A Walt Disney disse que planeja cortar as emissões de carbono de seus escritórios e parques pela metade até 2012 e, depois disso, continuar uma série de ações até atingir o nível zero de emissão de gases de efeito estufa.
O anúncio aconteceu por meio do relatório anual de responsabilidade social da empresa, em que a Disney apresenta sua meta de cortar totalmente as 300.000 toneladas de lixo que regularmente manda para aterros, a maior parte vindo da construção e reformas.
Uma pesquisa feita na Universidade de Brasília pela engenheira florestal Ana Virgínia encontrou no araçá do Cerrado (Psidium myrsinides) uma matéria-prima para perfumes, o linanol.
Segundo a pesquisadora, as pessoas pensam que a vegetação é de Cerrado só porque existem árvores retorcidas, com casca grossa e pouquíssimo valor, em comparação com a diversidade da Amazônia, o que é um engano.
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A Petrobras decidiu se desligar do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e afirmou ser vítima de uma campanha difamatória por parte dos governos de São Paulo e Minas Gerais. A briga, que agora tomou viés político, tem como causa o diesel distribuído no país. Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente obrigava que o Brasil tivesse um diesel menos poluente a partir de 2009. Petrobras e montadoras, porém, disseram que não teriam tempo para se adequar à norma, criada em 2002, e acabaram firmando um Termo de Ajustamento de Conduta.
A mobilização pelo cumprimento da resolução foi capitaneada pelo Movimento Nossa São Paulo, liderado por Oded Grajew -que também é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos.
Nota da empresa divulgada ontem diz que a Petrobras “vem sendo alvo de uma campanha articulada com o objetivo de atingir a imagem da companhia e questionar a seriedade e eficiência de sua administração”. E diz ter decidido se desligar do Ethos “por entender que o grupo de pessoas e entidades responsável por essa campanha contra a companhia encontra respaldo no instituto”.
O texto fala, também, que a ação é política e que “o grupo de pessoas que atua de forma deliberada e difamatória contra a Petrobras é composto por integrantes das Secretarias de Meio Ambiente dos Estados de São Paulo e Minas Gerais”, além da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de SP.
Oded Grajew afirma que não pode ser acusado de ação política. “Se tem alguém insuspeito, sou eu. Sempre dei todo o apoio ao [presidente] Lula, eu que abri as portas do mundo empresarial para ele”, afirmou.
O presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, lamentou a decisão. “Queríamos ver a Petrobras enfrentando o problema. Acho que esse é mais um equívoco.” Ele ressaltou que a empresa neste ano foi condenada pelo Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) e excluída da carteira do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BM&F Bovespa. A Folha procurou as secretarias estadual e municipal de meio ambiente de SP, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. A reportagem não conseguiu contato com a secretaria de meio ambiente de MG.
Fonte: Jornal UAI
Reconhecendo o potencial impacto da sua actividade, a indústria de TI tem vindo a adoptar comportamentos mais respeitadores do ambiente, através do reaproveitamento de materiais, da reciclagem de resíduos ou do uso das energias renováveis, entre outros, mostra o “The Green IT Report 2008 - The Computer Equipment Lifecycle Survey”, da Capgemini.
O relatório analisa as credenciais ambientais dos principais fabricantes de hardware, pretendendo mostrar de que forma o mundo empresarial tem respondido à pressão no que respeita às questões do ambiente, tendo em conta todo o ciclo de vida dos produtos - desde o seu fabrico até à eliminação.
O Green Report mostra que as empresas de TI consideram muito importante dar a conhecer as suas credenciais ambientais aos clientes, a fim de aumentar as receitas, por isso têm cada vez mais em consideração todo o ciclo de vida dos produtos - desde o seu fabrico até à eliminação.
Apesar do impacto positivo das iniciativas verdes, espera-se que a pegada de carbono da indústria de TI cresça ainda mais. “No entanto, se isso permite uma maior redução da emissão de carbono nas restantes indústrias, deve ser considerado como um aspecto positivo”, refere a Capgemini.
O estudo indica igualmente existir pouco entendimento no seio da indústria quanto à melhor forma de medir o impacto dos seus produtos no meio ambiente. No entanto, o sector está expectante por uma métrica que avalie os produtos em todo o seu ciclo de vida.
A Capgemini salienta, também, a pouca coerência na forma como as empresas de hardware medem, reportam e direccionam a utilização dos seus recursos.
A EMC, a HP, a IBM e a Sun Microsystems foram os parceiros Capgemini analisados neste estudo. O Google integrou igualmente o rol de empresas avaliadas, apesar de não ser um fabricante, e a Intel também forneceu dados importantes, salienta a consultora num comunicado.
A ética é uma ciência cujo objeto de estudo se perfaz na distinção entre o bem e o mal, entre o que é bom e o que é ruim genericamente para a civilização humana. Difere, entretanto, da moral, que, em seu conteúdo, determina o conjunto de regramentos existentes em uma sociedade específica, podendo ser bons ou ruins de acordo com os costumes e tradições vividas por aquele povo.
Com a ecosustentabilidade, tais conceitos não se desvirtuam, devendo ser interpretados dentro do contexto da relação entre a ambiência e a civilização humana. A ética ambiental se refere a tudo aquilo cuja existência é essencial para a própria sobrevivência do homem, sem a água não há vida, sem a fauna não há alimento, sem a flora não há desenvolvimento, desta forma, a preservação destes é imperiosa para a continuidade da nossa espécie neste planeta. Quanto ao aspecto da moral, a distinção se dá na medida dos costumes e tradições das determinadas sociedades, como exemplo citemos o nosso próprio país, onde o líquido essencial à vida, a água, é abundante, e, portanto, o desperdício é algo cotidiano, pois na mentalidade errônea da maioria não fará falta, já em alguns países do Oriente Médio, onde este recurso natural é escasso, inexiste o mau uso deste por plena necessidade.
A própria vida transcorre em um ambiente de definições genéricas e universais embasadas na ciência ética, moldadas de acordo com os valores costumeiros e morais transcritos no seio de uma determinada sociedade. As matérias ambientais, apesar de acionadas na práxis cotidiana, são originadas no seio da ciência ética, tendo seus princípios como base e fundamentação em uma sociedade moderna, dotada de ordenamentos jurídicos com objetivo de positivar tais enunciados e garantir a aplicabilidade do direito ambiental.
A reflexão baseada na ética e seu compromentimento com a sociedade, cada vez mais presente na ecosustentabilidade, traz à tona , a necessidade premente de uma ordem fundamental ambiental baseado nos conceitos mencionados e dotados de aplicabilidade. A Constituição Federal de 1988, em uma redação vanguardista, trouxe em seu artigo 225 o direito de todo o cidadão brasileiro possuir um meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à qualidade de vida, devendo ao poder público e à coletividade a responsabilidade de preservá- lo. O direito fundamental ao meio ambiente está teoricamente resguardado em nossa carta magna, mas a sua aplicabilidade ainda está longe da realidade necessária.
A legislaçào ambiental e suas normatização possui claras características de norma difusa, coletiva e fundamental, vez que o seu objeto é primordial para a manutenção da vida humana no globo terrestre. Da ciência ética relativa ao meio ambiente, abstrai- se os princípios e conceitos norteadores deste conjunto de regras jurídicas. A não observação das normas e princípios advindos de uma ética ambiental leva a humanidade a conflitos diversos, tendo, em sua maioria, a disputa pela posse dos recursos naturais como pano de fundo, citemos a invasão do Iraque e a disputa pelo petróleo daquela região como inequívoco exemplo.
Por ultimo, depreende- se a importância do tema neste texto, concluindo ser essencial a uniformização da moral de acordo com os conceitos estabelecidos por uma ética ambiental ,visaando uma ecosustentabilidade por parte das empresas que realmnete estao comprometidas. O direito ao meio ambiente sustentavel é parte integrante deste anseio, mas para possuir aplicação prática, somente a conscientização da sociedade,dos governos e das empresas pode fornecer concretude a este conceito , que por enquanto, muitas vezes teórico sem praticidade nehuma,mas somente propaganda enganosa.
* Roberto Azevedo Roche Moreira Junior é consultor ambiental e conselheiro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Depois de quatro anos de articulação entre organizações não-governamentais, produtores rurais e entidades indígenas, a campanha de proteção das nascentes do rio Xingu intitulada Y Ikatu Xingu apresenta os mais bem sucedidos projetos de recuperação de matas ciliares e reserva legal de Mato Grosso.
Eram necessárias medidas urgentes para salvar uma das bacias hidrográficas mais importantes da complexa rede hídrica do Amazonas. Segundo dados do Instituto Socioambiental divulgados na semana passada durante o 2º Encontro de Nascentes do Xingu, em Canarana, quase um terço da bacia do rio Xingu foi desmatado até o ano passado. Cerca de seis milhões de hectares de cerrado e matas de transição. Somente nas margens dos rios desapareceram 305,3 mil hectares nas 22,5 mil nascentes da região.
Para salvar os rios e matas do Xingu, onde está situado o Parque Indígena do Xingu, a maior área indígena do mundo, a campanha Y Ikatu Xingu formou uma rede de projetos para proteger as nascentes e matas ciliares. Boa parte deles contempla a restauração florestal e alternativas econômicas; gestão e cadastro socioambiental de propriedades rurais e assentamentos; formação de agentes ambientais; manejo controlado do fogo; produção de sementes das espécies do cerrado e planejamento e gestão territorial.
“Esses encontros são uma oportunidade de todos se juntarem numa área distante, isolada e extensa em Mato Grosso e mostrar o que cada um está fazendo para reduzir os passivos ambientais. O grande desafio agora é dar um salto com técnicas de recuperação do cerrado e mais do que isso, mudar definitivamente a cabeça das pessoas quanto à proteção do meio ambiente”, disse o coordenador de Iniciativas Para Redução das Mudanças Climáticas do ISA, Márcio Santilli.
Desafios para recuperar o Cerrado
Até 1950, 22,2% do território brasileiro era de matas de cerrado, cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados. No último levantamento feito pelo IBGE restaram apenas 34% das matas do cerrado; apenas 1,47% estão em áreas protegidas. Além disso, o que ainda resta são as áreas indígenas. A principal é o Parque Indígena do Xingu (três milhões de hectares), que possui manchas de cerrado e mata de transição.
O problema que se enfrenta em tempos de regularização ambiental de propriedades rurais é que o cerrado é um bioma bastante frágil e muito mais difícil de se regenerar que as matas amazônicas. O Instituto Florestal de São Paulo vem pesquisando há 30 anos técnicas de recuperação de matas de cerrado e só agora conseguiu apresentar bons resultados.
A técnica Giselda Durigan apresentou durante o 2º Encontro de Nascentes da Bacia do rio Xingu alguns dos resultados de pesquisas feitas pelo instituto na Floresta Estadual de Assis (SP) e alertou os produtores de que é mais econômico manter a reserva legal e matas ciliares do que depois tentar recuperá-las. “O cerrado é uma vegetação muito particular que consegue desenvolver estratégias de sobrevivência, mas não de se multiplicar”, disse.
Regeneração natural
O uso do fogo é um empecilho para recuperação do cerrado, por eliminar sementes para regeneração. A braquiária é um inimigo silencioso e a agricultura o principal agente de destruição das estruturas subterrâneas do cerrado. Os principais obstáculos para a recuperação são: falta de produção de sementes, solo erodido e falta de polinizadores.
Depois de observar seis experiências em solos, Giselda conta que a melhor maneira de recuperar reservas legais é facilitar a regeneração natural, fazendo o controle de plantas invasoras como as gramíneas que sombreiam as plantas, e o uso de herbicidas. “Além disso é preciso evitar revolvimento da terra para facilitar a rebrota de raízes. A escolha do que se vai plantar na recuperação é importante. Nunca se deve utilizar plantas da Amazônia em áreas de cerrado porque não dará certo. Deve-se abusar das gramíneas (capim do cerrado), trepadeiras e flores”, explicou.
O bioma de cerrado tem uma importância fundamental na proteção das nascentes das principais bacias hidrográficas brasileiras: Amazônica e Paraguai- Paraná. O cerrado proporciona maior infiltração das águas de chuvas, mantendo as nascentes e evitando enchentes. “É o que mantém o equilíbrio hidrológico do país”, comenta Giselda.
Duas décadas depois da morte de Chico Mendes, o líder dos seringueiros, a extração do látex da seringueira é uma cultura que continua sendo a principal fonte de renda para milhares de pessoas que vivem na Floresta Amazônica. O aumento da ocupação da Região Norte por fazendeiros, incentivados pelo Governo Federal a comprar terras na Amazônia, no entanto, levou seringueiros a criarem reservas extrativistas.
As reservas, segundo os seringueiros, surgiram como alternativa para o desenvolvimento sustentável para a Amazônia. No Acre, são ao todo cinco reservas, entre elas a Reserva Extrativista Chico Mendes, criada em 1990.
Na Reserva Extrativista Chico Mendes, que tem 970 mil hectares, vivem aproximadamente 2 mil famílias, que têm como principal fonte de renda a extração da castanha e da borracha. O território da reserva abrange seis municípios e é protegido por apenas dez funcionários do Instituto Chico Mendes, que fiscalizam toda a área.
“Nós temos um contingente muito pequeno e para suprir as necessidades de fiscalização da reserva temos contado com o apoio de outras forças, como policiais, o Exército e a Polícia Federal. Ainda assim, isso ainda é insuficiente para podermos conter todos os problemas que existem dentro da reserva”, afirma Sebastião Santos da Silva, chefe da unidade.
Para conseguir vencer o desafio da fiscalização, Silva diz que procura trazer a responsabilidade para os moradores da comunidade. “Uma vez que eles recebem a concessão de uso, eles têm que se responsabilizar pela fiscalização desse recurso”, afirma. Nas reservas extrativistas não há títulos individuais de propriedade.
A construção de uma usina em Xapuri para a produção de preservativos masculinos a partir do látex nativo reativou o interesse dos seringueiros pelo corte da seringa. Para 2008, a expectativa de produção é de 250 toneladas, quase o dobro de 2007. Desde a criação da reserva, a energia elétrica já chegou à comunidade e os moradores têm a oportunidade de estudar dentro da reserva.
Segundo o texto, “testes realizados indicaram que o uso do mencionado diesel em motores antigos provoca redução de 40% em material particulado e de 10% a 15% em óxido de nitrogênio e monóxido de carbono”. Os três itens são poluentes que saem pelo escapamento dos ônibus, caminhões e utilitários abastecidos com diesel e que levam ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
O documento responde a um pedido de informação do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP). Ele também informa que o benefício ambiental depende de os veículos estarem devidamente regulados, com manutenção adequada.
Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a 315, de 2002, determina que o diesel S50 substitua os tipos mais poluentes, com 500 ppm e 2.000 ppm de enxofre, em 1º de janeiro. Porém, o texto não deixa claro se a quantidade a ser disponibilizada deve ser suficiente para abastecer veículos novos e antigos ou apenas os veículos novos.
O Ministério Público Federal, secretarias de Meio Ambiente de São Paulo (estadual e municipal) e de Minas Gerais, organizações civis e médicos afirmam que a primeira interpretação deveria ser a válida, ao alegar menor impacto à saúde da população ao incluir veículos antigos na conta. A Petrobrás prefere a segunda interpretação - que foi referendada pela Justiça no mês passado.
Segundo o secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, o valor exato do ganho ambiental é discutido, ainda que não contestado. “A Petrobrás fala em 10%, outras fontes falam em 40%. Mas mesmo 10% seria maravilhoso”, afirma. “A simples regulagem, pelas inspeções veiculares, forneceria um ganho de mais de 10%. Com o S50, então, somariam-se dois benefícios.”
Em ofício datado de 22 de agosto, em resposta a uma solicitação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) diz que não há problemas técnicos em colocar diesel mais limpo em motores preparados para receber diesel mais sujo. O que falta é colocar o combustível no mercado.
“Até onde a Anfavea tem conhecimento, os veículos pesados e motores hoje produzidos por suas associadas já são compatíveis com esse novo combustível (S50). Portanto, tão logo seja disponibilizado o fornecimento desde diesel S50 no município de São Paulo, não haverá impedimento algum a que os referidos veículos pesados e motores sejam abastecidos com o novo combustível.”
A Anfavea, por meio de sua assessoria de imprensa, reiterou a informação. Segundo a associação, o que não é possível é abastecer veículos novos, preparados para receber o S50, com o diesel sujo atualmente utilizado no País.
O príncipe Albert, de Mônaco, quer que o Grande Prêmio de Fórmula 1 disputado no principado utilize apenas biocombustíveis, realizando uma mudança que, na opinião dele, ajudará a imagem da modalidade esportiva e limitará a emissão de gases do efeito estufa.
O príncipe também afirmou, em entrevista à Reuters, que membros da família dele em todo o mundo envolviam-se cada vez mais com as campanhas para conscientizar os cidadãos sobre a necessidade de combater as mudanças climáticas, e isso, em parte, pelo fato de as provas científicas sobre o aquecimento global haverem se tornado mais robustas.
“Todos podemos contribuir; essa é a mensagem mais importante”, afirmou o príncipe a respeito dos esforços para combater o aquecimento global e evitar a intensificação de fenômenos como as ondas de calor, as enchentes, as secas e a elevação dos oceanos.
“A Fórmula 1 terá de recorrer em breve às fontes alternativas de energia”, afirmou, durante uma conferência da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), realizada em Barcelona.
“Se quiserem ter algum nível de credibilidade, eles terão de seguir as tendências atuais” a respeito das energias mais limpas, disse o príncipe, referindo-se à Fórmula 1. Atualmente, os carros da categoria podem queimar o equivalente a 1 litro de combustível fóssil por quilômetro.
Questionado sobre se desejava que os motores funcionassem exclusivamente com combustíveis alternativos, o príncipe Albert respondeu: “Esse é o nosso objetivo. Isso levará algum tempo, mas tenho certeza de que atingiremos essa meta.”
Segundo o príncipe, quando defendia a luta contra as mudanças climáticas, algumas pessoas lhe perguntavam: “Como você pode falar dessas coisas tendo um GP de Fórmula 1 no seu quintal?”. O Grande Prêmio de Mônaco ocorre dentro do principado de 1.968 quilômetro quadrado.
Os organizadores da categoria deveriam assumir “um papel de liderança” quanto à transformação dos carros, afirmou. A partir de 2008, ao menos 5,75 por cento do combustível usado na Fórmula 1 deverão vir de materiais biológicos.
A entidade que controla a categoria afirmou em julho que a Fórmula 1 “tornava-se insustentável” e pediu às equipes que elaborem novas regras capazes de diminuir os custos e cortar pela metade o consumo de combustível até 2015.
Nos dias do Grande Prêmio, Mônaco contribuiu de alguma forma restringindo o acesso de carros ao local da prova — 80 por cento dos espectadores chegam à pista de trem. “E isso funcionou bastante bem”, afirmou o príncipe Albert.
A preocupação com o meio ambiente faz com que empresas e consumidores comecem a pensar no seu papel quanto a preservação do planeta. Porém, até que ponto as empresas e os consumidores estão realmente engajados neste assunto e fazem – de fato – algo em benefício da questão verde?
Um estudo feito pela TNS InterScience mostra que a América Latina é o continente que mais ajuda a questão ambiental do planeta. A pesquisa Our Green World mostra que 69% dos consumidores da parte sul do continente americano se esforçam para buscar informações sobre o tema. Europa, Estados Unidos e Ásia apresentam 37, 36 e 29% respectivamente.
Porém, o otimismo dos latino-americanos não é dos melhores, já que 46% acreditam que a condição do planeta é crítica. O mesmo não se pode dizer dos profissionais de Marketing. Para eles, usar esta estrutura de segmentação é uma oportunidade para desenvolver bens e serviços que atinjam o público, mesmo sabendo que a pesquisa mostra quatro diferentes tipos de consumidores. Neste caso, é necessário entender que abordagem aplicar para cada um deles, determinar as necessidades “verdes” que podem satisfazê-los e planejar a atitude correta a ser tomada pela empresa.
Brasileiros querem mais responsabilidade
A pesquisa revela que, para o brasileiro, algumas empresas poderiam se envolver mais em ações de responsabilidade social. Em primeiro lugar está o setor automotivo, com 51%, seguido de perto pelos eletro-eletrônicos, que somam 49% das opiniões.
Agir em favor do meio ambiente, porém, parece estar entre as últimas prioridades das empresas de acordo com o público. Para 44% dos entrevistados, as companhias brasileiras usam o tema como uma estratégia de Marketing visando apenas vender mais bens e serviços ou melhorar sua imagem institucional.
Diante desta realidade, as empresas atuantes no segmento estão acuadas, principalmente por saberem que 67% dos brasileiros acham que elas exploram a biodiversidade da Amazônia e, por isso, deveriam pagar taxas para o Governo.
Perfil dos consumidores
Definidas as características mais relevantes destes consumidores, o estudo mostra a presença de diferentes nuances do “Verde”, ou variações de comportamento quando o assunto é o meio-ambiente. Os mais engajados são os que acham que agir com responsabilidade sócio-ambiental é a coisa certa a fazer e chegam a 26% dos entrevistados. Outro comportamento percebido é o que avalia o verde como uma opção de economia de bens e serviços, chegando a 23% do público brasileiro.
Como é um assunto discutido mundialmente, o conceito “green” virou moda e 25% dos entrevistados na pesquisa se encaixam num perfil que define o conceito verde como algo “cool”. Mas ainda há quem não tenha grandes preocupações com o superaquecimento do planeta ou com o derretimento dos blocos de gelo das extremidades da Terra e estes chegam ao assustador percentual de 26%.
O grupo de pessoas que acha que a coisa certa a fazer é apoiar as causas contra a destruição do planeta é composto por cidadãos conscientes, mais maduros, bem informados. “Estes consumidores pedem até para tirar seus nomes de mailings para evitar a impressão de papel e realizam a reciclagem de produtos”, diz Lucas Pestalozzi, Diretor de Planejamento da TNS InterScience em entrevista ao Mundo do Marketing.
Informação, economia e dinheiro
De acordo com a pesquisa, a informação é a melhor maneira de atingir as pessoas que acreditam que este comportamento é a saída para a poluição ambiental. “Eles estão atrás de informação e o ideal é que a mensagem tenha atributos racionais e emocionais”, explica Pestalozzi.
Já o público que prefere os produtos “verdes” por serem mais econômicos, possui uma renda não tão alta e normalmente usam transportes públicos. Este consumidor está engajado em algumas atividades verdes, como desligar o computador, por exemplo. Os que acham que a atitude verde está na moda estão ligados à marca e a questão de preservação não é prioridade, porém estão mais propensos a pagar mais caro por marcas que tem preocupações ambientais.
A maior preocupação das empresas que querem atingir as pessoas que não estão preocupadas com a poluição do planeta é justamente o fato deles não reconhecerem as relações que envolvem a responsabilidade ambiental. Desta forma torna-se mais difícil realizar qualquer ação para este público. “Talvez uma das formas de atingir estas pessoas seja oferecer experiências através de motivações financeiras”, acredita Pestalozzi.
Cuidado para não se queimar
Na América Latina, a poluição da água é o fator mais preocupante para a população, com 43%. Desmatamento e poluição do ar seguem em segundo e terceiro lugares respectivamente, com 30 e 16%. Apesar do discurso afinado na comunicação, existem questionamentos sobre certas ações sócio-ambientais ou posicionamentos “verdes” das empresas.
De acordo com Pestalozzi, um dos cuidados que as empresas devem tomar ao desenvolver ações desta natureza é minimizar a vulnerabilidade. “Por mais que acreditemos em uma campanha verde, ao ver uma cena de poluição protagonizada por uma empresa, acredita-se que a idéia da marca é apenas vender a imagem. Eles esquecem que o público é formado por pessoas engajadas que buscam informações detalhadas”, destaca o Diretor de Planejamento da TNS InterScience.
Assim como os mares e o ar do planeta, o comportamento do público também deve sofrer alterações mais cedo do que pensamos. “Pode ser que em seis meses o resultado desta pesquisa seja óbvio. Temos que estar preparados para esta mudança e os profissionais de Marketing devem olhar para o futuro porque a questão verde é um tema que ainda será discutido mais para frente”, completa Pestalozzi.