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Filed Under (Nanotecnologia) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

01 mhg tec nano 300x191 Nanomateriais podem causar danos à saúde e ao meio ambienteCom os pesados investimentos sendo feitos no Primeiro Mundo em pesquisa em nanotecnologia, cientistas andam meio receosos de que as novidades nessa área estejam ocorrendo rápido demais. A preocupação tem a ver com possíveis riscos ao meio ambiente e à saúde, e está motivando testes mais cuidadosos, além de leis e regulamentos mais severos com relação a produtos “nanotech”.

Nanotecnologia tem a ver com o controle da matéria na escala atômica ou molecular, lidando com minúsculas estruturas com tamanhos na ordem de um nanômetro, que equivale à milionésima parte do milímetro. Para ficar mais fácil visualizar a pequeninez dessa medida, se o globo terrestre tivesse um metro de diâmetro, uma bolinha de gude teria um nanômetro de diâmetro. Agora, imagine a complexidade tecnológica de desenvolver materiais e dispositivos em escala tão diminuta.

As aplicações da nanotecnologia incluem mecânica, eletrônica, cosméticos, medicamentos, alimentação, biologia, química, engenharia, robótica, física e por aí vai. Mas nem todos os nanomateriais são suspeitos de causar dano à saúde, muito embora alguns sejam sérios candidatos. O primeiro deles é um material cujo nome é quase um palavrão: buckminsterfulereno, apelidado de buckyball ou buckybola. É uma molécula de carbono com formato esférico, lembrando uma bola de futebol.

Pesquisas recentes patrocinadas pelo governo britânico revelaram que buckybolas podem ser nocivas à saúde por fomentarem a produção excessiva de gordura corporal. Outra nanoestrutura bem famosa são os nanotubos de carbono, que em alguns casos são associados ao risco de câncer no pulmão e de mesotelioma, um tipo de câncer usualmente causado por inalação de amianto.

Descobriu-se também que nanopartículas de prata usadas no tecido de meias para reduzir odores desagradávels (leia-se chulé) são eliminadas na lavagem. Como são bacteriostáticas, essas nanopartículas podem destruir bactérias benignas importantes que têm a função de degradar matéria orgânica em usinas de processamento de lixo.

Além disso, um estudo da Universidade de Rochester, nos EUA, descobriu que nanopartículas inaladas por ratos ficaram alojadas no cérebro e no pulmão, elevando os biomarcadores indicativos de inflamação e estresse.

Há também incertezas quanto ao impacto ambiental causado por essas nanoestruturas, o que vem motivando a realização de análises que infelizmente são muito mais lentas do que a velocidade com que surgem as inovações nesse ramo de pesquisa.

De acordo com um relatório da empresa Lux Research ( tinyurl.com/lux-research ), as grandes corporações têm sido os maiores propulsores da comercialização de produtos nanotech, já tendo despendido mundialmente entre US$ 6,6 bilhões e US$ 13,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. Só este ano a média de gastos das empresas americanas deve chegar a US$ 33 milhões em pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia. A expectativa é que esse total aumente para US$ 39 milhões em 2010.

Poucas grandes corporações, no entanto, vêm tendo sucesso no setor, pois todos os concorrentes ainda estão meio que titubeando quanto às melhores estratégias e estruturas organizacionais a adotar para melhor desenvolver e explorar inovações nanotecnológicas. A pesquisa da Lux entrevistou executivos de 31 multinacionais em três setores da nanotech: manufatura/materiais, eletrônica/TI e saúde/biologia.

Com o surgimento cada vez mais rápido de novos nanomateriais, é possível surjam questões de risco que não poderão ser apreciadas simplesmente tratando-os como misturas de compostos químicos.

Na maioria dos países, a regulamentação ainda é vaga com relação ao uso de nanomateriais e procedimentos envolvendo nanotecnologia em laboratórios e locais de trabalho, e a questões de comercialização e uso de produtos químicos, produtos de consumo incorporando nanopartículas livres, produtos para uso na pele e nos cabelos, além de medicamentos e dispositivos médicos, entre outros materiais.

A criatividade dos cientistas nesse ramo parece não ter limite. Uma equipe de pesquisadores está desenvolvendo uma camisa-geradora, capaz de produzir eletricidade suficiente para alimentar pequenos dispositivos eletrônicos para esportistas, caminhantes e outros usuários cujo movimento físico corporal possa ser convertido em energia elétrica. O invento foi criado no Instituto de Tecnologia da Georgia, nos EUA.