Os catadores de resíduos sólidos precisam ter recicladas suas condições de trabalho. Essa é uma provável conclusão de qualquer pessoa que visite um aterro sanitário ou observe em sua rua catadores que buscam materiais recicláveis em latas de lixo.
“Essas pessoas [catadores] estão sujeitas a muitos riscos, eles trabalham em lugares e sob condições inadequadas, insalubres e perigosas”, alerta Valéria Gentil, pesquisadora e doutoranda do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB).
Para o fim dos lixões e início da coleta seletiva, todo município mineiro deve elaborar e implementar o Plano de Gestão Integrado de Resíduos Sólidos Urbanos. Essa determinação consta na Lei 18.031, publicada no dia 12 de janeiro deste ano, e debatida nesta sexta-feira (6) durante o III Seminário de Resíduos Sólidos Urbanos, realizado no Centro Mineiro de Referência em Resíduos. O encontro, que contou com a participação de mais de 300 pessoas, foi realizado pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG).
O plano de gestão integrado dos municípios compreende as etapas de geração, segregação, coleta, manuseio, acondicionamento, transporte, armazenamento, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos. “De acordo com pesquisa do Ministério do Meio Ambiente, o custo da gestão dos resíduos chega a um ótimo preço a partir de 100 mil habitantes. O caminho é incentivar a cooperação intermunicipal com o estabelecimento de consórcios”, afirmou o presidente da Feam, José Cláudio Junqueira, que ministrou palestra sobre os principais aspectos da Lei 18.031.
Mais de 150 voluntários, a maioria professores e alunos do Ensino Médio, promovem às 10h deste sábado, Dia Mundial de Limpeza, um grande mutirão de recolhimento do lixo da Praia de Copacabana, no trecho em frente à Rua Santa Clara. A campanha, que terá a presença da secretária do Ambiente, Marilene Ramos, vai marcar a participação do Governo do Estado nas comemorações do Clean Up The World, uma das atividades ambientais mais pró-ativas em âmbito mundial, realizada em mais de 125 países.
No Rio, as comemorações começam sexta-feira, com o lançamento, pela Secretaria do Ambiente, do projeto Contador de Árvores, no Jardim Botânico, e a visitação de vários alunos de diferentes escolas ao Encontro das Águas, Espaço do Ambiente também da Secretaria do Ambiente, na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Os estudantes farão a limpeza simbólica da Lagoa, assistirão a palestras e exibições do Teatro de Bonecos, do Grupo Catavento.
Para este sábado, a Secretaria do Ambiente, Serla, Feema e IEF programaram atividades em alguns municípios como Niterói, Campos, Macaé, Friburgo, Petrópolis e Teresópolis, envolvendo prefeituras, a sociedade civil organizada, sobretudo por meio das associações de moradores, de pescadores, ONGs, escolas, empresas e corporações de excelência em responsabilidade sócio-ambiental.
O objetivo é promover mutirões de limpeza nas praias, rios, canais, lagoas, baías e manguezais: replantio de sementes e mudas originárias da Mata Atlântica; estímulo ao manejo em áreas de proteção permanente e, sobretudo, ações de educação ambiental.
O Clean Up World teve início na Austrália e começou no Rio em 2003, com a campanha Limpeza na Praia, promovida pelos institutos Aqualung e Lagoa Viva, nas praias de Copacabana e da Barra da Tijuca, e a revitalização da bacia hidrográfica da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. A ação tornou-se permanente na agenda anual do Pacto de Resgate Ambiental do Governo do Estado do Rio, da qual participam também dezenas de entidades.
Atualmente, cerca de 11 mil toneladas de lixo residencial são recolhidos todos os meses na capital sergipana. Diante dos números e tendo como único ponto de coleta o Lixão da Terra Dura, órgão públicos discutem novas alternativas para a destinação de resíduos na Grande Aracaju. O sociólogo e professor Geraldo Viana destaca que, em menos de 15 anos, a estimativa de uso do Lixão fica praticamente esgotada, alertando a necessidade de estudar outras opções. Ele defende a instalação de uma usina de valorização de resíduo sólido no Estado, que é capaz de transformar a coleta em energia elétrica.
Geraldo Viana destaca que diversos estudos para instalação de um aterro sanitário na Grande em Aracaju estão sendo discutidos. E destaca que além da escolha para o sistema de lixo, há outras opções tão quanto ou mais viáveis, em termos de custo, impacto ambiental e geração de emprego para a população.
“Por desconhecimento, muitas pessoas não conseguem observar que as usinas, atualmente, não são tão caras quanto parecem ser. Posso apostar que a usina, da qual me refiro, tem um custo abaixo se for fazer um comparativo com o aterro sanitário e não produz chorume”, explica.
Viana alega que a usina também permite que os catadores permaneçam no processo de separação dos sólidos, não causando desemprego de pessoas que se utilizam do lixo como geração de renda para família. “Defendo a implantação de uma usina de valorização de resíduo sólido que é capaz de transformar o lixo em recurso energético”, explica dizendo que é economicamente viável a implantação dessa indústria de lixo.
O professor Viana completa que Sergipe seria o pioneiro na utilização desse mecanismo e aponta outras regiões como a área da Universidade Federal do Rio de Janeiro conhecida popularmente como ‘Fundão’, e em Recife, como áreas que utilizam ferramentas parecidas. “Como as usinas de incineração”, diz ele, informando que para a implantar os aterros seriam gastos R$ 150 milhões aproximadamente e R$ 30 milhões para a usina. “Em termos de área utilizada, a usina consegue aproveitar dez vezes menos o espaço utilizado pelo aterro”.
A Usina de Valorização do Resíduo representa um empreendimento que comprime e “inertiza” o resíduo tanto seco quanto úmido. Ela transforma o resíduo em energia. E o último resíduo desse processo são as cinzas que são utilizadas na fábrica de cimento ou na agricultura.
A usina transforma o resíduo em produtos nobres: a energia elétrica, o fertilizante orgânico. Tudo isso num processo industrial, onde as pessoas que hoje são catadoras de lixo podem ser utilizadas, não para trabalhar com materiais perigosos, mas para trabalhar com materiais inertes. E nesse sentido, a usina pode reduzir a zero o custo de destinação final por tonelada.
Origem da tecnologia
A Usina de Valorização de Resíduos Sólidos não é uma tecnologia desenvolvida no Brasil, é uma tecnologia européia, especificamente Itália, França e Alemanha. “É uma ferramenta que tem uma tendência para ser instalada em grande parte dos países europeus. Pela legislação européia, preconiza que até 2016 não faça implementação de aterros sanitários”, diz.
Outras alternativas são as usinas de incineração (usina verde) e a de valorização de resíduo sólido. Vale ressaltar que a incineração que ocorre na usina de valorização de resíduo sólido é mais eficiente que a usina verde. Ou seja, a usina em questão, tem um pré-tratamento do lixo que faz a prensagem – processo que retira do lixo toda a umidade. E um processo de digestão anaeróbico onde se retira um gás, chamado biogás.
Atualmente o Brasil se depara com um sério problema ambiental que acomete a todos os brasileiros, o lixo, este ameaça a saúde, pois atrai animais vetores de doenças, gera odores, polui o solo e a água, entopem bueiros causando enchentes que por sua vez destroem milhares de lares todos os anos.
E você já parou pra pensar em quanto de lixo você produz por dia? E qual a destinação que você está dando a ele?
Cada brasileiro produz em média quinhentos gramas de lixo por dia, e grande parte dele, não tem destinação correta. São lançados cerca de 76% a céu aberto, e o restante vai para aterros sanitários, usinas de compostagem, e uma pequena porcentagem para a reciclagem, causando grandes impactos ambientais. Estima-se que o Brasil perde R$ 4,6 bilhões por ano por não aproveitar o lixo que produz.
Para se ter uma idéia da vantagem da reciclagem, leve em consideração os seguintes dados:
• De cada cinqüenta quilos de papel usado, transformado em papel novo, evita que uma árvore seja cortada.
• Com um quilo de vidro quebrado, faz exatamente um quilo de vidro novo, e este pode ser reciclado muitas vezes.
• Cinqüenta quilos de alumínio usado e reciclado evitam que seja extraído do solo cerca de cinco mil quilos de minério, a bauxita.
• Uma tonelada de plástico reciclado economiza 130 quilos de petróleo.
Estes são apenas alguns exemplos, para que se perceba a importância da reciclagem. Agora imagine quanto destes materiais estão no aterro sanitário ocupando espaço, e que poderia ser reciclado. Quantos papéis, plásticos, vidros, latinhas você jogou fora? Quantas árvores você ajudou a preservar? Quantos rios deixou de poluir?
A consciência de cuidar do lugar onde moramos é de cada cidadão, quando estiver na rua jogue seu lixo sempre nas lixeiras, se não houver uma próximo a você guarde o lixo até encontrar alguma. Selecione seu lixo domiciliar ele pode ser reciclado. Um simples papel de bala, pacote de supermercado pode parecer insignificante, mas quando lançado ao meio ambiente causa impactos irreversíveis.
Existem soluções para tudo isso, é apenas questão de escolha e vontade individual e coletiva.
Vamos nos preocupar com nossa cidade melhorando este aspecto, cuide bem das ruas, não faça delas lixões, existem lixeiros, e estes são para serem usados. Vamos cuidar de nosso patrimônio, para que as futuras gerações possam desfrutar de um lugar limpo e agradável para viver.
Ana Paula Kuhne
Roberto Marques