Archive for the ‘Sustentabilidade’ Category

Oct
07
Filed Under (Poluição Atmosférica, Sustentabilidade) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Com a poluição e o preço elevado dos combustíveis, pedalar entrou na moda em muitas cidades do mundo rico. No Chile, serviços públicos de bicicletas, ciclovias e estacionamentos especiais são algumas iniciativas em desenvolvimento. “O meio de transporte mais eficiente, cômodo e benéfico em cidades poluídas, congestionadas e estressadas é a bicicleta”, resumiu ao Terramérica Amarílis Horta, presidente do não-governamental Centro de Bicicultura do Chile.

A preocupação das pessoas com a mudança climática e a poluição, a alta dos preços dos combustíveis e a necessidade de atividade física para combater a obesidade explicam o crescente auge deste veiculo no Chile. Também influiu o mau funcionamento do Transantiago, sistema de transporte público da capital, inaugurado em 10 de fevereiro de 2007. A bicicleta, “originalmente, era vista como o pior castigo. Quem não tinha outra alternativa carregava o carma de ter de se movimentar utilizando-a. Também era vista com um brinquedo que se dava às crianças no Natal”, disse Horta. Atualmente, cerca de 20 países têm sistemas de transporte público de bicicletas, entre eles Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Nova Zelândia e Suécia.

A administração, cobrança e tecnologia associadas a estes serviços variam. Tende-se a permitir aos usuários de bicicletas que seus traslados diários não passem de uma hora. Elas são recolhidas em um ponto, ou estação, e devolvidas em outro. O sistema Bicing, impulsionado pela prefeitura de Barcelona, tem mais de 150 mil usuários registrados e dispõe de 400 estações com seis mil bicicletas, localizadas perto das estações do metrô e pontos de ônibus. Em 2007, a União Européia aprovou uma norma que obriga a adequação das instalações nos trens para permitir aos ciclistas transportarem suas bicicletas. Além disso, a Federação Européia de ciclistas trabalha no projeto EuroVelo, uma rede de 66 mil quilômetros de 12 ciclovias regionais que inclui todo o continente.

Na América Latina também há experiências. Em Bogotá, existem 344 quilômetros de ciclovias usadas por 285 mil pessoas, e em Buenos Aires foi aprovada, em dezembro de 2007, a Lei do Sistema de Transporte Público de Bicicleta, em processo de implantação. No Chile, o governo da Região Metropolitana de Santiago iniciou, no ano passado, um plano para construir 690 quilômetros de ciclovias até 2010 – 550 urbanas e 140 rurais – no valor de US$ 38 milhões. Paralelamente, será implementada uma rede de 200 estacionamentos. Além disso, este ano a intendência apresentou outros dois projetos de ciclovias para a capital, a serem desenvolvidos entre 2009 e 2012, particularmente em comunidades com ar muito poluído no inverno.

O metrô de Santiago instalou, em quatro estações, locais com capacidade para guardar 22 bicicletas. O custo diário é de 300 pesos (meio dólar). Por outro lado, no dia 17 de julho, foi formada, no Ministério dos Transportes, a Mesa de Trabalho Cidadania-Governo, de fomento à bicicleta, com representantes do setor público, privado e da sociedade civil. As pesquisas sobre origem e destino do trânsito urbano realizadas em Santiago indicam que apenas 2% de todas as viagens da capital são feitas em bicicleta, afirmou ao Terramérica Cirstián Navas, da Subsecretaria de Transportes.

Os estudos concluem que em um “cenário ideal”, com ciclovias atravessando toda a cidade, estacionamento e respeito aos ciclistas, a demanda cresceria pelo menos 8%. Essa é uma das metas fixadas pelo governo, afirmou Navas. Em Santiago, as autoridades estão definindo os lugares estratégicos para instalar os estacionamentos e analisando modelos de negócios associados a eles, ressaltou. Em outras regiões também se avança. Além de realizar uma “campanha de promoção” na cidade de Concepción, na central região de Bío Bío, para potencializar as ciclovias já construídas, a Subsecretaria planeja um “projeto-piloto de infra-estrutura e estímulo ao uso da bicicleta em cidades de tamanho médio”, que possa ser imitado em todo o país, segundo Navas.

Foram excluídas as cidades de Copiapó, Quilloota, Rancágua e Valdívia, para as quais já há ciclovias projetadas, e as da central região do Maule, onde 10% das viagens são feitas em bicicletas. Paralelamente, a organização Ciclistas Unidos do Chile, da qual faz parte o Centro de Bicicultura, redigiu junto com deputados da coalizão governante um projeto de lei sobre uso, fomento e integração da bicicleta, apresentado ao parlamento no dia 9 de setembro. Entre 9 e 16 de novembro acontecerá o III Festival de Bicicultura do Chile, organizado pelo centro dirigido por Horta.

Também em novembro, o município de Providência vai inaugurar o primeiro serviço de bicicletas públicas do país, disponíveis para quem se inscrever para usá-las por uma hora diária dentro dos limites do município. Licitado a uma empresa privada, o serviço custará cerca de US$ 2 mensais ou US$ 14,5 ao ano. Serão cem bicicletas distribuídas em dez estações. A cidade francesa de Lyon abriu o jogo com seu serviço Vélo’v em 2005. Hoje tem mais de três mil unidades disponíveis em 350 estações. A meta é uma estação a 300 metros de qualquer ponto da cidade.

* O autor é correspondente da IPS.



Um certificado internacional reconheceu a importância da conservação da floresta na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, no estado do Amazonas. O documento, expedido pela auditoria alemã Tüv Süd, atesta que a manutenção da mata nesse local evita a emissão de gases de efeito estufa, e contribui para impedir o aquecimento global.

A reserva, que fica no município de Nova Aripuanã, é a primeira no Brasil a obter esse tipo de certificado. De acordo com Virgílio Viana, diretor da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), que administra a área, o documento é um reconhecimento da importância da floresta. “O fato simbólico é termos transformado em algo concreto um sonho antigo: dar valor aos serviços ambientais prestados pela floresta na Amazônia”, afirma.

Atualmente, o Brasil ocupa o quarto lugar entre os maiores emissores de gases que causam esse efeito estufa, sendo que cerca de três quartos dessa poluição provêm da destruição das matas.

O estudo realizado na reserva estima que, até 2016, a preservação das florestas da região evitarão uma poluição equivalente a 4 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2). Até 2050, uma emissão de gases igual a 189 milhões de toneladas de CO2 poderá ser contida. Para se ter uma idéia, isso significa cerca de um quarto da poluição emitida pela Inglaterra em um ano.

Créditos de carbono

A idéia de que evitar o desmatamento gera um valor equivalente em gás carbônico é conhecida como REDD (em inglês, Reduce Emissions for Deforestation and Degradation, ou Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação).

Essa conseqüência da preservação de florestas, contudo, ainda não é reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) como um mecanismo capaz de evitar a emissão de gases. Isso significa que, oficialmente, a poluição impedida pela reserva não pode ser vendida oficialmente como crédito de carbono.

Já há, porém, um mercado informal interessado em comprar os benefícios gerados pelas florestas. No caso da reserva amazonense, por exemplo, uma rede de hotéis se dispôs a destinar um dólar da diária de cada hóspede para comprar o equivalente a uma tonelada de gás carbônico não emitido. Isso ajudaria a empresa a neutralizar os gases emitidos em sua atividade.

Segundo o diretor da FAS, o certificado obtido pode ajudar a pressionar a ONU a autorizar os projetos de conservação de florestas a comercializar oficialmente a poluição evitada. “Não há nenhuma razão para termos o carbono de florestas fora do mercado”, reclama.

Famílias na floresta

A reserva do Juma ocupa uma área de 5.896 km², o equivalente a quatro vezes o município de São Paulo. Mais de 300 famílias vivem legalmente dentro da área protegida praticando agricultura, pesca e extração de produtos da floresta.

Parte da população local também é beneficiária do programa Bolsa Floresta, lançado pelo governo do Amazonas em 2007. Por meio desse projeto, famílias que vivem dentro de áreas protegidas e ajudam a conservá-las recebem um auxílio de R$ 50 por mês. As comunidades envolvidas também recebem incentivos de cerca de R$ 8 mil por ano.



O coqueiro é uma planta de grande importância socioeconômica, que além de produzir a água-de-coco, o albúmem sólido para indústria de alimentos e de óleos, gera ainda uma grande quantidade de subprodutos e resíduos. No Brasil, com uma área plantada de 290.515 hectares são produzidos anualmente cerca de 2,29 bilhões de cascas, 469,76 milhões de folhas que caem naturalmente da planta e 469,76 milhões de cachos com ramos florais e brácteas, o que corresponde 3,84 milhões de tonelada de resíduos, sendo 1,53 milhão de casca e 1,69 milhão de folhas. No estado de Sergipe, com uma área plantada de 39.994 hectares a produção anual de resíduos de coqueiro é de aproximadamente 334 mil toneladas, sendo 85.731 toneladas de cascas e 181.925 toneladas de folhas.

Atualmente, a maioria das cascas de coco, folhas e cachos do coqueiro são queimados ou descartados como lixo nas propriedades rurais produtoras de coco. Quando queimados produzem substâncias poluidoras do meio ambiente,quando descartados constituem meio adequado para procriação de animais peçonhentos e insetos vetores de doenças, servindo como agente poluidor do meio ambiente e de risco para a saúde dos trabalhadores rurais. Além disso, estão sendo eliminadas matérias-primas, infinitas e renováveis, de alto valor para a agricultura, sem as desvantagens ecológicas apresentadas por outros produtos como a turfa e a vermiculita, amplamente utilizadas, ao longo do tempo, como substratos, cuja extração gera graves problemas ambientais. Esses resíduos do coqueiro constituem também excelentes matérias-primas para produção de substratos e adubos orgânicos de grande importância agronômica, social e econômica sem desvantagens ecológicas, podendo contribuir, de maneira significativa, para o aumento da produção e melhoria da qualidade dos alimentos.

Visando reduzir a poluição atmosférica oriunda da queima e, à redução do volume de lixo depositado no meio ambiente, a Embrapa Tabuleiros Costeiros desenvolveu a tecnologia de “Biodegradação da Casca de Coco Seco e de Outros Resíduos do Coqueiro”. Essa tecnologia é capaz de transformar resíduos do coqueiro em substratos e compostos/adubos orgânicos como alternativa agroecológica para os sistemas de produção agrícola e, como nova fonte de renda para as comunidades rurais. Os resíduos do coqueiro são coletados e triturados em máquinas especiais e específicas para cada tipo de resíduo. As etapas do processo consistem em trituração, lavagem e hidrolização ácida das fibras, inoculação das fibras com acelerador biológico e, montagem, monitoramento e manejo da leira de compostagem aeróbica.



Sep
25
Filed Under (Sustentabilidade) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Na terça-feira, 23 de setembro de 2008, nada mudou no cotidiano dos terráqueos. Não houve nenhuma penúria nas lojas de alimentação, nenhum corte de água ou de eletricidade que fugisse do ordinário. Contudo, segundo os dirigentes da organização não-governamental canadense Global Footprint Network, um evento importante ocorreu em 23 de setembro. Aquele foi o “Global Overshoot Day”, literalmente “o dia da ultrapassagem do limite global”. Isso significa que, entre os dias 1º de janeiro e 23 de setembro, a humanidade consumiu todos os recursos que a natureza pode produzir em um ano. A partir de 24 de setembro, e até o final do ano, a humanidade passou a viver, por assim dizer, acima dos seus meios. Para continuar bebendo, se alimentando, se aquecendo, se deslocando, ela passa a explorar de maneira excessiva o meio natural, e compromete com isso a sua capacidade de regeneração. Portanto, ela está reduzindo e comprometendo seu capital.

O “dia da ultrapassagem do limite global”, uma imagem destinada a impressionar as mentes, foi inventado pelos criadores do conceito de “rastro” ecológico. Na esteira das conclusões da Cúpula da Terra, que foi realizada no Rio de Janeiro, em 1992, os universitários William Rees e Mathis Wackernagel elaboraram e testaram um método que permite medir o impacto das atividades humanas sobre os ecossistemas. Trata-se de quantificar as superfícies biologicamente produtivas necessárias para a construção de cidades e das suas infra-estruturas, para o fornecimento dos recursos agrícolas, aquáticos e florestais que nós consumimos, e ainda para a absorção dos resíduos que nós produzimos, inclusive o CO2 proveniente da combustão das energias fósseis.

A unidade de medição que é utilizada para calcular o “rastro” ecológico deixado por um indivíduo, uma cidade ou um país, é o “hectare global”, cujas capacidades de produção e de absorção de resíduos correspondem à média mundial.

Segundo os cálculos da Global Footprint Network, as necessidades da humanidade começaram a exceder as capacidades produtivas da Terra em 1986. Desde então, em conseqüência do aumento da população mundial, a data na qual a humanidade esgota os recursos teoricamente produzidos em um ano vem ocorrendo sempre mais cedo. Em 1996, o nosso consumo ultrapassava 15% da capacidade de produção do meio natural, e o “dia da ultrapassagem” caía em novembro. Em 2007, a ultrapassagem ocorreu em 6 de outubro.

Disparidades

A ferramenta utilizada pela Global Footprint Network permite quantificar a evolução do consumo de recursos no decorrer do tempo, e sensibilizar a opinião para as conseqüências dos excessos da sua exploração. Ela autoriza igualmente fazer comparações entre regiões do mundo. Os habitantes dos Emirados Árabes Unidos apresentam o mais importante de todos os “rastros” ecológicos: cada habitante consome anualmente o equivalente de 12 hectares globais. Eles são seguidos de perto pelos americanos, com um coeficiente de 9,5 hectares por habitante. A França ocupa o 12º lugar deste ranking mundial, com um pouco menos de 6 hectares por habitante. Já, os habitantes do Bangladesh, da Somália e do Afeganistão são aqueles que apresentam o menor consumo de recursos em todo o mundo, com menos de meio-hectare por habitante.



Sep
24
Filed Under (Sustentabilidade) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Cuidar da mãe natureza, onde estão enterradas as cinzas de nossos ancestrais - como diziam os índios - está sendo um desafio nas cidades, consideradas como grandes “selvas de pedra”. Há tempos, o verde dos jardins das residências está perdendo espaço para o concreto cada vez mais presente no dia-a-dia.

A preocupação com a preservação da natureza não se encerra na preservação da floresta amazônica ou na preocupação com o derretimento das geleiras. Ecologistas demonstram que preservar o meio ambiente pode começar na própria casa - mais especificamente, no quintal.

Esta é a meta do acordo firmado entre a Universidade Autonoma de Madrid (UAM) e a Prefeitura de Sarandi, que pretende mudar essa realidade com o plantio de 10 mil árvores frutíferas nos quintais das casas do município. Além de formar micro pomares nos jardins, o projeto visa diminuir os processos erosivos dos terrenos, o consumo de energia elétrica e retirar o carbono da atmosfera - o grande responsável pelo aquecimento global.

Os jardins mais limpos e cuidados pelo moradores vão ajudar a combater pragas urbanas como o Aedes aegypty, entre outros insetos e animais peçonhentos. “Meu quintal estava abandonado e fiquei feliz com a iniciativa. Agora é esperar as árvores darem frutos”, ressalta a dona de casa, Silvana Capazorio, 38 anos.

Silvana, beneficiada com o projeto intitulado “Gestão Ecológica Participativa dos Quintais de Sarandi”, passou a dar mais valor à natureza e agora tem o hábito de regar diariamente os pés de palmitos, pitangas e figos.

De acordo com o biólogo, responsável técnico do projeto, Fábio Angeoletto, projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), indicam que, com o atual ritmo de crescimento das cidades, teremos transformado em áreas urbanas - até 2050 - cerca de 33% das terras agricultáveis do planeta.

Nesse sentido, explica Angeoletto, os jardins das residências de Sarandi se constituem em espaços estratégicos para o planejamento. A idéia é expandir o projeto nos próximos anos para todas as cidades que compõem a região metropolitana de Maringá. O relatório da ONU confirma que, até o final de 2008, metade da população mundial estará vivendo em áreas urbanas.

Em Sarandi, a proposta é atingir mil quintais com o plantio de árvores frutíferas até o final do ano. O projeto está sendo desenvolvido em quatro bairros do município: Bom Pastor, Jardim Universal, Jardim das Torres e Jardim Triângulo. Os quatro bairros somam um total de 1.280 quintais.

Conforme Angeoletto, desses mais de mil quintais foram sorteadas 300 residências para que os moradores respondessem ao questionário da primeira etapa da pesquisa. O objetivo do questionário foi avaliar o conhecimento dos moradores a respeito do gerenciamento de lixo orgânico e dos principais problemas ambientais do bairro.

“Também foram avaliadas as áreas médias disponíveis para o plantio de mudas frutíferas e o interesse do morador em receber gratuitamente mudas para serem plantadas no seu quintal”, explica. Segundo o responsável técnico, com base nos questionários, o que foi constatado é que a área livre dos quintais pesquisados é alta e que a população tem interesse em receber essas mudas, já que a maioria dos entrevistados é proprietário do imóvel.

As mudas foram doadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e algumas são nativas da flora paranaense - como araçá, goiaba, pitanga e jaracatiá - e outras exóticas, como o figo e a uva japonesa. O trabalho está sendo coordenado pelo professor Ruan Pedro Ruiz Sanz, membro do Grupo de Estudos em Ecologia Humana da UAM, que também desenvolve projetos em países como Nicarágua, Colômbia, Cuba e Venezuela.



Sep
22
Filed Under (Sustentabilidade) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

O uso das urnas de eletrônicas nos últimos 12 anos gerou um ganho ambiental considerável. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desde a implantação do sistema eletrônico de votação, em 1996, até o último pleito - realizado em 27 de outubro de 2006, 820,8 milhões de cidadãos votaram por meio desse sistema, o que ajudou a preservar 18.720 árvores ou uma floresta de 112 mil metros quadrados. Nestas eleições serão economizados 148,2 mil quilos de papel, poupando 2.965 árvores.

O processo eletrônico garantiu, em dez anos, a manutenção de vegetação nativa em área que corresponde a 11 campos de futebol, ao evitar o corte de árvores e ao deixar de usar 505,44 milhões de litros de água na produção do papel, que até 1996 era utilizado para produzir as cédulas. Este volume de água é suficiente para abastecer uma cidade de 100 mil habitantes por um mês. A economia ambiental – que representa a manutenção de florestas e de ecossistemas - é uma conseqüência inesperada, um benefício extra ao meio ambiente, gerado a partir da intenção da Justiça Eleitoral de agilizar o processo de votação e de apuração.

Os números são grandiosos, como o país, que está usando a informatização a favor do cidadão e no processo de fortalecimento da democracia. Para o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, todas as decisões do TSE têm grande repercussão, pois dizem respeito a 130 milhões de eleitores.

“Há, certamente, grande preocupação. Primeiro em relação ao processo em si, em suas duas diretrizes: segurança e transparência, para que o eleitor tenha efetiva confiança de que a sua vontade expressa na urna eletrônica seja reconhecida. Por outro lado, buscamos a economicidade e também a preocupação com o meio ambiente. Prova disso é a própria implementação da automação do processo”.

De acordo com asssessora de Comunicação Corporativa do TSE, Fernanda Quintanilha, as 57.262 urnas usadas em 1996 serão descartadas de forma ecologicamente correta. A corte aprovou a destinação dos equipamentos a partir de um estudo realizado pela Diretoria Geral do Tribunal, em conjunto com a Secretaria Geral de Informação.

Para isso, foram realizadas pesquisas em todos os itens do equipamento, avaliando o que poderia ser reciclado. Além das urnas, outros materiais serão reaproveitados, como 980,4 mil disquetes, 279 mil bobinas e 41.944 baterias. Atualmente, está sendo elaborado o edital de licitação para escolha da empresa que vai realizar a reciclagem de todo o lixo tecnológico.

Mas o ganho ambiental se amplia com a economia de papel em cada pleito. Agora, o TSE está modificando o sistema da folha de votação. Assim, não será impresso um novo caderno para identificação do eleitor nos municípios que terão segundo turno. Ao invés disso, a mesma lista será reutilizada. “Nós fizemos uma adaptação, agora só há necessidade de imprimir um caderno. Com isso nós economizamos em torno de 90 toneladas de papel.” informa Giuseppe Janino.

Nas eleições deste ano, 130 milhões de eleitores devem votar em urnas eletrônicas. Ao considerarmos que todos usem este sistema, serão economizados 148,2 mil quilos de papel, que, para serem fabricados, utilizariam 80 milhões de litros de água e 2.965 árvores. Segundo especialistas do setor gráfico, para a produção de um quilo de papel são necessários 540 litros de água. E para obtenção de cada 50 quilos deste material, uma árvore precisa ser derrubada.

Os resultados desse processo de automação têm o respaldo da sociedade civil. Para a presidente da Organização Não Governamental Amigos do Futuro, Rejane Pieretti, este é um grande exemplo para toda a administração pública, que ao substituir o papel por meios eletrônicos mais modernos, pode somar ações positivas na luta pela preservação do meio ambiente e de todo o planeta, com risco iminente de enfrentar o aquecimento global nos próximos 50 anos.

O TSE garante que está preparado para que todos votem em urnas eletrônicas. Mesmo assim, serão impressas 7,5 milhões de cédulas de papel, sem identificação do pleito deste ano de forma que possam ser reutilizadas nas próximas eleições. A estimativa do TSE é de que sejam usadas apenas 0,07% de cédulas de papel. Afinal, 460 mil urnas eletrônicas serão utilizadas, 10 % deste número ficam de reserva para serem substituídas caso algum equipamento apresente defeito.

Para o futuro, o TSE já prevê o voto biométrico, que será testado em três municípios brasileiros – São João Batista, em Santa Catarina; Fátima do Sul, em Mato Grosso do Sul, e Colorado D’Oeste, em Rondônia. Baseado nestas experiências, o Tribunal irá traçar um plano para estender este tipo de voto para todo o País. A iniciativa, de acordo com o Secretário de Tecnologia da Informação do TSE, além de garantir segurança, transparência e economicidade vai beneficiar o meio ambiente. “Nós vamos chegar ao ponto em que a própria emissão do Título de Eleitor será dispensável”, afirma Giuseppe Janino.



Sep
21
Filed Under (Sustentabilidade) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

Esta segunda-feira é o Dia Sem Carro. Dia de combater a poluição do ar e a emissão excessiva de gases de efeito estufa. Para isso, a data visa à conscientização das pessoas sobre como é importante transitar menos de carro. É movendo-se de ônibus, a pé, de bicicleta, ou ainda pegar uma carona com o vizinho e colega de trabalho que todos podem contribuir.

O primeiro Dia sem Carro foi realizado na França em 1998. Desde então, a mobilização se estendeu a vários países, chegando ao Brasil em 2001. Em 2005, cerca de 43 municípios participaram, como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, entre outros.

Trata-se de um manifesto a fim de gerar uma reflexão sobre os gigantescos problemas causados pelo uso maciço de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos, e um convite ao uso de meios de transporte sustentáveis - entre os quais a bicicleta é a grande vedete. “Esta deveria ser uma ação diária e não somente no dia mundial sem carro”, comenta Marcos Fernandes, diretor presidente da Organização MiraTerra. “Se as pessoas usassem seus carros de forma mais racional, dando carona a amigos e vizinhos, revezando a cada semana, indo a pé a locais de curta distância e usando a bicicleta como locomoção na rotina diária, a questão ambiental seria outra. Há aqueles que tiram o carro da garagem para rodar até menos de três quarteirões só para comprar pão”, exemplifica o ambientalista.

A bicicleta é uma excelente alternativa de deslocamento, sobretudo para pequenas distâncias. Leva seu condutor de porta a porta, permite a prática de uma atividade física simultânea ao deslocamento, tem custo baixíssimo e é minimamente afetada por engarrafamentos. Muitas pessoas têm percebido isso, e o número de ciclistas na cidade tem aumentado visivelmente.

“Porém, a nossa infra-estrutura para o uso da bicicleta como meio de transporte é precária. Há pouquíssimos bicicletários, poucas empresas dispõem de vestiários para incentivar seus funcionários a ir de bicicleta para o trabalho, as ciclovias são quase inexistentes e as que existem são pouco estratégicas, o trânsito é hostil aos ciclistas. É com a intenção de procurar reverter esse quadro que a Organização MiraTerra participa e apóia o Dia Mundial Sem Carro”, diz Marcos.



Sep
17
Filed Under (Sustentabilidade) by Meio Ambiente Hoje on 25-04-2007

A sustentabilidade ganhou tanta importância nos últimos anos que, segundo Jeferson D’addario, diretor da Daryus Consultoria, empresa de gestão de riscos e continuidade de negócios, não há como desprezá-la. De acordo com ele, as empresas necessitam fazer uma gestão de riscos ambientais. ‘Há muita cobrança e a empresa sabe o seu papel.’

D’addario conta que a falta de cobranças do governo e apercepção de retorno com projetos ambientais ainda são barreiras no País. ‘São projetos de longo prazo.’ Ele conta que quando os indicadores de sustentabilidade, como o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, ganharem mais força, as práticas ambientais serão mais cobradas. ‘Hoje, não há rigidez e faltam padrões de referência e cobranças precentivas.’

O diretor diz que companhias ligadas a extração ou descarte estão mais preocupadas com essas questões, mas ele lembra que todas as empresas, independentemente do tamanho ou área de atuação, consomem recursos naturais. ‘Enquanto as grandes não fizerem seus projetos, as pequenas não farão. A não ser que sejam fornecedores que são cobrados por isso.’

Segunda D’addario, outra barreira é o imediatismo dos empresários brasileiros. Ele conta que o longo prazo dos projetos e o investimento afastam a viabilidade de alguns programas. ‘As empresas controladas pelas sedes na Europa já estão na frente.’



A Floresta Nacional do Jamari (RO), que em agosto se tornou a primeira do país a ter áreas licitadas pelo governo federal para manejo sustentável, será controlada com o novo sistema de monitoramento de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o mais detalhado de que o órgão dispõe.
O Detex (Detecção de Exploração Seletiva) foi desenvolvido para controlar distritos florestais com alto nível de detalhe, identificando atividades madeireiras no meio da floresta. Isso inclui a localização de picadas, pátios para armazenamento de madeira e o sumiço de árvores individuais, atividade conhecida como corte seletivo.

O sistema é o terceiro utilizado pelo Inpe para monitorar o desflorestamento na Amazônia. Já existem o Programa de Cálculo de Desflorestamento da Amazônia (Prodes), levantamento anual da devastação da Amazônia Legal, e o Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que faz uma varredura mais rápida da região - a publicação dos dados é mensal.

O diferencial do Detex é a observação detalhada de extensões menores. Ele coleta imagens de áreas de 20 metros por 30 metros, mais definidas que as utilizadas pelo Prodes (30 m por 30 m) e pelo Deter (250 m por 250 m). As fotografias são captadas pelos satélites sino-brasileiros CBERS e pelo americano Landsat. A utilização de radares aerotransportados do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) ainda está sendo estudada.

Jamari

No dia 18 de agosto, nove meses após abertura de edital, o governo conseguiu licitar a Floresta Nacional do Jamari (RO), primeira área de concessão florestal para manejo sustentável do Brasil. Segundo informações da Agência Brasil, a licitação foi alvo de disputa judicial no Supremo Tribunal Federal (STF). As três áreas licitadas somam 96 mil dos 220 mil hectares da unidade e devem render R$ 3,8 milhões anuais aos cofres públicos. As empresas vencedoras da concorrência poderão explorá-las por 40 anos.

“Depois de muito tempo em banho-maria, começaram nas florestas públicas as licitações para uso sustentável. Você tem uma floresta, explora um quarenta avos a cada ano e daqui a 40 anos a floresta ela está do mesmo tamanho. Produz madeira, móveis e armários, pagam salários e a floresta fica do mesmo tamanho” disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. “Faremos várias outras (licitações). A melhor forma de combater a madeira ilegal é o aumento da oferta da madeira legal de manejo”, completou.

A função do Detex, segundo explica o coordenador do programa Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano, será permitir que o Serviço Florestal Brasileiro, órgão do Ministério do Meio Ambiente, fiscalize o manejo na Floresta do Jamari. “O Detex inicialmente seria voltado apenas para extração em florestas públicas, mas, por solicitação do Ibama, esperamos que até o fim do ano esteja disponível também para áreas de manejo privadas”, disse o coordenador.

O Detex já foi testado nos entornos de duas estradas federais da região, e em duas florestas nacionais: Jamari e Saracá-Taquera. Segundo o Inpe, ele será empregado em todas as florestas públicas da Amazônia Legal.

Saiba mais sobre imagens de satélite: http://www.geoprocessamento.net



Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e do Pará (UFPA), do Instituto Piatam e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu que o Pólo Industrial de Manaus (PIM) contribuiu para reduzir em pelo menos 70% o desmatamento no Amazonas no período de 2000 a 2006.

A pesquisa calcula que o valor das emissões de carbono evitadas no período chega a US$ 10 bilhões. Os serviços ambientais proporcionados pela preservação valeriam outros US$ 158 bilhões.

Segundo o coordenador do estudo, José Alberto da Costa Machado, professor de desenvolvimento sustentável e economia ambiental da Ufam, foi feito um levantamento estadual para verificar em quais fatores a existência do pólo industrial influencia. “O pólo gera excedente de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), empregos e renda, afetando todo o estado”, explicou.

A existência de indústrias na capital amazonense permite que a população local não se dedique à exploração das riquezas naturais. E os benefícios, segundo Machado, vão muito além do Amazonas. “Há um efeito de transbordamento de recursos privados para estados vizinhos, como Acre e Roraima”, explicou o professor, referindo-se aos acreanos e roraimenses que trabalham em Manaus e enviam dinheiro a seus estados.

O estudo sugere que o benefício ambiental gerado pela manutenção da floresta seja incorporado às mercadorias produzidas no pólo. Isso se daria por meio da transformação do PIM em um pólo eco-industrial (que, segundo Machado, poderia se chamar “Ecopim”). As empresas que tiverem fábricas ali poderiam colocar em seus produtos um selo de identificação chamando atenção para seu efeito ecológico.

“O Ecopim será voltado para que tudo se transforme em verde. Ajudará na busca de financiamentos internacionais e vai melhorar a venda nos mercados estrangeiros”, argumentou o professor. Segundo ele, um consumidor estrangeiro, ao ver que determinado produto foi produzido na Amazônia e, ainda que indiretamente, ajudou conservar a floresta, dará preferência a adquiri-lo, em vez de comprar mercadoria concorrente produzida num pólo industrial comum.

O estudo foi patrocinado por uma empresa de telefones celulares que tem fábrica em Manaus. Machado afirma que a corporação não teve qualquer influência sobre a pesquisa. Perguntado se a poluição produzida pelas fábricas do pólo foi levada em conta, o pesquisador afirmou que sim, mas observou que a maioria das empresas ali instaladas são de produtos eletrônicos e, por isso, pouco poluentes: “Eventualmente temos a poluição de um igarapé, mas é coisa pequena”.