Archive for the ‘Fauna’ Category

Nov
22
Filed Under (Fauna) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

O charybdis hellerii, uma espécie de siri invasor, está acabando com os siris nativos que garantem a alimentação e a renda de milhares de famílias no Maranhão. Ele tem o corpo coberto de espinhos e é agressivo.

A espécie veio dos oceanos Índico e Pacífico e chegou ao Maranhão sob a forma de larvas trazidas na água usada nos cascos dos navios para dar estabilidade. Esse lastro acaba trazendo milhares de larvas de siris. Em outro porto, a embarcação despeja parte dessa água e deixa no local minúsculos passageiros clandestinos.

Pela lei, cabe à marinha monitorar a água de lastro, mas o comandante Luiz Carlos de Melo admite que a fiscalização é falha. “Não posso assegurar 100% dos navios são inspecionados, isso é humanamente impossível”, diz.

O siri que invadiu a costa maranhense é apenas um exemplo do perigo que se esconde nos porões dos navios. Pesquisadores da Organização Mundial de Saúde estimam que, todos os dias, mais de sete mil espécies de microorganismos vivos são transportados nas embarcações que cruzam os oceanos.

Casos semelhantes

O mexilhão dourado veio dos rios da Ásia; chegou à Argentina na década de 90 e se espalhou pelo Paraguai, Uruguai e parte do Brasil. O molusco gruda nas turbinas e prejudica o funcionamento das usinas hidroelétricas.

Outra ameaça que veio da Ásia é o coral sol. Ele tomou conta de 20 quilômetros do canal da Ilha Grande, no litoral fluminense, e agora chegou a Ilhabela , em São Paulo. Sua beleza esconde um predador perigoso capaz de eliminar todos os corais nativos.

Reprodução acelerada

No Maranhão, a proliferação do siri invasor preocupa os cientistas. “Se reproduzindo mais rápido, o siri invasor vai acabar se sobressaindo à população do siri nativo. A tendência é que a espécie seja extinta”, explica a pesquisadora Bruna Martins, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Na UFMA, os cientistas estudam maneiras de conter essa praga. Eles já sabem que o siri é rico em cálcio e pode ser usado na produção de farinha ou de ração para peixes.

Iguaria

A melhor maneira de proteger a fauna nativa envolve uma mudança de paladar: os pesquisadores querem desenvolver receitas culinárias para acostumar a população ao sabor do siri asiático.

- Precisamos tentar convencer as pessoas de que consumir o siri invasor não custa nada, é só uma forma de amenizar o impacto que ele está causando - diz o pesquisador Randolfo Azevedo.



Oct
31
Filed Under (Fauna) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

cintestinalis1 Espécie marinha exótica é reencontrada na Baía de GuanabaraOs oceanos guardam mais surpresas do que se pode imaginar. Pesquisa coordenada pelo biólogo Luís Felipe Skinner, do Grupo de Ecologia e Dinâmica Bêntica Marinha da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), registra a ocorrência de uma espécie marinha exótica nas águas da Baía de Guanabara, na região da Urca: a Ciona intestinalis.

- Esse animal é uma espécie de ascídia, que é um cordado primitivo - explica o professor.

A última vez que a espécie foi encontrada próxima à entrada da baía, na Urca, foi em 1991.

- Desde essa época, os especialistas chegaram a acreditar que ela tivesse desaparecido das águas da Guanabara, e até mesmo dos mares brasileiros - conta Skinner, que recebeu auxílio da Fundação para a pesquisa por meio de um APQ1.

A expressão “espécie marinha exótica” refere-se a todas as espécies do mar que se estabelecem, devido à ação humana, em um território onde estavam originalmente ausentes. Esse transporte pode ser voluntário ou involuntário.

- As espécies exóticas são um dos principais problemas derivados do intenso tráfego marítimo no mundo. Elas podem viajar aderidas nos cascos ou então na água de lastro de embarcações e plataformas, estando associadas à atividade portuária - diz o biólogo, que ainda desconhece a origem da Ciona intestinalis presente na Baía de Guanabara.

A introdução de espécies marinhas exóticas em um novo ecossistema pode trazer efeitos negativos. De acordo com Skinner, dois casos que ilustram os prejuízos causados pela introdução dessas espécies em novos habitats são o mexilhão-zebra, nos Estados Unidos, e o mexilhão dourado, na Bacia do Prata:

- A introdução do pequeno bivalve (mexilhão), conhecido como mexilhão-zebra, na região dos Grandes Lagos dos Estados Unidos trouxe impactos econômicos da ordem de US$ 1 bilhão anual para o seu controle. A invasão do mexilhão dourado, outro molusco, também traz grandes prejuízos na Bacia do Prata. Esses animais se proliferam e entopem dutos de transporte de água e de escoamento da rede de esgoto, além de reduzirem a passagem da água nas usinas hidrelétricas.

- Embora não represente nenhum problema aparente para o ecossistema da Baía de Guanabara, em muitos locais do mundo, como na Austrália, a Ciona é conhecida por competir por espaço, alimento e até por oxigênio com outras espécies nativas, impedindo seu crescimento e até mesmo reduzindo a biodiversidade. Ela pode inclusive levar à morte espécies de interesse comercial, como mexilhões e ostras, principalmente em cultivos - alerta.