Archive for the ‘Energia’ Category

Mar
24
Filed Under (Educação Ambiental, Energia) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

O movimento mundial que pretende apagar as luzes por 60 minutos, num ato simbólico pela preocupação com o aquecimento global, terá a adesão, também, dos brasileiros. O evento ocorre a partir das 20h30min do próximo sábado.

A intenção do movimento é alcançar mais de um bilhão de pessoas em mil cidades ao redor do mundo em sua terceira edição. A participação é fácil: pessoas, individualmente, escolas, empresas, organizações e cidades podem aderir à Hora do Planeta cadastrando seus dados no site www.horadoplaneta.org.br. Até ontem, 35 municípios brasileiros já estavam na lista de adesão.

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Oct
28
Filed Under (Energia) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

São plantas microscópicas, que pululam nos oceanos, nos lagos e nos rios. Elas crescem em decorrência do processo de fotossíntese e, para tanto, não precisam de quase nada, apenas de sol, de água e de gás carbônico. Sobretudo, elas são ricas em lipídios. . . Por todas essas razões, as microalgas talvez constituam a principal reserva existente dos biocombustíveis que serão utilizados no futuro.

Os biocombustíveis de primeira geração, que são extraídos dos vegetais terrestres - milho, trigo, beterraba e cana-de-açúcar para a produção do bioetanol; colza, soja e girassol para o biodiesel - já não gozam mais do prestígio que tinham pouco tempo atrás. Isso se deve ao fato de que eles entraram em concorrência com as culturas de gêneros alimentícios, além de constituírem uma das causas principais dos desmatamentos e da deterioração dos solos.

Já, os biocombustíveis de segunda geração, que valorizam a totalidade das plantas - madeira, folhas, palha, resíduos agrícolas -, prometem ser mais vantajosos. Contudo, no que diz respeito à categoria mais avançada desta geração, que visa a produzir bioetanol a partir da celulose e da linina da madeira (uma substância orgânica também chamada de acromatina que impregna as células, as fibras e os vasos da madeira), os rendimentos que foram obtidos até agora permanecem reduzidos; além disso, os seus custos seguem elevados e as tecnologias empregadas, complexas.

Com isso, a alternativa mais promissora poderia provir das microalgas, que já foram qualificadas pelos cientistas como fonte de biocombustíveis de terceira geração. “A produção em grande escala de biodiesel a partir de algas vai acontecer muito mais rapidamente do que imaginam”, prevê Juan Wu, da sociedade de consultoria em biotecnologias Alcimed. Este especialista acredita que a sua comercialização seja possível “dentro de três a seis anos, e com um preço competitivo em relação ao diesel produzido a partir do petróleo”.

Já, o responsável do programa de pesquisas francês Shamash - do nome da divindade solar do império da Babilônia -, Olivier Bernard, do Instituto Nacional de Pesquisas em Informática e em Automatismo (cuja sigla em francês é Inria), com sede em Sophia Antipolis (sudeste), se mostra mais prudente a respeito do biocombustível a base de algas. “Em teoria, o potencial das microalgas é enorme e justifica os meios importantes que lhes são dedicados no plano da pesquisa. Contudo, nós ainda não passamos do estágio do laboratório”, pondera. “Ainda falta muito para que uma produção em grande escala possa ser iniciada. Isso só irá ocorrer dentro de pelo menos cinco anos, e mais provavelmente dentro de dez anos”.

Petrosun, o pioneiro americano
Muitos pesquisadores e industriais estão voltando as suas atenções para esta nova jazida de energia. Uma centena de projetos já foi deslanchada não só nos Estados Unidos, como também na Austrália, na China ou em Israel. Na Europa, cerca de quinze programas de pesquisas estão sendo desenvolvidos. Um dos pioneiros, a companhia americana Petrosun, anunciou no segundo trimestre deste ano a criação, em Rio Hondo (Texas), de uma fazenda de microalgas marinhas, instalada numa superfície de 450 hectares de lagoas de água marinha, e de outra fazenda similar, perto do golfo do México, de 1.100 hectares.

A sociedade israelense Algatech, que vem elaborando desde 1999, no deserto do Neguev, derivados de algas para fins medicinais e alimentícios, já está se preparando para produzir um combustível à base de algas. Por sua vez, a GreenFuel, uma empresa fundada por engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT), já está comercializando sistemas de cultura das algas. As companhias petroleiras Shell e Chevron também resolveram lançar-se nesta aventura. Inúmeras empresas start-up estão florescendo no mercado. Nelas, importantes investidores de capital de risco andaram injetando milhões de dólares. . .

“As microalgas podem acumular entre 60% e 80% do seu peso em ácidos gordurosos”, explica Olivier Bernard. Isso permite esperar uma produção anual, por hectare, de cerca de trinta toneladas de óleo. Ou seja, um rendimento trinta vezes superior ao das espécies oleaginosas terrestres como a colza. Contudo, ainda falta muito para que os procedimentos de fabricação sejam totalmente dominados.

Entre as várias centenas de milhares, e até os milhões de espécies de microalgas presentes na natureza, nem todas revelam ser tão promissoras. Portanto será preciso selecionar - ou obter por maio de manipulação genética - as variedades cujo crescimento for mais rápido e aquelas que se mostrarão mais aptas a armazenarem lipídios. Então, numa segunda etapa, os pesquisadores deverão comparar o desempenho de diferentes formas de cultura, seja dentro de piscinas de água do mar ou de água doce; ou ainda no interior de aquários fechados - chamados de foto-bioreagentes -, que evitam que as culturas sejam contaminadas por outros microorganismos e permitem controlar a fotossíntese de maneira mais eficiente, mas que também custam mais caro.

Então, será necessário encontrar a melhor equação biológica para modificar o metabolismo das algas e “carregá-las” com ácidos gordurosos, submetendo-as a certos tipos de stress - tais como uma carência em nitrogênio - e dopando-as com CO2. Este último processo, a razão de cerca de 2 kg de gás carbônico para 1 kg de matéria vegetal, poderia ser utilizado para reciclar resíduos industriais. Por fim, ainda será necessário elaborar um processo eficiente de extração do óleo armazenado por essas plantas minúsculas. Com efeito, o método atual, por meio de centrifugação, secagem e uso de um solvente orgânico, requer grandes quantidades de energia. E para concluir, será então possível transformar este óleo em combustível diesel.

Vale dizer que enormes progressos ainda estão por serem realizados, até que o “ouro verde” das microalgas ponha um motor de carro para funcionar.

Uma severa advertência da FAO em relação aos biocombustíveis
Em seu relatório anual sobre a alimentação mundial, que foi publicado no início de outubro, a Organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura (FAO) incluiu uma severa advertência no que diz respeito aos biocombustíveis. Ela fez um apelo aos países da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos, que conta 30 países-membros) para que estes operem uma revisão das suas políticas energéticas e das subvenções que eles alocaram para a produção de biocombustíveis. Essa mudança das metas destina-se a manter o objetivo de segurança alimentar mundial e a garantir um meio-ambiente sustentável.

“As oportunidades para os países em desenvolvimento de tirarem um melhor proveito da demanda de biocombustíveis seriam favorecidas pela supressão das subvenções agrícolas e das barreiras comerciais que criam um mercado artificial e que beneficiam atualmente apenas aos produtores dos países da OCDE, em detrimento dos países em desenvolvimento”, denunciou Jacques Diouf, o diretor-geral da FAO.

Ao alertar para o fato de que a produção de biocombustíveis mais que triplicou entre 2000 e 2007, e que ela deveria continuar aumentando no decorrer da próxima década, o que deverá provocar aumentos dos preços dos gêneros alimentícios, a FAO insiste, em seu relatório, para que os países da OCDE procurem reduzir os riscos e compartilhem melhor as vantagens proporcionadas pelos biocombustíveis.



Oct
26
Filed Under (Energia) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Vai longe a época na qual se deparar com um painel solar em uma residência era motivo de espanto, mas ao mesmo tempo nem mesmo o apelo ambiental, por ser uma fonte limpa, nem o econômico, por reduzir os gastos com a eletricidade, já conseguiram fazer do uso da energia solar algo comum entre a população. No entanto, a tendência no setor é de expansão e a cada novo verão aumentam as esperanças de quem trabalha na área de ver o uso dessa energia difundida no Rio Grande do Norte.

“Temos registrado um crescimento de uns 10% ao ano, mas o mercado ainda não foi sequer ‘arranhado’, pois muitos desconhecem essa tecnologia. A grande barreira ainda é o custo inicial, que é alto, mas as vantagens são inúmeras”, afirma o engenheiro Juvenal de Macedo Filho, proprietário de uma das mais antigas e conhecidas revendedoras de produtos de energia solar no Estado, a Solir. Ele aponta como destaque atual a grande demanda por aquecedores para piscinas, tanto em condomínios e residências, quanto em escolas e academias.

Porém, o sistema que lidera as vendas para uso residencial continua sendo o de aquecimento de água para utilização em chuveiros e pias. O kit padrão, instalado e pronto, não sai por menos de R$ 4 mil. “Infelizmente, nos últimos anos houve um acréscimo muito grande no preço dos insumos utilizados, como o cobre, o alumínio e o aço-inox”, lamenta o engenheiro. O problema, porém, nada tem a ver com a recente crise internacional.

O fenômeno é mais antigo, vem sendo registrado há cerca de seis anos, e se deve principalmente ao espantoso crescimento econômico da China, o que levou a fazer valer uma velha regra de mercado: quanto menos oferta e mais demanda, maior o preço do produto. Além disso, Juvenal de Macedo destaca também uma realidade nacional, a falta de grandes indústrias nesse setor. “Temos várias em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, mas todas de pequeno e médio porte, o que dificulta a redução nos custos.”

Outra forma que serviria para baratear os kits é o desenvolvimento, a médio e longo prazos, de novas tecnologias, que permitam a utilização de materiais mais em conta. “O cobre, por exemplo, é bastante caro”, explica. Por tudo isso, embora reconheça que o poder público nem sempre contribui com o avanço do mercado, ele acredita que o impulso necessário também pode vir de leis de incentivo, como a que vigora na capital paulista, onde toda casa com mais de três banheiros é obrigada, pelo menos no papel, a fazer uso da energia solar.

O proprietário da Solir destaca que hoje sua clientela é formada basicamente por integrantes das classes A e B, que têm maior facilidade em obter o investimento inicial necessário. Contudo, ele lembra que a classe média talvez fosse exatamente a mais beneficiada pelo sistema. “Famílias de classes como a C poderiam economizar mais, pois geralmente contam com mais pessoas em uma mesma residência, gastando mais com banhos quentes”, observa. A economia com a energia solar, aliás, varia de caso para caso, dependo do uso que cada família faz da água quente, mas onde essa utilização é constante, a redução na conta de luz pode ultrapassar os 50%. “Além disso, contribui com a preservação do meio ambiente, através do uso de uma energia limpa e abundante, o que vem atraindo o interesse de muitas pessoas”, conclui.

Pesquisas podem resultar em equipamentos acessíveis

Baratear a energia solar em residências e difundir seu uso principalmente entre a população mais carente é um dos sonhos do professor de Engenharia Mecânica da UFRN, Guilherme Meira. Apontado como um dos maiores especialistas potiguares na área, ele acredita que se houver o incentivo necessário, será possível garantir o uso de fogões, fornos, secadores, destiladores e outros aparelhos que fazem uso apenas dos raios do sol como fonte de energia, por parte de muitos potiguares.

“Um sistema de aquecimento de água como esses vendidos no mercado não sai por menos de uns R$ 2 mil, já o que desenvolvemos com materiais reciclados pode sair por R$ 50 ou R$ 100. Não alcançam o mesmo nível de aquecimento, mas são suficientes para diversos usos”, ressalta o pesquisador. Ele lembra que os estudos feitos pelos integrantes de seu grupo de pesquisa se voltam principalmente para a busca de tecnologias de baixo custo, que possam ser acessíveis a todos.

Eles já desenvolveram modelos de fogões e fornos que usam espelhos para aquecer as panelas. Também criaram, recentemente, um secador para uso na desidratação de frutas, utilizando apenas canos de PVC e garrafas pet.  “Infelizmente, as fontes de financiamento priorizam apenas as altas tecnologias, sem levar em conta a importância dessas que tornam o uso da energia solar mais acessível”, lamenta o engenheiro.

Ele lembra que um terço da população mundial ainda cozinha utilizando lenha e a adoção dos fogões e fornos a energia solar poderia, por exemplo, resultar em menos poluição e desmatamento. Ao mesmo tempo, o valor de um equipamento solar, em torno dos R$ 200, permitiria seu uso por camadas mais carentes da população. “Em um forno desses, a gente assa pizzas, faz bolos, o tempo não é o mesmo, mas a economia vale à pena, pois não se gasta gás”, destaca.

Guilherme Meira indica que o mundo vem priorizando as “energias limpas”, contudo o Brasil ainda não despertou para o imenso potencial existente em seu território. “O petróleo não vai acabar de uma hora para outra, mas está cada vez mais difícil explorá-lo, é cada vez mais profundo e chega um momento que o mundo não suportará mais tantos combustíveis fósseis”, alerta.

Para expandir o uso das energias alternativas, contudo, será necessário os órgãos públicos brasileiros se “sensibilizarem” para a importância de apoiar tecnologias como as desenvolvidas na UFRN. “Não é tecnologia só para os pobres, pode beneficiar a todos. Agora, precisamos levá-las até à população, massificá-las”, defende.

Usuário de energia solar aprova técnica

Em 1984 o professor universitário Marcílio Colombo se mudou para sua atual residência, em Lagoa Nova, e incluiu no projeto do imóvel um sistema de aquecimento solar da água utilizada em dois chuveiros e em uma pia. Hoje, 24 anos depois, ele garante que o resultado é totalmente positivo: “Só em você ter o conforto de não se preocupar se o banho vai aumentar a conta de luz já me deixa muito tranqüilo.”

Apesar de o investimento inicial ser alto, ele lembra que a durabilidade dos equipamentos permite que todo dinheiro gasto retorne em economia na conta de luz. “O primeiro sistema que instalei passou 20 anos funcionando e só troquei porque a tecnologia estava obsoleta, mas o atual deve durar bastante tempo ainda. Não digo que já se pagou nesses quatro anos, mas com seis ou sete tenho certeza que já estará pago”, prevê, estimando em 25% a economia de energia elétrica.

Marcílio Colombo destaca que mesmo em dias nublados as placas coletoras permitem aquecer a água, somente com o mormaço, tanto que em sua residência nunca foi necessário usar o sistema emergencial de aquecimento, que faz uso de energia elétrica. Um benefício extra vem com a consciência de que se está contribuindo com a preservação do meio ambiente.

O kit de 400 litros existente na residência do professor é suficiente para atender à demanda das cinco pessoas da casa, além disso, basta misturar a água que vem do “boiler” com a fria vinda da caixa d’água para escolher a temperatura desejada. “É ótimo”, resume.

Sistema não apresenta os custos de manutenção

Com experiência de 14 anos de mercado, Juvenal de Macedo admite que o uso mais simples da energia solar deverá continuar sendo, por muito tempo, o aquecimento da água para o banho. Isso porque, atualmente, a possibilidade de transformar a luz do sol em energia elétrica já existe, mas ainda não é economicamente viável e os equipamentos necessários, os módulos fotovoltaicos, são bastante caros.

Já o aquecimento para utilização em banheiros tem retorno garantido. “São vantagens econômicas e ambientais enormes. Banhos em chuveiros elétricos representam, geralmente, uma grande parcela do gasto das casas com energia elétrica. Com a solar esse gasto deixa de existir”, ressalta. O kit consta basicamente do encanamento geral, as placas coletoras da energia solar e ainda o “boiler”, onde a água quente é armazenada.

Há ainda um sistema de emergência, que em teoria pode ser utilizado caso os períodos chuvosos se prolonguem por vários dias (pois até mesmo em dias nublados o aquecimento é possível) e que prevê o uso da energia elétrica para esquentar a água, mas na prática ele é quase totalmente desnecessário. “Tenho aquecimento por energia solar em minha casa há oito anos e nunca precisei ativar esse sistema de emergência”, ressalta o engenheiro.

O ideal, explica, é que a instalação seja feita antes de a residência ser construída, incluindo a estrutura necessária já no projeto, porém nada impede sua colocação com o imóvel já erguido. Geralmente, o kit básico consta de um mínimo de duas placa coletoras padrão, cada uma com 1 metro por 1,5 m, que são instaladas sobre o teto da casa. O “boiler”, que no mínimo deve ter capacidade para 300 litros, tem de ficar em uma altura maior que a das placas, para permitir a circulação da água (a fria desce e a quente sobe).

Com um kit desses, é possível atender uma média de cinco pessoas em uma residência. “Agora, alguns querem usar nas pias, em banheiras, e isso, logicamente, vai aumentando a demanda e a necessidade de uma estrutura maior”, afirma. Quanto maior a estrutura, melhor os resultados.

Divulgação é fundamental para o setor

Engenheiro de materiais e integrante da equipe de pesquisadores do professor Guilherme Meira, o estudante de doutorado Reginaldo Dias enfatiza que será cada vez mais importante buscar alternativas aos combustíveis fósseis, diante da preocupação crescente com o aquecimento global e a preservação ambiental. “Nosso objetivo aqui é desenvolver produtos que sejam simples, de fácil uso, e que demandem poucos custos”, explica.

A um preço mais barato, se torna mais fácil convencer a população a utilizar as novas tecnologias. “Natal, por exemplo, tem uma incidência muito grande de sol durante todo o ano e esse potencial pode ser aproveitado para as pessoas economizarem e ainda contribuírem com o meio ambiente”, destaca. Ele lembra que, no entanto, atualmente o uso das energias alternativas se limita quase exclusivamente aos mais ricos, pelo investimento financeiro inicial ser alto.

“Os equipamentos hoje saem muito caros. O boiler é de aço inox, precisamos usar um material mais barato para que isso possa ser massificado”, defende Reginaldo Dias. O apoio do poder público, porém, é hoje apenas um  sonho. “Com a ajuda necessária, poderíamos desenvolver aqui tecnologias que estão sendo pesquisadas em todo o mundo. Dessa forma, ao invés de pagar aos estrangeiros para utilizarmos a deles, poderíamos usar a nossa”, ressalta o pesquisador.



Oct
14
Filed Under (Energia) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Empresas brasileiras e organizações industriais vão formar uma joint venture para financiar pesquisas em álcool celulósico, afirmou na terça-feira um diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A iniciativa inclui a Copersucar, maior produtora brasileira de açúcar e álcool, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a subsidiária da Bunge no país.

A Votorantim, maior conglomerado industrial brasileiro, o Itausa e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) também participarão do projeto, que deve ser assinado nas próximas semanas, de acordo com o diretor Benedito Ferreira.

“Elas vão criar uma empresa de propósito específico para fazer pesquisas sobre etanol celulósico”, disse Ferreira em um seminário promovido pela Fiesp.

“Estamos levantando dinheiro, e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) fará a pesquisa técnica. Também vai procurar parceiros, incluindo no exterior”, completou.

O Brasil e outros países como Estados Unidos e Canadá estão correndo para desenvolver biocombustível a partir da biomassa, como lascas de madeira, um processo com obstáculos tecnológicos que estão aos poucos sendo superados.

A cana-de-açúcar é considerada uma matéria-prima competitiva para o álcool celulósico já que tem bastante biomassa, que hoje é queimada para produzir energia térmica e elétrica. Mas as folhas da cana e outras partes podem ser usadas para produzir etanol.

Produtores brasileiros afirmam que o custo de transportar matéria-prima como grama e madeira para as usinas é o maior problema para o projeto.

Mas com a cana esse custo já é absorvido pelo processo tradicional das usinas.

“Isso (etanol celulósico) é o futuro. Os americanos estão investindo uma fortuna e querem fazer parcerias conosco porque temos cana”, disse Ferreira, sem dar mais detalhes.

Ele explicou que a quantidade de dinheiro a ser investido no projeto será definido depois de finalizado um plano de negócios.



Sep
13
Filed Under (Energia) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Apesar de o governo ter afirmado que desistiu de fazer qualquer acordo para adiar o cumprimento da resolução que prevê diesel menos poluente a partir do próximo ano, as montadoras e a Petrobras não mudaram de posição.

Em julho deste ano, a Anfavea (representante das montadoras) informou ao governo que não conseguiria cumprir o prazo. A entidade alega que as montadoras só podem começar a adaptar os motores quando houver combustível para testes e culpa a ANP (Agência Nacional do Petróleo) por ter divulgado as especificações do novo diesel apenas no final de 2007.

Ontem, a Anfavea não quis falar. Procuradas, a Mercedes, a Volkswagen e a Iveco também não se manifestaram.

Já a Petrobras manteve a posição de só fornecer o diesel S-50 (com 50 partes por milhão de enxofre) a partir de 2009 para o veículos que tenham os motores adaptados.

Segundo Frederico Kremer, gerente de soluções comerciais da Petrobras, a resolução não obriga que o diesel seja para todos os veículos. De acordo com ele, a Petrobras se prepara para atender à demanda. “Estamos investindo até 2012 cerca de US$ 8,2 bilhões para a redução do enxofre. As unidades são complexas. A construção leva de cinco a seis anos.”

Sobre o ministro ter dito que quem descumprir a norma terá de se acertar com a Justiça, Kremer disse que “a Petrobras atua de maneira legal e vai atender o que for definido”.

A Petrobras, diz, apóia a proposta de uma nova etapa para o Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) em 2012. “[A empresa] está sempre preocupada com a questão ambiental, e o ministro está antecipando uma fase do Proconve que seria materializada em 2016.”

Em 2007, a Petrobras disse que em 2013 que o diesel com 2.000 ppm de enxofre seria eliminado.