Crato. Emoldurada pela Chapada do Araripe, cercada de fontes perenes, clubes serranos, esta cidade está perdendo a sua característica de município aconchegante. As ruas, com prédios antigos e modernos e calçadas largas, estão sendo ocupadas por placas de anúncios, outdoors, banners, balões, faixas, cavaletes, painéis, letreiros de lojas, muros pintados, pichados, fachadas com cores berrantes. Nas ruas e calçadas, ocupação de espaços públicos e outros elementos físicos com os quais o cidadão deve conviver em seu dia-a-dia. Além dessa parafernália de publicidade, o transeunte enfrenta também as bancas de verduras e vendedores ambulantes que estão retornando ao Centro da cidade.
É a poluição visual, que promove o desconforto espacial daqueles que transitam por estes locais e enfeia a cidade, desvalorizando-a e tornando-a apenas um espaço de promoção do fetiche e das trocas comerciais capitalistas.
As calçadas, que deveriam ser ocupadas apenas pelos pedestres, estão cheias de suportes de ferro que dão sustentação às placas que se estendem até o meio da rua. Em alguns pontos são colocados balcões do lado de fora como se a calçada fosse uma extensão dos estabelecimentos comerciais. Outros fincam barras de ferro para evitar a subida de carros.
De acordo com o arquiteto Waldemar Arraes de Farias, a poluição “degrada os centros urbanos pela não coerência com a fachada das edificações, pela falta de harmonia de anúncios, logotipos e propagandas que concorrem para destruir a história da cidade e a sua própria identidade”.
“Apesar disso, as pessoas ainda se sentem inibidas para reclamar desses exageros porque entendem que o patrimônio alheio não tem qualquer compromisso com a paisagem geral, nem com a sociedade”, afirma ele. O arquiteto complementa advertindo que, “desde que as coisas sejam feitas ‘na propriedade privada’, o cidadão comum não se sente no direito de reclamar”.
Waldemar recomenda que, além deste controle estético, “a Prefeitura deve incentivar os proprietários urbanos a pintarem seus prédios”. O arquiteto acrescenta que também é considerada poluição visual algumas atividades humanas que não estão necessariamente ligadas a publicidade, tais como o grafite, pichações, fios de eletricidade e telefônicos, as edificações com falta de manutenção, o lixo exposto não orgânico, e outros resíduos urbanos.
O advogado Mário Correia Oliveira Júnior afirma que a legislação ambiental existente, com o auxílio do Código Penal, é mais que suficiente para evitar esta degradação, necessitando somente a vontade política de aplicá-la. Para ele, “o poder público não deve falhar em seu papel regulamentador e fiscalizador da publicidade, utilizando-se de mecanismos permissivos, mercantilizando os espaços públicos em nome de duvidosos benefícios”.
A profusão da propaganda na paisagem urbana vem sendo objeto de preocupação do prefeito Samuel Araripe que está agendando uma reunião com lojistas e comerciantes do Crato para tratar do assunto. O prefeito argumenta que este é um dos seus projetos a fim de consolidar a vocação do Crato como cidade turística.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Crato (CDL), Geraldo Pinheiro Lima, diz que a idéia deve ser estudada com mais profundidade. Porém, antecipa que é a favor da retirada das placas que estão invadindo o espaço aéreo da cidade. “O problema não é a existência da propaganda, mas o seu descontrole”, afirma.