Archive for the ‘Poluição Atmosférica’ Category

A partir 1º de janeiro de 2009, passa a ser obrigatória a utilização do diesel S50 - com 50 partes por milhão de enxofre - somente nas frotas cativas de ônibus urbanos dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro, e não em todos os veículos diesel de todo o País, como previa resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 2002. A indústria automobilística e a Petrobrás alegam que não tiveram tempo de se adaptar à nova norma.  Já o diesel usado nas demais frotas nacionais poderá ter até 1.800 ppm de enxofre, ante os 2.000 ppm atuais.

Com o novo acordo, só a partir de 2011 que a obrigação passará a valer de forma mais ampla, e ainda assim apenas para as cidades de Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e para as regiões metropolitanas de São Paulo, da Baixada Santista, Campinas, São José dos Campos e Rio de Janeiro.

A decisão é parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado na madrugada desta quinta-feira, 30, na presença do Ministério Público Federal (MPF), entre o governo federal e representantes da Petrobrás, da Fecombustível, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do governo do Estado de São Paulo, da Anfavea e das montadoras de motores.

O ajustamento de conduta teve de ser fechado como parte das compensações pelo descumprimento da resolução original.

Pelo acordo firmado, a Petrobrás, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, substituirá totalmente a oferta do diesel atualmente utilizado, com 2 mil partes por milhão (ppm) de enxofre, por um novo diesel que conterá 1.800 ppm. E a partir de janeiro de 2014, será totalmente substituída a oferta de diesel com 1800 ppm de enxofre por um com 500 ppm.

Os fabricantes de veículos deverão apresentar até 2012 relatório de valores das emissões de dióxido de carbono e de aldeídos totais dos veículos pesados a diesel. Também deverão atender aos novos limites máximos de emissão de poluentes a serem elaborados e deliberados pelo Conama, em uma nova resolução.

Ao governo, representado pelo Ibama, caberá apresentar proposta de resolução com pedido de urgência ao Conama para disciplinar uma nova etapa para limites de emissão de poluentes por veículos leves comerciais movidos a diesel.

Em setembro, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, havia afirmado que, a partir de 2009, somente veículos com motores adaptados para usar combustível S50 seriam licenciados. “Quem não cumprir que se entenda com a Justiça”, afirmara o ministro.

“Eles aceitaram a proposta da Petrobrás e da Anfavea”, lamentou Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. Grajew afirma que Minc havia assumido o compromisso de se reunir com representantes da sociedade civil antes de assinar o TAC.

“Infelizmente, fizeram isso de madrugada e sem a participação dos principais interessados.” Ele também questionou a atuação do MPF no caso.

O Conama aprovou ainda resolução que antecipa para 2012 a adoção do diesel S10 (com 10 ppm de enxofre) no abastecimento de veículos pesados - ônibus e caminhões - no Brasil.



Desmistificando o papel de vilão dos combustíveis fósseis na emissão de gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa, a mestre em Direito Ambiental e consultora da Axia Ambiental Larissa Schimidt explicou nesta sexta-feira (24/10) que 75% das emissões de gases poluentes no Brasil vêm de atividades ligadas à agricultura.

Ela ministrou a palestra “Aquecimento Global - Adaptação ou Mitigação” durante o IV Seminário Internacional de Direito, Águas, Energia, Aquecimento Global e Seus Impactos na Agricultura e o V Seminário de Águas do Mato Grosso do Sul, na Assembléia Legislativa.

“O Brasil está lá atrás quando se fala em emissão por queima de combustíveis fósseis, mas é o quarto ou quinto País do mundo na emissão relacionada ao uso da terra”, disse Larissa.

Segundo ela, investimentos históricos equivocados contribuíram para a degradação ambiental, sobretudo na Amazona e no Cerrado. Lembrou que tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa alterar o artigo 225 da Constituição, reconhecendo o cerrado e a caatinga como Patrimônios Históricos Nacionais.

“O não reconhecimento, na elaboração da Constitução, comprova que não havia na época qualquer preocupação com essas áreas. Mas a partir desse reconhecimento, esperamos que sejam executadas ações mais concretas em favor do meio ambiente”, afirmou a consultora.

Larissa alertou que 90% das ações predatórias que resultam no efeito estufa têm o homem como agente. “O aquecimento global, já em curso, terá um ciclo de agravamento preocupante até 2050, por isso as ações preventivas devem ser tomadas o quanto antes na intenção de minimizar os efeitos”, disse.

Entre as medidas consideradas urgentes, ela aponta a intensificação da fiscalização de ações ilegais, como queimadas e desflorestamento. “Não temos problemas com a legislação brasileira, que é muito boa, mas falta reforçar o combate às ações ilegais”, ressaltou.



Oct
15
Filed Under (Poluição Atmosférica, Saúde) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

A poluição já mata mais do que a Aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo. Paulo Saldiva, médico do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, afirma que uma única medida, a redução da liberação de enxofre pelo óleo diesel usado pelos veículos, pode evitar 150 mortes por ano - pouco menos que o número total de vítimas de Aids na cidade de São Paulo, que chegaram a 232 em 2007, por exemplo.

Segundo estudos do laboratório, as doenças provocadas pela poluição, que vão de problemas respiratórios a enfartos, causam cerca de 9 mortes por dia na capital paulista. Por ano, são cerca de 3,5 mil óbitos. Na capital, o trânsito causou em todo o ano de 2007, 1.352 mortes de acordo com dados da secretaria municipal de Saúde. Somados, no ano passado, a Aids e o trânsito mataram 1.624 pessoas na cidade.

Segundo estimativa do laboratório, a região metropolitana de São Paulo gasta por ano US$ 1,5 bilhão para tratar as doenças causadas pela poluição do ar. De acordo com o professor, os gastos levam em conta custos de internação e tratamento por doenças causadas ou agravadas pela poluição e também a redução de cerca de um ano e meio da expectativa de vida da população economicamente ativa.

- Os gastos com saúde por causa da poluição são enormes e temos de nos mobilizar para resolver a questão - afirmou Saldiva, em relação aos estudos feitos no Laboratório.

A poluição que mais preocupa na capital paulista é a produzida pela frota de mais de 6 milhões de veículos. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, um dos poucos lugares destinados ao lazer, é campeão na concentração de ozônio, que faz mal à saúde e ocorre em dias de sol e pouco vento. O ozônio é responsável por problemas respiratórios e ainda por degradar tecidos e danificar plantas. Como outros poluentes, ele se forma a partir de gases liberados pelo escapamento dos carros.

Os veículos a diesel, que representam apenas 10% da frota nacional, são responsáveis por 62% das emissões de material particulado. Boa parte de toda essa sujeira circula pela cidade, já que caminhões pesados de todo o país cruzam São Paulo pelas Marginais Pinheiros e Tietê para chegar ao Porto de Santos ou alcançar rodovias. A cidade ainda não dispõe do Rodoanel completo - anel viário que interligará as estradas e evitará que veículos de carga transitem dentro da cidade. Para se ter uma idéia, os veículos a diesel, por estarem sempre em circulação, consomem 50% do total de combustíveis vendidos no país.

Segundo Saldiva, o material particulado é um dos mais prejudiciais para a saúde, já que acaba depositado nos alvéolos, a parte do pulmão responsável pelas trocas gasosas, provocando inflamações e outros distúrbios.

Briga por diesel mais limpo

A partir de 2009, no entanto, a expectativa é que o diesel vendido no Brasil seja mais limpo, com a adoção do diesel S-50 (com 50 partículas de enxofre por milhão). Ele será obrigatório porque entra em vigor a Resolução 315/2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), a partir de 1º de janeiro. Até 2012, a meta no Ministério do Meio Ambiente é passar para o diesel S-10 (com 10 partículas por milhão de enxofre por milhão). Atualmente, o diesel vendido no Brasil pode emitir 500 partes de enxofre por milhão nas regiões metropolitanas e 2.000 partes de enxofre por milhão no interior - exatamente por conta da necessidade de se redução das emissões nos grandes centros urbanos.

Saldiva calcula que a mudança, na estimativa mais conservadora, servirá para reduzir 5% da emissão total de poluentes na região metropolitana, já que o enxofre reage com gases dando origem a outras substâncias tóxicas para o organismo. Daí a redução de 150 mortes por conta dos males causados pela poluição.

- É uma conta grosseira, porque ainda não temos idéia de como será a adoção do sistema. Se apenas os veículos novos serão obrigados a usar o combustível ou se todos eles - afirma Saldiva.

Quanto mais abrangente a medida, maior pode ser a redução da poluição. O consultor Gabriel Branco, especialista em meio ambiente, afirma que a lei poderá incentivar o uso de catalisadores nos veículos pesados, o que não ocorre hoje por conta da qualidade do diesel, que estraga o equipamento.

- Eles não usam o equipamento porque a qualidade do diesel acaba com a vida útil da peça - explica Branco.

Os dois participaram nesta segunda-feira de um seminário sobre poluição atmosférica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O resumo de todos os trabalhos apresentados durante o seminário serão enviados ao Ministério Público para que cobre a entrada em vigor da resolução 312/2002 do Conama, que encontra resistência das indústrias automotivas, da Petrobras e das transportadoras.

A Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Petrobras e os sindicatos das transportadoras tentam adiar a adoção do diesel mais limpo. Em setembro, no entanto, o Ministério do Meio Ambiente mostrou, em reunião do Conama, que não pretende ceder. Tanto que veio com a proposta que antecipa para 2012 a utilização do óleo diesel com 10 partes por milhão (ppm), sem abrir mão da resolução que determina a adoção do diesel S-50 em janeiro em todo o país. Mas o lobby das indústrias pelo adiamento ainda continua.

Porém, independentemente da disputa em nível nacional, na capital paulista, uma resolução municipal determina que a adoção do diesel S-50 ocorra impreterivelmente em 1º de janeiro.

- Para evitar qualquer tipo de manobra, no sentido de dizer que não sabia da medida, enviamos uma carta oficial para Anfavea, para os sindicatos e para a Petrobras informando da determinação da adoção do diesel mais limpo para todos os veículos - disse o secretário, apresentando as cópias das cartas e das respostas das empresas. Os documentos também seriam encaminhados ao Ministério Público.



Oct
11
Filed Under (Poluição Atmosférica) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Pequim vai banir metade dos seus 3,4 milhões de carros das ruas durante períodos de poluição muito pesada, disse a imprensa estatal nesta sexta-feira, 10.

A cidade vai temporariamente reinstituir as medidas introduzidas durante os Jogos Olímpicos e vai banir carros em dias alternados - dependo se as placas são pares ou ímpares - se os níveis de poluição se elevarem a níveis extremos, disse o jornal China Daily.

“Para proteger a saúde pública a longo prazo, nós devemos usar ambos os métodos para dias que precisem de medidas de controle e para dias de boa qualidade do ar”, disse o diretor do departamento de proteção ambiental da cidade, Du Shaozhong, ao jornal.

O trabalho também será suspenso em construções e fábricas altamente poluentes durante períodos críticos de poluição, afirmou.

As restrições somente serão impostas se o nível de poluição do ar atingir 300, um índice bastante acima do normal para a cidade.

As medidas impostas durante as Olimpíadas permitiram que os 17 milhões de habitantes de Pequim aproveitassem o menor nível de poluição da cidade em 10 anos.



Oct
07
Filed Under (Poluição Atmosférica, Sustentabilidade) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Com a poluição e o preço elevado dos combustíveis, pedalar entrou na moda em muitas cidades do mundo rico. No Chile, serviços públicos de bicicletas, ciclovias e estacionamentos especiais são algumas iniciativas em desenvolvimento. “O meio de transporte mais eficiente, cômodo e benéfico em cidades poluídas, congestionadas e estressadas é a bicicleta”, resumiu ao Terramérica Amarílis Horta, presidente do não-governamental Centro de Bicicultura do Chile.

A preocupação das pessoas com a mudança climática e a poluição, a alta dos preços dos combustíveis e a necessidade de atividade física para combater a obesidade explicam o crescente auge deste veiculo no Chile. Também influiu o mau funcionamento do Transantiago, sistema de transporte público da capital, inaugurado em 10 de fevereiro de 2007. A bicicleta, “originalmente, era vista como o pior castigo. Quem não tinha outra alternativa carregava o carma de ter de se movimentar utilizando-a. Também era vista com um brinquedo que se dava às crianças no Natal”, disse Horta. Atualmente, cerca de 20 países têm sistemas de transporte público de bicicletas, entre eles Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Nova Zelândia e Suécia.

A administração, cobrança e tecnologia associadas a estes serviços variam. Tende-se a permitir aos usuários de bicicletas que seus traslados diários não passem de uma hora. Elas são recolhidas em um ponto, ou estação, e devolvidas em outro. O sistema Bicing, impulsionado pela prefeitura de Barcelona, tem mais de 150 mil usuários registrados e dispõe de 400 estações com seis mil bicicletas, localizadas perto das estações do metrô e pontos de ônibus. Em 2007, a União Européia aprovou uma norma que obriga a adequação das instalações nos trens para permitir aos ciclistas transportarem suas bicicletas. Além disso, a Federação Européia de ciclistas trabalha no projeto EuroVelo, uma rede de 66 mil quilômetros de 12 ciclovias regionais que inclui todo o continente.

Na América Latina também há experiências. Em Bogotá, existem 344 quilômetros de ciclovias usadas por 285 mil pessoas, e em Buenos Aires foi aprovada, em dezembro de 2007, a Lei do Sistema de Transporte Público de Bicicleta, em processo de implantação. No Chile, o governo da Região Metropolitana de Santiago iniciou, no ano passado, um plano para construir 690 quilômetros de ciclovias até 2010 – 550 urbanas e 140 rurais – no valor de US$ 38 milhões. Paralelamente, será implementada uma rede de 200 estacionamentos. Além disso, este ano a intendência apresentou outros dois projetos de ciclovias para a capital, a serem desenvolvidos entre 2009 e 2012, particularmente em comunidades com ar muito poluído no inverno.

O metrô de Santiago instalou, em quatro estações, locais com capacidade para guardar 22 bicicletas. O custo diário é de 300 pesos (meio dólar). Por outro lado, no dia 17 de julho, foi formada, no Ministério dos Transportes, a Mesa de Trabalho Cidadania-Governo, de fomento à bicicleta, com representantes do setor público, privado e da sociedade civil. As pesquisas sobre origem e destino do trânsito urbano realizadas em Santiago indicam que apenas 2% de todas as viagens da capital são feitas em bicicleta, afirmou ao Terramérica Cirstián Navas, da Subsecretaria de Transportes.

Os estudos concluem que em um “cenário ideal”, com ciclovias atravessando toda a cidade, estacionamento e respeito aos ciclistas, a demanda cresceria pelo menos 8%. Essa é uma das metas fixadas pelo governo, afirmou Navas. Em Santiago, as autoridades estão definindo os lugares estratégicos para instalar os estacionamentos e analisando modelos de negócios associados a eles, ressaltou. Em outras regiões também se avança. Além de realizar uma “campanha de promoção” na cidade de Concepción, na central região de Bío Bío, para potencializar as ciclovias já construídas, a Subsecretaria planeja um “projeto-piloto de infra-estrutura e estímulo ao uso da bicicleta em cidades de tamanho médio”, que possa ser imitado em todo o país, segundo Navas.

Foram excluídas as cidades de Copiapó, Quilloota, Rancágua e Valdívia, para as quais já há ciclovias projetadas, e as da central região do Maule, onde 10% das viagens são feitas em bicicletas. Paralelamente, a organização Ciclistas Unidos do Chile, da qual faz parte o Centro de Bicicultura, redigiu junto com deputados da coalizão governante um projeto de lei sobre uso, fomento e integração da bicicleta, apresentado ao parlamento no dia 9 de setembro. Entre 9 e 16 de novembro acontecerá o III Festival de Bicicultura do Chile, organizado pelo centro dirigido por Horta.

Também em novembro, o município de Providência vai inaugurar o primeiro serviço de bicicletas públicas do país, disponíveis para quem se inscrever para usá-las por uma hora diária dentro dos limites do município. Licitado a uma empresa privada, o serviço custará cerca de US$ 2 mensais ou US$ 14,5 ao ano. Serão cem bicicletas distribuídas em dez estações. A cidade francesa de Lyon abriu o jogo com seu serviço Vélo’v em 2005. Hoje tem mais de três mil unidades disponíveis em 350 estações. A meta é uma estação a 300 metros de qualquer ponto da cidade.

* O autor é correspondente da IPS.



Oct
05
Filed Under (Poluição Atmosférica) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostra que a concentração de poluentes no ar de Belo Horizonte está muito acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A organização considera aceitável um nível de 10 mg/m³ de partículas ultrafinas de poluição. A capital mineira registra o dobro do recomendado.

“Nos últimos meses, temos obtido uma qualidade do ar de boa para regular. Estamos com valores regulares em épocas de seca e boa no restante do tempo”, diz Eliseth Gomides Dutra, da Fundação Estadual do Meio Ambiente.

A OMS alerta, no entanto, que as estações convencionais medem a quantidade de partículas pequenas que poluem o ar, mas são as partículas ainda menores, chamadas de ultrafinas, que mais preocupam a organização.

“Essas partículas ultrafinas podem atingir as partes mais profundas dos pulmões”, afirma Geraldo Brasileiro Filho, pesquisador da UFMG. Segundo o especialista, problemas como bronquite crônica, enfisema pulmonar e até complicações cardíacas podem ser causados pela poluição.

Brasileiro Filho afirma que dados preliminares de Belo Horizonte apontam que se o nível atual de poluição for mantido, a expectativa de vida da população pode ser reduzida, em média, de um ano e um ano e meio.

De acordo com a Fundação Estadual do Meio Ambiente, a qualidade do ar em Belo Horizonte só vai melhorar com um controle rigoroso da frota a diesel.



O paulistano parece ter começado a se dar conta que a qualidade de vida na capital paulista vai de mal a pior. Pesquisa realizada pelo Ibope, sob encomenda do Movimento Nossa São Paulo, mostrou que 94% da população considera grave ou muito grave o problema da poluição do ar na cidade e 88% assinalam que a qualidade de vida é muito afetada pela poluição. A má influência sobre a saúde também ganhou destaque: 89% reclamam.

De acordo com a pesquisa, o desempenho da Prefeitura na área de urbanização e meio ambiente não passa de regular. Numa lista de 10 itens, a melhor nota não passou de 4,7 e foi dada ao controle da poluição visual, por conta da Lei Cidade Limpa. Isso não significa, porém, que a satisfação do está garantida: como nas escolas de antigamente, a nota da pesquisa foi de 1 a 10.

A pior nota foi dada ao controle da poluição do ar: 2,8. Em janeiro passado, essa nota era um pouco melhor e chegava a 4. De 16 itens apresentados como indicadores de qualidade de vida na cidade, a pior nota foi justamente a da qualidade do ar e de ocorrência de problemas respiratórios.

A nota ruim não significa que os paulistanos tenham pleno conhecimento do tamanho do problema na cidade. Segundo o levantamento, 67% afirmaram saber que São Paulo é a 6ª cidade mais poluída do mundo e 55% disseram que não é novidade a informação de que, em média, o paulistano perde um ano e meio de vida por causa da poluição. Outros 52% também disseram que sabem que 3 mil pessoas morrem por ano na cidade por causa da poluição causada pelo enxofre do diesel.

A pesquisa do Ibope foi feita entre 5 e 11 de setembro com 805 moradores. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Para a diretora executiva do Ibope, Márcia Cavallari Nunes, a situação do trânsito e da qualidade do ar em São Paulo está tão preocupante que o paulistano já aceita aumentar os dias de rodízio ou até pagar o pedágio urbano.

- A situação está tão impraticável que as pessoas começaram a rever as suas posições e passaram a aceitar a idéia de deixar o veículo em casa ou mesmo pagar um pedágio para se dirigir às regiões centrais - disse.

Oded Grajew, presidente do Movimento Nossa São Paulo, comparou o trânsito ao corpo humano e disse que “a cidade enfartou, teve as suas artérias entupidas pelo congestionamento”.



Sep
20
Filed Under (Poluição Atmosférica) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Cerca de menos seis meses de vida, para quem reside ou trabalha na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Esta é a estimativa que consta num estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia sobre os efeitos da poluição nesta artéria.

“Sente-se o ar pesado, custa um pouco a respirar. Mas em comparação com o Barreiro, onde moro, até se sente menos o cheiro do gasóleo”, admite Carla Santos, vigilante num dos edifícios junto ao Marquês de Pombal, em Lisboa. Apesar de só há quatro dias estar a trabalhar na Avenida da Liberdade, garante que já deu para sentir os níveis elevados de poluição que, desde 2005, a estação de monitorização da qualidade do ar, colocada em frente ao Cinema São Jorge, tem vindo a registar.

Segundo Francisco Ferreira, coordenador do estudo “Riskar Lisboa”, desenvolvido por uma equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa, em parceria com várias instituições, entre elas o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, em 2005 registaram-se 180 dias acima do valor limite das partículas inaláveis PM10, que transportam substâncias tóxicas para as vias respiratórias. “Desde então, passámos a ter uma média de 150 dias ao ano. O limite imposto pela legislação é de 35″, refere o investigador.

A diminuição de seis meses na longevidade de residentes e população flutuante, provocada pela exposição à poluição na principal artéria da capital, é calculada com base no valor estabelecido por um estudo epidemiológico da Comissão Europeia, de 2005, que relacionou a mortalidade com a qualidade do ar. Este relatório recomendava ainda a adopção de medidas para a diminuição das concentrações de dióxido de azoto e das PM10, mas pouco foi feito em Lisboa, o que levou a abertura de um processo de contencioso contra Portugal.

As recomendações da Comissão Europeia só agora começarão a ser aplicadas na capital. Com base num protocolo estabelecido esta semana entre a Câmara de Lisboa e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, a autarquia compromete-se a reduzir o número de lugares de estacionamento, com a supressão de um dos três novos parques de estacionamento previstos para a avenida. Este objectivo deverá constar no Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Adjacente (PUALZE), através do qual ainda será limitado o estacionamento à superfície. Quanto ao tráfego, a meta é reduzir a circulação de veículos pesados neste corredor, entre o Marquês de Pombal e o Rossio. Mas a passagem e o atravessamento de automóveis ligeiros serão desmotivados.

“A avenida tem umas condições topográficas (encaixada), que impedem uma boa circulação do ar, o que faz com que o efeito poluente se acentue”, salienta Francisco Ferreira, cuja a investigação tenta agora perceber quantas das idas às urgência dos hospitais em Lisboa são causadas pela poluição do ar. Um trabalho que pode estar concluído em Dezembro de 2009.



Sep
19
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Justiça determina a venda de óleo diesel com menor teor de enxofre em todo o país. A medida passa a valer em 2009.

Quem mora nas grandes cidades sabe muito bem os efeitos do ar poluído: olhos vermelhos, vias respiratórias ressecadas, coceira na garganta.

Se fosse só isso menos mal, só que a poluição ataca mais profundo; afeta órgãos vitais.

“Pulmão e coração são dois órgãos alvos e são atingidos preferencialmente pela poluição”, alerta Chin An Lin, médico pneumologista.

Na capital paulista, 14 pessoas morrem por dia por causa da poluição. Os dados são de pesquisadores da USP, Universidade de São Paulo.

Uma das substâncias mais poluentes e que mais afetam a saúde está na fumaça que sai dos escapamentos: o dióxido de enxofre. O diesel que abastece a frota de ônibus e caminhões brasileiros tem uma grande concentração de enxofre.

O diesel usado por nós brasileiros está entre os mais poluentes do mundo. Por decisão da justiça isso vai ter que começar a mudar. A partir do ano que vem todos os postos de combustíveis vão ser obrigados a ter pelo menos uma bomba com o diesel S50, um tipo que polui bem menos. A quantidade de enxofre é 90 % menor que o comercializado atualmente.

A intenção é que aos poucos todas as bombas sejam substituídas, e todo o diesel usado no Brasil seja do tipo S50. O prazo ainda não foi estipulado. Os Estados Unidos e Europa já usam o diesel menos poluente há mais de 10 anos.

A Petrobras afirmou em nota que vai acatar a decisão da justiça de fornecer o diesel S50, só que por enquanto apenas em quantidade suficiente para abastecer veículos novos.



Sep
06
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Smog, fuligem e outras partículas como aquelas freqüentemente vistas sobre Pequim agravam o aquecimento global e podem aumentar as temperaturas de verão nos Estados Unidos em três graus em 50 anos, disse um novo relatório publicado na quinta-feira, 5.

Esses poluentes de rápida dispersão e freqüentemente esquecidos - produzidos na queima de madeira, querosene e combustíveis de automóveis - causam mais aquecimento localizado do que já se imaginou, dizem os autores do estudo. Eles alegam que deve haver um esforço maior para atacar esse tipo de poluição, para gerar resultados mais rápidos.

Por décadas, cientistas se concentraram no dióxido de carbono, o gás estufa mais prejudicial, porque permanece na atmosfera por décadas. Estudos passados quase não prestaram atenção aos poluentes que permanecem na atmosfera apenas por alguns dias.

O novo relatório, elaborado por cientistas da Nasa e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), defende a luta contra os poluentes de curto prazo, enquanto reconhecem que o dióxido de carbono ainda é a principal causa do aquecimento global.

Esse conceito também é a política oficial da administração Bush, disse o secretário assistente de comércio, Bill Brennan.

Nos Estados Unidos, essa abordagem significaria cortar emissões de carros e caminhões mesmo antes de restrições às usinas energéticas termoelétricas. Nos países em desenvolvimento, ela significaria uma migração para formas mais limpas de energia.

Além da fuligem, smog e sulfatos, outros poluentes de curto prazo são o carbono orgânico, poeira e nitratos. Enquanto o dióxido de carbono é invisível, esses são poluentes que as pessoas conseguem ver.

As projeções de aumentos nas emissões desses poluentes na Ásia farão com que contribuam em cerca de 20% para o aquecimento global e alguns centímetros a menos de chuva na América até 2060, disse o relatório.