, parece que eles estão tirando dos cofres da emissora mais alguns milhões de dólares para manter a imprensa de boca fechada”, diz o texto da jornalista.
Suzana Barros, assessora da Secretaria de Comunicação do Tocantins, rebate as críticas afirmando que não existe nenhum contrato envolvendo o governo do Estado e a CBS.
“Nada foi assinado em troca das gravações. O governo ganha somente com a mídia espontânea que o programa irá gerar quando for ao ar”, explica.
Segundo a assessoria do governo do Tocantins, o governador e alguns jornalistas que visitaram a área onde as filmagens estão sendo feitas tiveram que assinar um termo de confidencialidade.
“Como é um reality show que ainda será editado, a produtora precisa manter as informações em sigilo para que isso não vaze para o mundo todo”, disse Suzana.
Ainda de acordo com informações da assessoria, o Jalapão não sofreu desmatamentos para que as gravações pudessem acontecer. “Eles gravam em uma área de campo limpo, que não precisou ser alterada por conta das filmagens”, diz a assessora. Segundo ela, a CBS também contratou uma empresa para reparar danos ambientais depois que deixar o local.
“Somente a região onde a gravação acontece é interditada. E os turistas e moradores são avisados com antecedência”, explica Suzana.
O Naturatins, instituto responsável pelas unidades de conservação do Tocantins, entre elas o Jalapão, afirma que a região passou por um licenciamento ambiental antes da gravação e que representantes do órgão fazem um constante monitoramento da região.
Esclarecimentos
No final de novembro, o deputado estadual Marcello Lelis (PV) encaminhou ao governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), um pedido de esclarecimento a respeito dos critérios que envolveram a autorização das filmagens no Jalapão. O pedido, apresentado na Câmara Estadual, foi negado pela bancada do governo e arquivado.
Segundo o assessor de imprensa do deputado, neste final de semana ele irá, acompanhado por uma comitiva da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), até a região das filmagens verificar se o acesso está restrito à equipe de filmagem.
Uma pesquisa realizada pela Motorola em 12 metrópoles demonstra que a poluição sonora tem dificultado a comunicação via celular, nas ruas e lugares públicos.
Segundo a empresa, o objetivo da análise, divulgada nesta segunda-feira, 01, é entender o quanto as conversas por celular são impactadas pela poluição sonora. Outro propósito do estudo foi detectar a importância para os usuários dos benefícios oferecidos pela Crystal Talk, tecnologia desenvolvida pela Motorola, para melhorar a experiência das ligações.
Para constatar o impacto do barulho no cotidiano dos centros urbanos, a fabricante entrevistou, entre julho e agosto, 7,5 mil pessoas, com idade entre 18 e 87 anos. A pesquisa foi realizada nas seguintes cidades: São Paulo, Nova York, Londres, Paris, Roma, Beijing , Nova Délhi, Mumbai (Índia), Cidade do México, Bangcoc, Berlim e Toronto.
Em São Paulo, 98% dos entrevistados afirmaram que, quando estão em um local público, precisam elevar o volume de voz durante uma conversa pelo celular. Dos usuários paulistanos ouvidos, 92% já tiveram que encerrar uma conversa devido ao excesso de barulho no local.
A mesma questão alcançou 94% em Bangcoc, 85% em Pequim, 77% em Berlim, 89% em Nova Délhi, 72% em Londres, 93% na Cidade do México, 92% em Mumbai, 73% em Nova York, 79% em Roma e 72% em Toronto.
“A tecnologia CrystalTalk utiliza redução de ruído de microfone, melhorias na audição para adaptação aos ruídos e, em alguns produtos, um captador de voz duplo para melhorar a qualidade, a nitidez e a compreensão da fala no aparelho móvel quando o usuário está em um local barulhento”, afirma Joel Clark, diretor de Tecnologia Acústica e de Áudio da Motorola.
A taxa anual de desmatamento da Amazônia divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta sexta-feira (29) é uma das menores registradas desde 1988, quando o instituto começou a fazer a leitura sistemática da devastação da floresta.
A área de florestas derrubadas de 11.968 km² entre agosto de 2007 e julho de 2008 é maior apenas que o índice registrado no mesmo período em 1991 (11.030 km²) e 2007 (11.532 km²). Isso não significa que a área derrubada seja pequena. Para se ter uma idéia, ela equivale a duas vezes o tamanho do Distrito Federal.
Os dados fazem parte do sistema Prodes, que faz o monitoramento anual do desmatamento na Amazônia Legal. Ele tem maior precisão que os dados do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), que é mensal. Ambos se baseiam na análise visual de imagens de satélites por equipes técnicas.
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática começou ontem, em Poznan, na Polônia, com uma notícia que pode esquentar a temperatura das negociações nos próximos dias: a União Européia lançará uma proposta muito ambiciosa para conservar as florestas tropicais e evitar o desmatamento, ao custo de 20 bilhões de euros ao ano.
Esta é a boa surpresa. O outro lado da moeda é o objetivo da União Européia (UE) com as doações que pode fazer aos países donos das florestas. Parece meta de ONG, mas foi Artur Runge-Meztger, representante da UE, quem declarou: ” A idéia é reduzirmos pela metade o desmatamento no mundo em 2020 e ter zero de desmatamento em 2030 ” . Nos próximos dias a proposta será votada pelos países-membros da UE em Bruxelas e aterrissará em Poznan na segunda semana da megaconferência, junto com o alto escalão ministerial dos 190 países presentes.
O Global Forest Carbon Mechanism, como deve se chamar a proposta européia, é um meio trunfo para a diplomacia brasileira. A idéia de um fundo para salvar as florestas sem estar ligado ao mercado de carbono surgiu na Conferência de Nairóbi, em 2007, em discurso da ex-ministra Marina Silva. Foi recebido com ceticismo por quem não acreditava que alguma nação rica colocaria dinheiro como doação para não haver desmatamento, sem ganhar créditos de carbono por isso.
Mas foi assim que o Fundo Amazônia saiu do papel, com dinheiro norueguês e que deve receber U$$ 20 milhões nos próximos dias.
Agora, a proposta européia corre no mesmo trilho. ” É doação, não empréstimo ” , reforça Runge-Meztger, chefe da unidade de clima, ozônio e energia da Comissão Européia, o braço executivo da UE. O problema está na possível contrapartida. ” Exigir zero de desmatamento pode ser interpretado como interferência na soberania dos países ” , comenta um representante da delegação brasileira.
A União Européia não desistiu de ligar a redução de emissões por desmatamento a créditos de carbono. ” Temos uma proposta de meio termo ” , continua o delegado da EU, sem detalhar como funcionaria o outro braço do financiamento a florestas, ligado ao mercado de carbono.
Segundo um relatório da FAO (órgão da ONU para agricultura e alimentos), 13 milhões de hectares de florestas são perdidos por ano no mundo, e o desmatamento responde por 20% das emissões globais de gases-estufa, que causam o aquecimento global.
Poznan pode ser a conferência das florestas. Além da proposta européia, o conceito de REDD - reduções de emissões por desmatamento e degradação - está presente em todas as esferas de discussão da CoP-14, como se chama a reunião de todos os países que assinaram a Convenção de Mudanças Climáticas das Nações Unidas.
São 11 mil pessoas reunidas no centro de convenções de Poznam entre delegados, cientistas e representantes de indústrias e ONGs. A CoP-14 acontece num inverno frio e em plena crise financeira global. ” A crise terá impacto em seu trabalho assim como em muitos aspectos da nossa vida ” , disse na abertura Yvo de Boer, o secretário-executivo da UNFCCC, a convenção do clima. ” A rota entre Poznan e Copenhague tem pela frente trabalho duro e crítico ” , afirmou, citando a próxima CoP, em dezembro de 2009, na Dinamarca, quando se espera assinar um acordo mundial de combate à mudança do clima.
” Só temos um ano. Mesmo se a crise financeira é severa e urgente, não pode ser desculpa para não combatermos a mudança climática ” , disse o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen. ” Esta é uma oportunidade única na vida, de passarmos de uma economia de alto carbono para de baixo carbono ” , continuou. ” Esta é a melhor opção verde, econômica e política ” .
À frente de um grande painel exibindo um campo florido com uma cegonha voando num céu azul meio nublado, o anfitrião do evento avisou ” que o planeta chegou ao limite ” e que o cenário em que as coisas continuam como sempre foram ” não é uma opção ” , disse Maciej Nowicki, ministro polonês do Meio Ambiente e presidente da conferência.
” Grandes secas e enchentes, ciclones com mais poder destrutivo, pandemias de doenças tropicais, um declínio dramático na biodiversidade - tudo isso pode provocar conflitos sociais e até armados, além de migrações de populações em escala sem procedentes ” , prosseguiu Nowicki.
A maior incógnita da reunião é o comportamento da delegação americana. Tanto De Boer como Rasmussen se referiram aos planos declarados do presidente eleito Barack Obama sobre o assunto como ” metas ambiciosas ” . Ele falou em investir US$ 15 bilhões ao ano em energias renováveis e cortar as emissões do país em 2020, aos níveis de 1990 - sendo que elas já cresceram 14%. ” Vocês acham isso ambicioso levando em conta as propostas européias? ” , disparou um jornalista britânico a Runge-Meztger. A UE já se comprometeu com metas de redução de 20% em 2020, podendo chegar a 30%. Ficou sem resposta. Essa provocação remete a um dos pontos delicados do processo: incluir os EUA, segundo maior emissor do planeta, no jogo de corte de emissões sem fazer com que os países ricos já comprometidos queiram rever suas metas.
(Daniela Chiaretti* | Valor Econômico)
De agosto de 2007 a julho de 2008, o Brasil desmatou 11.968 km2 de florestas na Amazônia Legal. Esse é o dado do desmatamento anual divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número representa um aumento de 3,8% em relação ao desmatamento verificado no ano anterior, indicando uma quebra na tendência de reduções da taxa verificada desde o período 2004-2005. É um indício de que ainda é necessário rever e ampliar os esforços para conter o desmatamento, tornando-os mais sistêmicos, integrados e estratégicos.
Entre agosto de 2006 e julho de 2007, a taxa de desmatamento foi de 11.532 km2, 18% menor do que o desmatamento medido entre 2005 e 2006. Essa relativa estabilidade da taxa de desmatamento neste último ano contrasta com algumas expectativas de maior aumento associado ao aquecimento do mercado de commodities agrícolas pré-crise econômica. Parte dessa tendência está associada às ações implementadas pelo governo federal desde o final de 2007, que passou a envolver mais o setor produtivo no esforço de redução do desmatamento.
As principais ações do governo foram a restrição do crédito para propriedades que não comprovem conformidade com as regras ambientais (reserva legal, área de preservação permanente, autorização de desmatamento etc.) e fundiárias (propriedade legalizada), além do fortalecimento e foco mais concentrado nas ações de fiscalização e do compartilhamento de responsabilidades com estados e municípios. “A restrição de crédito coíbe efeitos ligados à grilagem de terra, principal responsável direto específico pelo desmatamento na Amazônia”, afirma a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.
Para Denise Hamú, no entanto, “um desmatamento equivalente a duas vezes o tamanho do Distrito Federal é preocupante, uma vez que o WWF-Brasil defende o que foi estabelecido pelo Pacto pela Valorização da Floresta Amazônica e Redução do Desmatamento, que propõe ações concretas e conclama esforços governamentais e de toda a sociedade para reduzir a zero o desmatamento em sete anos”. O Pacto é uma iniciativa de um conjunto de ONGs e as ações propostas têm custo estimado em R$ 1 bilhão por ano, relativamente barato se comparado a outros gastos governamentais ou investimentos e principalmente se comparado aos custos sociais (secas, enchentes, mortes, dificuldades econômicas etc.) que o desmatamento impõe a todos.
A secretária-geral do WWF-Brasil afirma ainda que é necessário adotar uma estratégia mais ampla de conservação. “Defendemos a definição de metas claras de redução no desmatamento, além de mecanismos econômicos e tributários que incentivem a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e desestimulem as práticas predatórias”, afirma.
Florestas e o clima
O desmatamento e as queimadas são responsáveis por 75% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa e, por causa da falta de cuidado com nossas florestas, o Brasil é o quarto colocado no ranking dos maiores contribuintes para o aquecimento do planeta.
As florestas armazenam carbono, refletem calor, ajudam a reter a água da chuva e trazem vários outros benefícios para os seres humanos e o meio ambiente. Por isso, a maioria dos cientistas que estudam o clima do planeta afirma que para evitar o aumento do aquecimento global é fundamental que o desmatamento seja detido.
Com a diminuição das taxas de desmatamento na região amazônica ocorrida nos últimos dois anos, a adoção de metas de redução das emissões pelo Brasil é factível. O estabelecimento de metas para redução de emissões oriundas do desmatamento colocaria o Brasil em posição de vanguarda nas negociações internacionais sobre clima, que ocorrerão em dezembro em Poznan, Polônia.
O superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, explica, ainda, que as ações de combate ao desmatamento devem seguir quatro eixos. O primeiro é a proteção efetiva de florestas, por meio da criação e implementação de unidades de conservação. O segundo é a promoção do uso sustentável dos recursos naturais, desenvolvendo capacidades nos estados para a gestão florestal. Em seguida, vêm as ações de fiscalização, para enfrentar ameaças de atividades ilegais associadas, por exemplo, à grilagem de terras, ao agronegócio e a grandes obras de infra-estrutura. Por último, estão as ações de compensação financeira para quem proteger a floresta,
“Reconhecemos algumas ações positivas do governo federal, mas defendemos algumas melhorias, particularmente a manutenção do processo de criação de unidades de conservação, um maior esforço na implementação das unidades já criadas, com alocação e formação de equipes para a gestão das áreas, e a implementação efetiva da nova política florestal, com o desenvolvimento de capacidades nos estados para a gestão florestal”, afirma Scaramuzza.
Fundo Amazônia
O Fundo Amazônia, criado pelo governo em agosto deste ano, é uma importante política de viabilização do eixo de compensação financeira para quem protege a floresta. No entanto o WWF-Brasil defende que a aplicação dos recursos contemple a ponta da cadeia. “É imprescindível que os recursos cheguem ao terreno, por exemplo, às comunidades locais, proprietários de terras e áreas protegidas”, afirma Scaramuzza. “Esperamos que a execução do Fundo Amazônia estimule a inovação, a criatividade, a experimentação e o envolvimento da sociedade civil, e que seja complementado por recursos públicos, em lugar de ser sugado para preencher lacunas de programas governamentais”, completa.
A 14ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que será realizada de 1º a 12 de dezembro em Poznan (Polônia), faz parte de uma agenda que começou com a Eco-92, no Rio de Janeiro - um calendário voltado para a luta contra o aquecimento global.
Seguem as principais etapas deste combate nos âmbitos científico e diplomático:
- 1988: Criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC em inglês), pela Organização Meteorólogica Mundial e o Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas a pedido do G7 (os sete países mais industrializados). O IPCC nasceu da percepção de que a ação humana poderia estar exercendo uma forte influência sobre o clima do planeta e que era necessário acompanhar esse processo.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas é, hoje, um órgão composto por delegações de 130 governos para prover avaliações regulares sobre a mudança climática.
- 1990: O IPCC tem publicado diversos documentos e pareceres técnicos. O primeiro Relatório de Avaliação sobre o Meio Ambiente (Assessment Report, ou simplesmente AR) foi publicado em 1990 e reuniu argumentos em favor da criação da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC), a instância em que os governo negociam políticas referentes à mudança climática. Seguiram-se outros relatórios divulgados em 1995, 2001 e 2007 - confirmando a responsabilidade humana no aumento do efeito estufa responsável pelo aquecimento constatado no século XX, sobretudo através da emissão de gases como o dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e metano (CH4).
- 1992: Adoção no Rio da da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC) pela qual os 192 Estados participantes, hoje signatários, se declaravam “resolvidos a preservar o sistema climático para as gerações presentes e futuras”.
- 1997: Conclusão do Protocolo de Kyoto ratificado por 183 Estados. Entrando em vigor em fevereiro de 2005, impõe a 37 países industrializados e à União Européia objetivos de reduções das emissões dos seis principais gases de efeito estufa entre eles o CO2, além do metano, óxido nitroso e outros três gases fluorados (HFC, PFC, SF6) no período 2008-2012.
- 2001: Os Estados Unidos, responsáveis por um quarto das emissões mundiais dos Gases de Efeito Estufa, rejeitam o Protocolo de Kyoto que consideram muito caro para a sua economia e “injusto”, uma vez que nem a China nem os grandes países emergentes se submeteram às obrigações de redução desses gases.
Os Estados Unidos são hoje o único país industrializado a não ter ratificado o protocolo de Kyoto.
- 2007: O 4º relatório do IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas. Nesse cenário, um terço das espécies do planeta estaria ameaçada. Populações estariam mais vulneráveis a doenças e desnutrição.
O grupo também calcula que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a engrossar o fluxo dos chamados refugiados ambientais - pessoas que são obrigadas a deixar o local onde vivem em conseqüência da piora do meio ambiente.
A estimativa do IPCC é de que mais de 1 bilhão de pessoas poderia ficar sem água potável por conta do derretimento do gelo no topo de cordilheiras importantes, como o Himalaia e os Andes.
- No segundo relatório, o IPCC alerta que partes da Amazônia podem virar savana. Segundo os cientistas que participaram da elaboração do documento, entre 10% e 25% da floresta poderia desaparecer até 2080, com 50% de possibilidade de que a maior floresta tropical do mundo se transforme parcialmente em cerrado. O Nordeste brasileiro poderia ver, no pior cenário, até 75% de suas fontes de água desaparecerem até 2050. Os manguezais também seriam afetados pela elevação do nível da água. Entretanto, por falta de dados fornecidos por países emergentes, as conclusões do IPCC são menos incisivas nas chamadas “questões regionais.
Vinte dias depois da denúncia da organização não-governamental (ONG) internacional Greenpeace, de que moradores do povoado de Juazeiro, no município de Caetité, a 759 quilômetros a oeste de Salvador, estavam consumindo água contaminada por urânio, o governo da Bahia confirmou hoje a situação.
Em nota, o Instituto de Gestão de Águas e Clima (Ingá), da Secretaria do Meio Ambiente do governo estadual, informou que, a partir da denúncia, coletou material de sete poços utilizados para obtenção de água pela população. Em um dos poços foi constatada concentração maior do mineral radiativo do que o permitido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Em outros dois foram encontradas concentrações “toleráveis” de urânio e, nas quatro restantes, não houve ocorrência do mineral.
O Ingá informou que a análise ainda é preliminar, mas que o poço foi interditado pela Defesa Civil e que as famílias que faziam uso da fonte terão a saúde monitorada, com o acompanhamento da Secretaria Estadual da Saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o contato com urânio por humanos poderia causar o desenvolvimento de cânceres e anomalias fetais. O fornecimento de água a elas será feito por carros-pipa.
De acordo com o Greenpeace, a contaminação seria resultado da atuação da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) na região, onde mantém um grande campo de exploração e beneficiamento de urânio. A direção da INB nega. “Fazemos análises sistemáticas de nossas operações, em 50 pontos ao redor da mina, e não há nada de irregular”, afirmou o diretor de Recursos Naturais da INB, Otto Bittencourt Neto. “A região toda conta com o minério em seu subsolo. É possível que alguém tenha aberto um poço em uma área de ocorrência de urânio.”
O Ministério Público foi acionado para ajudar nas investigações. “Ainda não é possível afirmar se os resultados são provocados pela atividade de mineração da INB ou se é natural, por causa da presença do mineral no solo da região”, disse o diretor-geral do Ingá, Julio César Rocha.
O secretário nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski, disse nesta terça-feira que R$ 28,5 bilhões, previstos no Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC) estão contratados ou em fase de contração para obras de saneamento básico no país.
Segundo ele, 90% das obras previstas estarão concluídas até 2010. Ele disse que uma pesquisa feita em 2000 já indicava a necessidade de investimento de R$ 180 bilhões para resolver o problema, mas que a estimativa é fechar o governo Lula com investimento de R$ 60 bilhões no setor.
- Se os próximos governantes continuarem nesse ritmo, em 16 anos o saneamento estará universalizado no país - disse o secretário, afirmando que, atualmente, 50% de todo o esgoto produzido é coletado e 32%, tratado.
Segundo uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, se mantidos os atuais níveis de investimentos no setor, de 0,22% do Produto Interno Bruto (PIB), o serviço de saneamento básico chegará a 100% da população apenas em 2122 -daqui a 114 anos. A pesquisa “Trata Brasil Saneamento e Saúde”, coordenada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra, porém, que a situação pode ser resolvida se mantida a meta do governo federal de investir, através do PAC, R$ 10 bilhões ao ano nos próximos 20 anos.
Recentemente Uberaba recebeu a visita de uma comitiva da Petrobras para tratar de assuntos referentes à elaboração de projetos que possam ser submetidos a esta empresa estatal brasileira, por meio da Prefeitura Municipal.
A Fazu apresentou dois projetos desenvolvidos pelos professores pesquisadores Alexandre Lúcio Bizinoto, Renata Serafim, Enildo Alves Bernardes e José Roberto Delalibera Finzer.
Um dos projetos trata da produção de biofertilizante proveniente do tratamento de vinhaça no processo de destilação de álcool etílico. Segundo Finzer, a vinhaça é produzida numa proporção de 13 litros para cada 1 litro de álcool destilado, representando assim, cerca de 60%, em peso, de todos os resíduos produzidos em uma usina.
Ele explica que “uma alternativa de tratamento e utilização agroindustrial da vinhaça consiste na precipitação dos sólidos, seguido de decantação e secagem da torta decantada, constituindo após a secagem num fertilizante, o que fecha um ciclo no tratamento de resíduos do setor sucroalcooleiro”. O pesquisador diz que esse processo evita que ocorra fermentação do resíduo que é muito usado na fertirrigação com geração de gases prejudiciais ao meio ambiente.
O outro projeto apresentado pelos pesquisadores da Fazu refere-se à produção de biogás a partir dos dejetos da bovinocultura leiteira e utilização na geração de energia elétrica.
No meio rural existem possibilidades de aproveitamento energético dos resíduos agropecuários, principalmente por meio do processo de digestão anaeróbia de dejetos com fins energéticos e ambientais, produzindo biogás, biofertilizante e reduzindo a matéria orgânica poluente. O metano proveniente da fermentação de dejetos, por exemplo, da bovinocultura é 23 vezes mais influente no aquecimento global do que o gás carbônico e assim a digestão anaeróbia, com o aproveitamento do biogás, evita que esse poluente seja lançado na atmosfera.
De acordo com o pesquisador Bizinoto, “nesse sentido é importante o papel das forragens em ambientes tropicais, pois o clima, normalmente favorável ao rápido desenvolvimento vegetal, associado ao manejo adequado das pastagens e ao plantio de forrageiras para consumo no inverno, muito contribuem para o seqüestro do carbono lançado na atmosfera”.
Para o pesquisador, vale também ressaltar a importância da adoção de aditivos na alimentação dos ruminantes que maximizam o aproveitamento dos nutrientes e reduzem a liberação dos gases para o meio ambiente. “Todavia há a necessidade da sensibilização dos produtores quanto à gestão zootécnica adequada das fazendas, pois atividades pecuárias mal planejadas favorecem a degradação das pastagens, limitando o crescimento das plantas e o balanço negativo do carbono”, acrescenta.
No dia 6 de outubro de 2008, o jornal inglês, The Independent, publicou a matéria “Ground-level ozone pollution to increase”. Ela indica que a concentração de ozônio ao nível do solo está causando centenas de mortes por ano no Reino Unido e alterações climáticas poderiam piorar a situação, conforme relatório da Royal Society. Os projetos da Fazu que serão submetidos à Petrobras contribuem para a redução do metano na atmosfera e consequentemente na diminuição da concentração de ozônio na troposfera.